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terça-feira, 12 de junho de 2012

O casamento se inicia no namoro equilibrado

O que Deus quer do casamento, da família?

Quando o Deus Pai quis que a humanidade existisse, Ele estruturou tudo na família, com o casal. O Senhor fez o homem, mas viu que seu coração estava vazio e disse a Adão: “Eu vou te dar uma companheira adequada” (Gên 2, 18c). Quando Ele fez a mulher da mesma natureza do homem, é uma linguagem poética para dizer que a mulher foi feita na mesma dignidade do homem, mas diferente para que os dois se completassem. Quando Deus levou Eva para Adão, este ficou emocionado e disse: “Ela vai se chamar mulher” (id. 2, 23c).

O Altíssimo disse a coisa mais importante sobre isso: “Por isso o homem deixa seu pai e sua mãe e se une a sua mulher e serão uma só carne” (id. 2, 24). Isso é o desígnio de Deus, que o homem se case com uma mulher e forme uma só carne, uma só pessoa humana.

Pela unidade do amor de Deus, no altar, vocês serão uma só pessoa; isso é mais ou menos aquilo que acontece na Santíssima Trindade, Três Pessoas, mas uma unidade. Se o casamento não for uma unidade, ele não estará de acordo com a vontade de Deus, e o casal não poderá ser feliz. Se o casal não for uma unidade, não estará vivendo conforme a vontade divina; e isso começa no namoro. É no namoro que a família começa, todos nós nos casamos porque namoramos.

O namoro é o alicerce, o fundamento, se você fizer desse período apenas uma curtição, você estará fazendo da sua família futura uma brincadeira e você sofrerá mais tarde. Leve o namoro a sério, não brinque com a pessoa do outro.

Namoro não é tempo de conhecer o corpo do outro, mas alma do outro. Não empurre seu namoro com a “barriga”, se você vê que só existe briga, tenha coragem de terminar, o amor é algo que se constrói, não cai do céu pronto. A aliança de namoro você pode tirar do dedo, a aliança do casamento, não.

Não deixe a vida sexual sufocar seu namoro, a vida sexual é para os casais casados. São Paulo diz que o corpo da mulher pertence ao marido e o corpo do marido pertence à mulher, porque eles são uma só carne, por isso têm o dever de viver a vida sexual.

Viva seu namoro na castidade, na seriedade e vocês estarão se preparando para ser um casal fiel. O namoro é o começo de tudo, é o ponto de partida.

Quando chegamos ao casamento o que Deus quer? O casamento é uma decisão que exige maturidade, atrás desse “sim” vêm os filhos, que não pediram para vir ao mundo, mas vieram por amor. O filho tem o direito de viver com seus pais, porque ele precisa disso para sua formação moral, intelectual, psicológica, por isso, o casal precisa ser uma só carne e não levar o casamento na brincadeira com mentiras. Se você começar a mentir dará espaço para o demônio entrar no seu matrimônio; não pode haver falsidade entre o casal. Não pode haver divisão entre o casal, não pode existir a primeira pessoa do singular: “eu”, mas sim, a primeira pessoa do plural: “nós”.

Deus quer o casal como café com leite: quando alguém olha vê um só. É possível fazer isso? Sim, com a graça de Deus. Casal que reza junto permanece junto.


                                          Por que Namoro Santo?


Porque o próprio Jesus falou: “Sede santos como meu Pai que está nos céus é Santo”. Isto inclui todos nós e todos nossos atos.

Não é uma meta que se deva desprezar por ser bastante alta, mas perseguir mesmo que nunca a alcancemos em toda sua plenitude.

Há namoro que não é santo? Nem é preciso falar que hoje a maioria dos namoros estão longe de serem santos.

Mas para que serve o namoro, um namoro santo? Um namoro santo é o primeiro passo para um matrimônio santo. É nele que os namorados se preparam para viver um matrimônio santo.

Pensar em matrimônio entre eles, já? Não necessariamente. Pode ser que um namoro não termine em matrimônio, mas é sempre uma preparação para o seu matrimônio.

Se você começa um namoro e sinceramente não consegue imaginar, nem que seja de forma muito superficial aquela pessoa como sua esposa, seu esposo, nem comece, você já está no caminho errado.

Outro dia alguém perguntou que mal havia em “estar” com alguém descompromissadamente, sem pensar num futuro dos dois. E a resposta é a seguinte: amor é uma opção por fazer alguém feliz, é doação, é querer o bem do outro e somente do outro. Este “estar” com alguém soa quase como aproveitar de alguém por um tempo para satisfazer minhas necessidades, minhas carências, mas, sem o mínimo compromisso com essa pessoa.

É algo parecido com o “ficar” só que mais longo, um pouco. Não há compromisso com a pessoa do outro. Eu não me envolvo como deveria, o outro também não se envolve. Satisfazemos nossas necessidades afetivas, sexuais, temos alguém para nos divertir e só isso.

Exatamente, só isso. E por isso não é amor. Não é construção de nada. Não há renúncia de nada em favor do outro, não pode ser, desde o princípio, algo para sempre.

Na celebração do matrimônio o casal promete um para o outro: receber o outro, ser fiel ao outro, amar e respeitar o outro, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias da vida.

É bem exigente essa promessa. E como chegar a fazer esta promessa sem se preparar? Como cumprir esta promessa sem saber o que se está fazendo?






Dia dos Namorados - O que é namorar?

     O namoro é dinâmico como a própria vida das pessoas. Hoje a liberdade é enorme quando se fala desse assunto, o que, aliás, torna-se ocasião para muitos desvirtuamentos em termos de namoro. Coisas que para a geração anterior era impensável, hoje tornou´se comum entre os jovens; por exemplo, viajar juntos sem os pais; dormirem na mesma casa, etc. Se por um lado esta liberação pode até facilitar a maturidade dos jovens namorados, não há como negar que é uma oportunidade imensa para que o relacionamento deles ultrapasse os limites de namorados e precipite a vida sexual.
          Lamentavelmente tornou-se comum entre os casais de namorados a vida sexual, inadequada nesta fase. O namoro, como já mostramos, é o tempo de conhecer o outro, escolher o parceiro com quem a vida será vivida até a morte, e é o tempo de crescimento a dois. Tudo isto será vivido através de um diálogo rico dos dois, pelo qual cada um vai se revelando ao outro, trocando as suas experiências e as suas riquezas interiores, e assim, começa a construção recíproca de cada um, o que continuará após o casamento. O namoro é acima de tudo o encontro de duas pessoas, capazes de pensar, refletir, cantar, sonhar, sorrir e chorar. O mar é belo e imenso, mas não sabe disso; a terra é bela e rica, mas não sabe disso; o pássaro é belo e não sabe disso. Você é bela, inteligente, livre, dotada de vontade e de consciência; e você sabe disso. Você não é um objeto; é uma pessoa, Um ser espiritual e psíquico. O namoro implica no reconhecimento da "pessoa" do outro, a sua aceitação e a comunicação com ela. É diferente conhecer uma pessoa e conhecer um objeto. O objeto é frio, a pessoa é um "mistério" ; não pode ser entendida só pela inteligência, pois a sua realidade interior é muito mais rica do que a idéia que fazemos dela pelas aparências. Você só poderá conhecer a pessoa pelo coração e pela revelação que ela faz de si mesma a você. No objeto vale a quantidade, o peso, o tamanho; a forma, o gosto; na pessoa vale a qualidade. O objeto é um problema a ser resolvido, a pessoa é mistério a ser revelado e compreendido. Saiba que você está diante de uma pessoa que é única (indivíduo), insubstituível, original, distinta de todos os outros... Alguém já disse que cada pessoa é "uma palavra de Deus que não se repete". Não fomos feitos numa fôrma. No namoro você terá que respeitar essa "individualidade" do outro, para não sufocá´lo. Muitas crises surgem porque ambos não se respeitam como pessoas e únicos. É por isso que as comparações e os padrões rígidos podem ser prejudiciais. Você não pode querer que a sua namorada seja igual àquela moça que você conhece e admira; o seu namorado não tem que ser igual ao seu pai... Cada um é um. A liberdade é uma condição essencial da pessoa. Sem liberdade não há pessoa.
            É no encontro com o outro que a pessoa se realiza; e aqui está a beleza do namoro vivido corretamente. Ele leva você a abrir´se ao outro. A partir daí você deixa de ser criança e começa a tornar´se adulto; porque já não olha só para si mesmo. O namoro é esse tempo bonito de inter´comunicação entre duas almas. Mas toda revelação implica num comprometimento de ambos e num engajamento de vidas. "Tu te tornas eternamente responsável por aquele que cativas", disse o Pequeno Príncipe. Você se torna responsável por aquele que se revela a você do mais íntimo do seu ser. Cuidado, portanto, para não "coisificar" a sua namorada. Às vezes essa coisificação do outro se torna até meio inconsciente hoje. Ela acontece, por exemplo, quando o noivo proíbe a noiva de usar batom, ou a proíbe de cortar os cabelos. O marido "coisifica" a esposa quando a obriga a ter uma relação sexual com ele, quando não a permite participar das "suas" decisões financeiras; quando proíbe que ela possa ter alguma atividade na Igreja, etc. O namorado "coisifica" a namorada quando faz chantagens emocionais com ela para conseguir o que quer. A namorada "coisifica" o namorado quando o sufoca fazendo´o ficar o tempo todo do seu lado, sem que o rapaz possa fazer outros programas com os amigos. O pai coisifica o filho quando o submete a si como se fosse um escravo... Não faça do outro um objeto, e não deixe que o relacionamento de vocês se torne numa "dominação do outro", mas um "encontro" entre ambos. Nem Deus tira a nossa liberdade; Ele a respeita, pois sem isto seríamos marionetes, robôs, e não pessoas. Ainda que o homem se ponha contra Ele - como acontece tanto! - ainda assim Ele o ama, e nunca trata´o como um objeto. Coisificamos o outro quando o usamos; isto é triste. O namoro é o tempo da "descoberta", do outro. E isso se faz pelo diálogo, que é o alimento do amor. Há muitos desencontros porque falta o diálogo.


Namorar é dialogar! O diálogo é mais do que uma conversa; é um encontro de almas em busca do conhecimento e do crescimento mútuo. Sem um bom diálogo não há um namoro feliz e bonito. É pelo diálogo que o casal - seja de namorados ou cônjuges - aprende a se conhecer, ajudam´se mutuamente a corrigir as suas falhas, vencem as dificuldades, cultivam o amor, se aperfeiçoam e se unem cada vez mais. Os namorados que sabem dialogar sabem escolher bem a pessoa adequada, fazendo uma escolha com lucidez e conhecimento maduro. Sem diálogo o casal não cresce, e o namoro não evolui, porque cada um fica trancado e isolado com os seus próprios problemas. Sem ele o casal pode cair na "crise do silêncio", ou apenas trocar palavras vazias, ou ainda, o que é pior, discutir e brigar. Por falta do diálogo, muitas vezes, cada um leva a "sua" vida e ignora o outro; ora, isto não é vida a dois, nem preparação para o casamento. São muitas as dificuldades para o diálogo, mas há também muitos pontos que o favorecem. Vamos examiná-los.
          Muitos não conseguem dialogar porque não estavam habituados a isto antes do namoro. Pode ser que tenha vindo de uma família que não tinha esse hábito. Neste caso, será preciso ter a intenção de dialogar, romper o mutismo e abrir´se. Também o orgulho, o medo de reconhecer os próprios erros, o não querer "dar o braço a torcer", a vaidade de querer sempre ter razão, bloqueiam o diálogo. A falta de tempo, o trabalho em demasia, a televisão, o jornal, a revista, a internet, podem prejudicar o diálogo; se não forem dosados... Há também os condicionamentos de infância; às vezes a autoridade excessiva dos pais, a falta de liberdade para expressar as próprias idéias e opiniões; a super proteção que sufocou o espírito de iniciativa; a falta de participação nas soluções dos problemas familiares; tudo isto dificulta o diálogo. Portanto, será preciso esforço, vontade de vencer´se e acertar. Para haver diálogo você precisa aprender a ouvir o outro; ter paciência para entender o que ele quer dizer, e, só depois, concordar ou discordar.
            Seja paciente, não corte a palavra do outro antes dele completá-la. Lembre-se, diálogo não é discussão. É preferível "perder" uma discussão do que dominar o outro. Dialogar é acolher o outro com o coração disponível. É aprender a "olhar" o outro, conhecer sua vida profissional, familiar, seus gostos, suas aspirações, dificuldades, lutas... com respeito e atenção. Deixe que o outro tenha "entrada franca" no coração. Não ponha "cães de guarda" nas portas do seu palácio interior pois o outro pode ficar com medo de entrar. Quem são esses cães? O seu orgulho refinado, sutil, mas que esnoba e subjuga o outro... O seu egoísmo que chama tudo sempre para você. A inveja do sucesso do outro, que o impede de crescer. A sua ironia que faz pouco caso do que ele está dizendo... A sua estupidez e grosseria que magoam o outro... São esses - e muitos outros - os "cães de guarda" que pomos à porta do coração. Às vezes ela ou ele vai embora dizendo: "Não tive coragem de entrar... tive medo que ele risse de mim... que não me compreendesse... tive medo de ser ridícula". Não deixe que ele fique te esperando tanto até desanimar. Para que você possa acolher o outro é preciso despojar´se de si mesmo, estar disponível. É preciso que você aceite criar este vazio no seu interior para que o outro possa ocupá´lo. É preciso fazer silêncio em você, para poder ouvir e entender a voz do outro. Só assim você será atencioso com ela; e então o diálogo acontecerá. Saiba sorrir para o outro; não custa nada e ilumina tanto!... Saiba fazer silêncio.... As palavras são os veículos da alma que se exprime, desabafa e se acalma. Aprenda a escutar o seu namorado atenciosamente; preste´lhe esta homenagem. Saiba falar mais daquilo que lhe interessa, do que aquilo que interessa a você.
           Não fique pensando em você enquanto o outro fala, pense nele. Há um escrito que diz assim: As cinco palavras mais importantes são: "Estou muito satisfeito com você" As quatro palavras mais importantes: "Qual a sua opinião?" As três palavras mais importantes: "Faça o favor". As duas palavras mais importantes: "Muito obrigado" A palavra menos importante: ´EU´! Enquanto você estiver dominado pela vontade de falar de si mesmo, é porque ainda não está apto a acolher o outro. Entretanto, não arranque o outro do seu silêncio à força; respeito´o, e aos poucos, ajude-o a falar. Não devasse a sua intimidade. Você está vendo que o namoro é como uma escola, um educandário do amor; por isso é belo e rico. Vá interrogando´o com suavidade sobre a sua vida, as suas preocupações, o seu passado, a sua família, a escola, etc. ... Deixe´o dizer tudo o que ele quiser, e não fique com aquele olhar distante, longe, nas nuvens... O diálogo exige gratuidade.
            Se você estiver nervoso, preocupado, irritado e de mau humor, então, pegue tudo isto e entregue a Deus, na fé, para estar disponível. O mau humor, a lamúria, a constante reclamação, são venenos mortais para o diálogo e o relacionamento. Sorria, ainda que o seu coração esteja chorando, por amor; isto não é fingimento. Saiba caminhar em direção ao outro, estenda´lhe a mão para ajudá-lo a entrar em você. Se ele vier a você cheio de problemas e angústias, não tenha pressa em querer dar-lhe a solução mágica para as suas dores. Não, apenas deixe que ele se esvazie; deixe-o falar; só depois, quando ele tiver "posto tudo para fora", só então, você lhe dirá uma palavra amiga, e de conforto. Quando o médico vai tratar um tumor, primeiro deixa-o vazar completamente, tira todo o material infeccioso, só depois coloca o remédio. Assim também ocorre com as "infecções da alma"; primeiro é preciso esvaziá´la, para depois curá-las. A grande necessidade das pessoas hoje é ter alguém que as ouça com tempo e disponibilidade.
             Não será o namoro uma bela oportunidade também para isso? Se você quiser que o seu namorado abra´lhe a alma, e se revele do fundo do seu ser, então saiba ser receptiva, silenciosa, discreta...Então você ouvirá muitas confidências, e ele irá embora aliviado e crescido. A experiência tem me mostrado que a maioria das pessoas que nos procuram para resolver os seus problemas, mais do que conselhos, querem desabafar uma angústia que está no coração. E quando você se dispõe a ouvi´las com atenção e carinho, elas vão se acalmando e encontrando o remédio que precisam, sem que às vezes a gente não diga nada. É a necessidade da alma humana de desabafar. Portanto, saiba que o que o outro mais precisa no diálogo é da sua atenção esmerada. Não seja aéreo enquanto o outro fala, esqueça de você mesmo neste instante. Dialogar não é discutir. Na discussão gasta´se muita energia, irrita´se e chega´se ao nervosismo que não leva a nada, ao contrário, só destrói o relacionamento. O diálogo conduz ao amor; a discussão leva à briga. Eis a diferença. Na discussão cada um ´ cheio de si mesmo ´ se acha o dono da verdade e da razão, e não abre mão disso. É o orgulho que impera. No diálogo ambos procuram a verdade juntos, não se acham cheios de razão, e não se preocupam com quem ela está. Na discussão são pessoas que se exibem querendo vencer a outra; no diálogo, são argumentos e idéias que são apresentadas. A discussão é uma luta entre dois egos orgulhosos; o diálogo é o encontro de duas almas queridas. Entendeu a diferença? Na discussão um quer arrasar os argumentos e idéias do outro, e desmoralizar os seus raciocínios, já no diálogo cada um se esforça para compreender os argumentos e idéias do outro, ao invés de atacá´los apressadamente. Quando você discute, já dá a resposta antes mesmo que o outro termine de falar o que queria expor; no diálogo, você quer que ele repita o que disse para que você possa entendê´lo melhor. Há um sabor mórbido em arrasar o outro numa discussão.
                É próprio dos adversários quando se encontram; não de namorados que se amam e querem construir´se mutuamente. O que você pode lucrar em "dobrar" o outro numa discussão. Nada, a não ser um pouco mais de orgulho e de arrogância! Além disso você deixa o outro ferido e magoado, mais longe de você... talvez até com mágoa e ressentimento, e com ódio no coração. A discussão termina com um vencido e um vencedor, como se fosse uma guerra. Será que isto deve acontecer entre duas pessoas que se amam? O diálogo autêntico e necessário no namoro, não admite portanto, palavras, expressões ou gestos que humilhem o outro, ou que demonstrem pouco caso, cinismo, soberba, arrogância, prepotência... "Você tem um raciocínio de criança imatura!" "Sua argumentação está toda vazia e furada!" "Você parece louca, no mundo da lua!" "Acho que você está precisando de um psiquiatra!" "Será que você não vai crescer nunca?" "Até quando você vai continuar com este seu jeito de bebê chorão?" Expressões desse tipo ferem e magoam; e exigem que se peça perdão. Ao contrário são expressões do tipo: "Você fez algo importante!" "Sua opinião é muito importante!" "Esta palavra que você disse, me fez feliz". "A minha vida é melhor porque você está a meu lado..." E tudo isso pode e deve ser dito sem fingimento ou bajulação, sem a preocupação de entrar numa arena de disputa, mas num coração para amar. Enfim, na discussão você está diante de um adversário a ser vencido; no diálogo, você está diante de uma pessoa a ser construída pelo amor. No entanto, se a conversa se transformar numa discussão, há uma saída nobre: deixe que o outro "vença" para que ela acabe o mais rápido possível. Perder nesta "guerra" será uma vitória do amor. No diálogo, deve´se começar sempre observando o lado positivo das coisas e dos acontecimentos, e não se deixar derrotar pelo pessimismo que só vê o lado negativo. Lembre´se que tanto o pessimismo quanto o otimismo contagiam facilmente as pessoas, com a diferença que o otimismo eleva os ânimos. Outra coisa importante no diálogo, é que você se expresse numa linguagem que o outro o entenda, sobre um assunto que compreenda. Você não pode dar um bife a um recém nascido; e não pode dar uma feijoada a um velho doente. Se a diferença de cultura existir entre o casal, então cada um precisa se esforçar para levar o outro a compreendê´lo. E esta será mais uma tarefa do amor. Mesmo a diferença cultural e científica pode ser superada pelo diálogo e pelo amor. É importante dizer que o compromisso de cada um, mais do que consigo mesmo, deve ser com a verdade. Se, como fruto do diálogo, você perceber que a verdade é diferente do que você pensava, então, por coerência, saiba aceitar a opinião do outro. Isto jamais será uma derrota sua, antes, uma vitória de ambos.
           Numa discussão ninguém muda de opinião, pois o orgulho não permite. No diálogo, vence a verdade, surge a luz, reina a paz. Talvez agora você esteja começando a entender porque o diálogo autêntico é o instrumento indispensável para que você possa descobrir as riquezas que estão escondidas no interior da pessoa que você ama. Tudo que se faz de bom exige sacrifícios e tem um preço. Para que o casal cresça no namoro, têm que pagar o preço da renúncia ao próprio ego soberbo e arrogante, prepotente e asqueroso, exibicionista ou cheio de amor próprio. No diálogo, preocupe´se em procurar e apresentar "a" verdade, mas não a "sua" verdade. Não podemos ser donos da verdade; ela é autônoma, não depende de nós. Só Jesus é a Verdade; todas as outras dependem dele. Se o assunto é, por exemplo, a doença, a verdade não está comigo e nem com você, está com quem entende de medicina. Se o assunto é religião, a verdade está com a Igreja, e não com o que eu acho ou com o que você pensa. E assim por diante. A verdade é objetiva. Não podemos nos perder em raciocínios vazios e devaneios subjetivos que nos afastam da verdade subjetiva e da responsabilidade. Namorar é isto! Na medida que o tempo for passando, o diálogo for amadurecendo, e o namoro for se firmando, então será necessário conversar sobre as coisas do futuro, para se saber quais as aspirações que cada um traz no coração, e se elas se coadunam mutuamente. Não se trata de ficar sonhando no vazio sobre o futuro, mas de começar a escolher e a preparar a vida que ambos vão viver e construir amanhã: a família, os filhos, etc. Nada de real se faz nesta vida sem um sonho, um projeto, um plano e uma construção. Se de um lado, sonhar no vazio é uma doce ilusão, refletir sobre o que se quer construir no futuro é uma necessidade. É assim que nasce um lar.

Prof. Felipe Aquino

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O Protestantismo e sua Genealogia - Parte 1


D. Estevão Bettencourt, OSB
O Protestantismo é uma forma de cristianismo que tem como principais características:

1 - A justificação pela fé sem as obras;
2 - A Bíblia como única fonte de fé, interpretada segundo o livre exame do crente;
3 - A negação de intermediários (a Igreja) entre Deus e o crente.
        
         Vem de 1529 a origem do termo "protestante", durante a campanha da reforma luterana, quando a Dieta de Espira (conselho político do Sacro Império Romano Germânico formado para discutir assuntos religiosos) resolveu interromper o andamento das transformações religiosas até a realização de um concílio geral. Este fato provocou um protesto (escrito num documento chamado "Protestati") de seis príncipes e de catorze cidades alemães, que tinham aderido a reforma e desejavam a sua continuidade. Posteriormente, este adjetivo "protestante" passou a designar todos os cristãos reformados que se opõem a Roma. Na atualidade, os cristãos reformados tem se autodenominados "evangélicos" termo que os denominavam no princípio da reforma. A seguir examinaremos as três características básicas e comuns do Protestantismo:

1 - A justificação pela fé sem as obras:

* "Justificatio sola fide" - Justificação só pela fé não pelas obras. Sabemos também que a fé precisa de ser testemunhada por meio de obras. A Bíblia Sagrada diz: "Fé sem obras é morta em si mesma" (Tg 2, 17; 2, 16). Dia ainda: "De que aproveitará, irmãos, alguém falar que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo?" (Tg 2, 14). Portanto, as duas coisas são necessárias: a Fé e as obras.
            Para se entender este princípio é preciso ir a Lutero que foi o primeiro a formula-lo e defende-lo. Segundo Lutero, a concupiscência (desejo de bens, gozo por bens materiais e fornicação) seria impossível de ser dominada mediante a penitência e boas obras. Lutero antes de rebelar-se contra a Igreja foi frade agostiniano. Entrou para o sacerdócio mais por medo de se entregar a concupiscência do que por autêntica vocação, no entanto, mesmo após a reforma este temor manteve-se. Então, segundo ele, bastaria apenas aceitar Jesus Cristo como Salvador, isto é, crer com confiança que Deus Pai, em vista dos méritos de Jesus, não levaria em conta os pecados do indivíduo. A fé confiante (independente de boas obras) faz com que Deus nos cubra com o manto dos méritos de Cristo, declarando-nos justos, a fim de nos conceber a Salvação e a Vida Eterna.
          Esta concepção não atinge o interior da natureza humana, que continua pecadora, mas apenas a justifica pela fé. Daí a afirmação de Lutero "peco intensamente, mais ainda mais intensamente creio."
          O que dizer o Católico sobre isso? Na Sagrada Escritura (Rm 5,8s; Gl 3,12.22) Deus nos ensina que a remissão dos pecados é gratuitamente concedida aos homens mediante os méritos de Cristo. Contudo, a Bíblia também ensina que o perdão concedido por Deus não é apenas justificado pela fé, é, sobretudo, regeneração (Jo 3, 3.5; Tt 3,5) e a conseguinte elevação à qualidade de filhos de Deus. Nesta medida, o crente se transforma não de nome apenas (aceitação de Cristo como Salvador), mas na realidade (1Jo 3,1), de modo a nos tornarmos companheiros da natureza divina (2Pd 1,4), isto é, capazes de produzir atos que imitem a santidade do Pai celeste (Mt 5,48). Enfim se Deus nos concede uma nova natureza ao perdoar as nossas faltas, logo as boas obras também fazem parte da vida cristã e são fundamentais para se obter de Deus a graça da Vida Eterna (Tg 2,14-26).

2 - A Bíblia como única fonte de fé, interpretada segundo o livre exame do crente;

* "Sola Scriputa" - Apenas a Escritura é fonte da fé, interpretada individualmente, o chamado livre exame, com isso, ele deixou a porta aberta para que a própria doutrina luterana se ramificasse e muitas igrejas divergissem entre si. Para nós Católicos a Bíblia é a Palavra de Deus que nos chama a fé, mas o Senhor nos fala também pela Igreja. A Palavra escrita e a palavra falada se completam. O Evangelho, antes de ser escrito, foi anunciado de viva voz pela Igreja, pois foi à Igreja que Jesus confiou a missão divina de fazer a sua salvação chegar a todos os povos, até o fim do mundo (cf. Mt 28, 16-20)
          Os Reformadores, a fim de dar base a justificação pela fé e não pelas obras, sentiram a necessidade de revisionar os conceitos de fonte da Revelação cristã. Esta é a Palavra de Deus e ela é composta pela Sagrada Escritura e pela Tradição oral (apregoada pelo ministério da Igreja). Esta revisão definiu a rejeição da Tradição oral e do magistério da Igreja em nome da afirmativa: toda a Palavra de Deus está contida na Bíblia.
          Os protestantes afirmam também que o indivíduo é livre para interpretar a Bíblia. O crente lê e a entende tendo a ajuda do Espírito Santo, que dá o seu testemunho interior, iluminando e dirigindo o seu coração. Esta postura subjetivista (individualista) faz com que seja negado a Igreja visível e hierárquica a função dada por Cristo de guardiã de seus ensinamentos e de sua transmissão.
           O valor da Tradição oral se explica pelo fato de que a Revelação oral antecedeu a redação das Escrituras e não foi, explicitamente, toda registrada nos livros sagrados (Jo 20, 30s; Jo21,25; Hb 2,3; 2Ts 2,15). Portanto, se vê o quanto é arbitrário e insuficiente interpretar a Bíblia independente da corrente de doutrina da qual a Escritura se originou, conservou-se e sempre se transmitiu.
         Porém apesar da negação das diversas correntes protestantes a Tradição transmitida desde o início do Cristianismo, do qual originou a Bíblia, não abandonaram, todavia, o sentido de tradição, pois cada corrente reformadora segue a linha estabelecida por seu fundador (Luteranismo, Lutero; Calvinismo, Calvino; Metodismo,Wesley; os Batistas, Smyth;etc), o que nega na prática a livre interpretação bíblica pelo indivíduo.

3 - A negação de intermediários (a Igreja) entre Deus e o crente.

* "Sola gratia" - Não aceita a mediação da Igreja Hierárquica entre Deus e os Homens. Para nós, católicos, a salvação vem realmente de Deus, mas o ser humano não fica passivo, com pedra que é colhida pela pá carregadeira. A salvação é como uma corda que desce do alto, à qual o homem se agarra, ajudado pela graça de Deus. Deus que a colaboração do homem e da sua Igreja.
          Como vimos o Protestantismo dá um valor decisivo a atitude do indivíduo diante de Deus; é a fé do crente (subjetiva) que lhe garante a salvação. Os canais transmissores da graça divina, os sacramentos, administrados por uma sociedade visível e hierarquicamente constituída (a Igreja) são portanto negados como fonte de salvação. Para o protestante, entre o homem pecador justificado pela fé em Deus, não há nenhum sacerdote senão o Senhor Jesus invisível que está nos Céus (cf 1Tm 3,15). Então nada além do Espírito Santo, que fala no intímo do crente, pode ser Mestre e guia da fé, não havendo a necessidade de recorrer a nenhum magistério visível e objetivo.
            Existe apenas no Protestantismo, uma igreja invisível que vai tomando corpo a partir do século XVI, sem distinção entre os fiéis e uma hierarquia organizada. Fica a pergunta sempre muito difícil de ser respondida: Como é governada a igreja invisível? Sobre esta desdobra-se outra: Sem critérios muitos seguros para se estabelecer o governo da Igreja é possível manter a fé cristã unida como prega as Sagradas Escrituras? Não é difícil responder a esta última pergunta basta olharmos as milhares de ramificações existentes dentro do protestantismo na atualidade, que já no tempo de Lutero o fez dizer "Há tantos credos quantas cabeças há."

Fonte: http://www.veritatis.com.br/apologetica/120-protestantismo/1310-o-protestantismo-e-sua-genealogia

sábado, 5 de novembro de 2011

Dia de todos os Santos

     
       Neste fim de semana, celebramos a solenidade de Todos os Santos, costume que vem já do séc. IX para toda a Igreja.
        A nota característica desta festa encontrámo-la no introito da missa: Alegremo-nos todos no Senhor e celebremos festivamente este dia em honra de Todos os Santos…

        É realmente uma festa de família para o Povo de Deus. Ao mesmo tempo que nos regozijamos com os nossos irmãos que já estão na glória sentimos o parentesco que nos une não apenas com todos quantos foram baptizados em Cristo mas também com aqueles homens do A.T. que hoje gozam de Deus no céu.
       É a festa da esperança. O pensamento do céu, nossa verdadeira pátria, (cfr. Heb 13, 14) dá mais seriedade aos nossos pensamentos e traz mais calma para as nossas penas fazendo-nos viver na intimidade dos que vivem no além a quem rezamos e que por nós oram.

LITURGIA DA PALAVRA

                                                          Primeira Leitura

      S. João, nesta visão, descreve-nos «a multidão imensa que ninguém pode contar» dos fiéis «os santos» na posse da felicidade eterna. Depois da «grande tribulação» o Senhor os acolhe dando-lhe um grande prémio.

* Apocalipse 7, 2-4.9-14
2Eu, João, vi um Anjo que subia do Nascente, trazendo o selo do Deus vivo. Ele clamou em alta voz aos quatro Anjos a quem foi dado o poder de causar dano à terra e ao mar: 3«Não causeis dano à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus». 4E ouvi o número dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. 9Depois disto, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. 10E clamavam em alta voz: «A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro». 11Todos os Anjos formavam círculo em volta do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres Vivos. Prostraram-se diante do trono, de rosto por terra, e adoraram a Deus, dizendo: 12«Amen! A bênção e a glória, a sabedoria e a acção de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amen!». 13Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me: «Esses que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e de onde vieram?». 14Eu respondi-lhe: «Meu Senhor, vós é que o sabeis». Ele disse-me: «São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro».

        Numa grandiosa visão, o vidente de Patmos deixa ver que no meio de tantas desgraças e ainda antes que cheguem as piores, as que correspondem à abertura do 7º selo (cap.8), os cristãos, que formam uma imensa multidão, estão sob a protecção de Deus, mesmo quando perseguidos e sujeitos ao martírio.
        2-4 «O selo (o sinete de marcar) do Deus vivo». Alusão ao timbre então usado pelos monarcas para imprimir o sinal de propriedade ou autenticidade: por vezes os escravos e soldados eram marcados na pele com um ferro em brasa. O símbolo está tomado destes costumes da época e sobretudo da profecia de Ezequiel (Ez 9, 4-6), por isso alguns Padres viram nesta marca, em forma de cruz (pela alusão ao tav de Ezequiel, a última consoante hebraica), o carácter baptismal. «Cento e quarenta e quatro mil» é um número simbólico; com efeito, os números do Apocalipse são habitualmente simbólicos, o que neste caso é evidente por se tratar de um jogo de números: 12 x 12000 (doze mil por cada uma das doze tribos de Israel). Estes 144.000, segundo uns, «representam toda a Igreja sem restrição» (Santo Agostinho), pois esta é o novo Israel de Deus (cf. Gal 6, 16) e são a mesma «multidão imensa que ninguém podia contar» (v. 9). Segundo outros, estes 144.000 são os cristãos procedentes do judaísmo, muito particularmente os que foram poupados das calamidades que assolaram a Palestina, por ocasião da destruição da nação judaica no ano 70.
       11 «Os (24) Anciãos». Há grande variedade de opiniões para decifrar este símbolo, não se podendo sequer estabelecer se se trata de seres angélicos ou humanos. Santo Agostinho diz que «são a Igreja universal; os 24 anciãos são os superiores jerárquicos e o povo: 12 representam os Apóstolos e os bispos, e os outros 12 representam o restante povo da Igreja». «Os 4 Viventes» (à letra, «animais»), uma tradução preferível a: «os 4 animais», uma vez que o terceiro tem rosto humano (cf. Apoc 4, 7). A quem representam estes seres misteriosos, que reúnem características dos querubins de Ez 1 e dos serafins se Is 6? Podem muito bem simbolizar os quatro pontos cardeais, ou os quatro elementos do mundo (terra, fogo, água e ar), isto é, a totalidade do Universo. Deste modo, a presente «visão» apresenta-nos, unidos numa única adoração e louvor a Deus e a Cristo, os Anjos, a Humanidade resgatada e o próprio Universo material. A interpretação segundo a qual os Quatro Seres simbolizam os Quatro Evangelistas deve-se a Santo Ireneu e é uma acomodação espiritual do texto inspirado.
         12 «Amen! Bênção, glória…»: Aqui, como ao longo de todo o Apocalipse, sente-se como a liturgia da Igreja faz eco à liturgia celeste, especialmente nas aclamações a Deus e ao Cordeiro.
        14 «A grande tribulação». Tanto se pode tratar duma perseguição aos cristãos mais violenta no fim dos tempos, como das perseguições e das tribulações em geral no curso da história da Igreja. Mas é provável que o vidente de Patmos tenha presente em primeiro plano, as violentas perseguições de Nero e Domiciano, muito embora englobando nestas todas as outras.
      «Lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro». «Não se designam só os mártires, mas todo o povo da Igreja – comenta Santo Agostinho –, pois não disse que lavaram as suas túnicas no seu próprio sangue, mas no sangue do Cordeiro, isto é, na graça de Deus, por Jesus Cristo Nosso Senhor, conforme está escrito: e o seu sangue purifica-nos (1 Jo 1, 7)».

Salmo Responsorial

Sl 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)

      Deus tudo colocou ao nosso serviço para melhor O servirmos e amarmos. Se soubermos fazer bom uso das criaturas elas proclamarão connosco as glórias do Senhor.

Refrão: ESTA É A GERAÇÃO DOS QUE PROCURAM O SENHOR.
Do Senhor é a terra e o que nela existe,
o mundo e quantos nele habitam.
Ele a fundou sobre os mares
e a consolidou sobre as águas.

Quem poderá subir à montanha do Senhor?
Quem habitará no seu santuário?
O que tem as mãos inocentes e o coração puro,
o que não invocou o seu nome em vão.

Este será abençoado pelo Senhor
e recompensado por Deus, seu Salvador.
Esta é a geração dos que O procuram,
que procuram a face de Deus.

                                              Segunda Leitura

        É ainda S. João quem nos vai recordar como seremos santos: vivendo a nossa condição de filhos de Deus. Mas cuidado porque podemos perder esta filiação por nossa culpa. Só no céu ela será indefectível e inamovível.

*1 São João 3, 1-3
Caríssimos: 1Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele. 2Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é. 3Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro.

    A leitura é um dos textos clássicos da filiação adoptiva divina, uma exigência constante de santidade.
         1 «E somo-lo de facto». S. João não se contenta com dizer que somos chamados filhos de Deus, o que bastaria para que um semita entendesse, pois para ele ser chamado (por Deus) equivalia a ser. S. João quer falar para que todos entendamos esta realidade sobrenatural que «o mundo», sem fé, não pode captar nem apreciar.
        2 A filiação divina capacita-nos para a glória do Céu, pois não é uma mera adopção legal e extrínseca, como a adopção humana de um filho. A adopção divina implica uma participação da natureza divina (cf. 2Pe 1, 4) pela graça. «Semelhantes a Deus», desde já; mas só na glória celeste se tornará patente o que já «agora somos». «O veremos tal como Ele é», esta é a melhor definição da infinda felicidade do Céu, de que gozam todos os Santos que hoje festejamos: contemplar a Deus tal qual Ele é, não apenas as suas obras, mas a Ele próprio, «face a face» (cf. 1 Cor 13, 12).
       3 «Purifica-se a si mesmo». A certeza da filiação divina conduz-nos à purificação e à imitação de Cristo, o Filho de Deus por natureza: «como Ele é puro»; efectivamente, os puros de coração hão-de ver a Deus(cf. Evangelho de hoje: Mt 5, 8).

Evangelho

* São Mateus 5, 1-12a
Naquele tempo, 1ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos 2e Ele começou a ensiná-los, dizendo: 3«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus.4Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. 5Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. 11Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. 12aAlegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

            As 8 bem-aventuranças, expressas na terceira pessoa do plural, têm em Mateus um carácter solene e universal, para todas as pessoas e para todos os tempos. Elas condensam a grande novidade do Evangelho, em contraste flagrante com o próprio pensamento religioso judaico então vigente, para já não falarmos do espírito mundano, hedonista do paganismo de então e do de agora. Elas não são expressão de uma «ética dos débeis», mas, pelo contrário, dum ideal de vida para almas fortes e generosas. As bem-aventuranças correspondem a uma ética que, quando vivida a sério, é capaz de renovar as pessoas e a sociedade, como o demonstra a vida de todos os santos.
           3 «Bem-aventurados». Esta tradução (em vez de «felizes») vinca a ideia de que o Senhor promete a felicidade na bem-aventurança eterna e, ao mesmo tempo, já nesta vida, ao dizê-la do presente: «deles é»(não diz «deles será»). As bem-aventuranças são o mais surpreendente código de felicidade, e não se trata de uma felicidade qualquer: é uma felicidade incomparável, interior e profunda, embora ainda não possuída de modo perfeito e completo na vida terrena.
              «Os pobres em espírito». «No Antigo Testamento, o pobre está já delineado não só como uma situação económico-social, mas como um valor religioso muito elaborado: é pobre quem se apresenta diante de Deus com uma atitude humilde, sem méritos pessoais, considerando a sua realidade de homem pecador, necessitado do perdão divino, da misericórdia de Deus para ser salvo. Daí que, além de viver com uma sobriedade e uma austeridade de vida reais, efectivas, ele aceita e quer tais condições de pobreza não como algo imposto pela necessidade, mas voluntariamente, com afecto (…). A ‘explicação’ de Mateus, em espírito, sublinha a exigência dessa mesma pobreza: não é pobre em espírito quem só o é obrigado pela sua situação económico-social, mas sim quem, além disso, é pobre querendo essa pobreza de modo voluntário (…). Esta atitude religiosa de pobreza está muito relacionada com a chamada infância espiritual. O cristão considera-se diante de Deus como um filho pequeno que não tem nada como propriedade; tudo é de Deus, o seu Pai, e a Ele lho deve. De qualquer modo, a pobreza em espírito, isto é, a pobreza cristã, exige o desprendimento dos bens materiais e uma austeridade no uso deles» (J. M. CASCIARO). Pode-se ver o belo comentário de São Leão Magno no ofício de leitura da 6ª feira da semana XXII do tempo comum.
         4 «Os humildes». A tradução preferiu um termo mais suave do que «os mansos», que são os que sofrem serenamente e sem ira, ódio ou abatimento, as perseguições injustas e as contrariedades. De facto só os humildes são capazes da virtude da mansidão, pois não dão demasiada importância a si próprios. A «terra» é a nova terra prometida, isto é, o Céu.
         5 «Os que choram», isto é, os aflitos, e muito particularmente os que têm o coração cheio de mágoa por terem ofendido a Deus e que, com vontade de reparação, choram e deploram os seus pecados.
          6 «Fome e sede de justiça». A ideia de justiça na Sagrada Escritura é uma ideia de natureza religiosa: justo é aquele que cumpre a vontade de Deus, e justiça corresponde a santidade, vocação a que todos são chamados.
         8 «Os puros de coração» são, em geral, os que têm uma intenção recta, os que são capazes de um amor puro, limpo e nobre, os que têm um olhar recto e são; está, portanto, englobada a castidade, mas não é só ela a ser referida aqui.
        9 «Os que promovem a paz» (uma tradução mais expressiva do que os pacíficos) são os que promovem a paz entre os homens e dos homens com Deus, fundamento sério de toda a paz no mundo.
        11-12 Depois das 8 bem-aventuranças anteriores, que formam um bloco (uma inclusão marcada pela fórmula «porque deles é o reino dos Céus»: vv. 3 e 10), há uma ampliação e uma aplicação directa aos ouvintes da 8ª e última bem-aventurança.

Com a Celebração de todos os Santos nós refletimos sobre:
1. Uma família de vivos
        Quando Pio XII resolveu escolher o dia 1 de Novembro de 1950 para solenemente definir o dogma da Assunção de Nossa Senhora ao Céu em corpo e alma, ou seja, o triunfo de Maria, nossa Mãe, não faltou quem lamentasse semelhante ideia dizendo que esse dia é um dia de tristeza e de saudade, é a festa dos mortos.
      Nada mais errado. Todos os Santos não é isso. Esta festa fala-nos do mundo invisível que os olhos não alcançam mas que sabemos pela fé ser uma realidade. Cremos que a multidão das almas que já estão reunidas ao redor de Jesus e de Maria, no Paraíso, formam a igreja do Céu, onde, na eternidade feliz, vêem a Deus como Ele é (Credo do Povo de Deus).
       Neste dia a Igreja levanta-nos o véu que nos separa do invisível deixando-nos antever o além para onde caminhamos: a perfeição do Corpo de Cristo, nos esplendores da intimidade com Deus; a felicidade sem fim, com Deus, de todos aqueles e aquelas que, como nós, caminharam e lutaram sobre a terra para realizar e fazer triunfar o programa evangélico das Bem-aventuranças: amor, justiça e paz.
        Neste dia celebramos com toda a Igreja (o Povo de Deus em marcha, a família dos redimidos) a alegria e a felicidade destes homens plenamente realizados que são os Santos. Não estão mortos, mas vivos. Pertencem não somente a todas as nações, tribos, povos e línguas (1.ª leit.), como ainda a todas as religiões e confissões. São uma multidão incontável. Cada qual escutou, na vida, o apelo das Bem-aventuranças. Cada qual, segundo a sua vida e à sua maneira, respondeu ao convite do Senhor. Hoje a Igreja mostra-no-los reunidos na unidade.
         O Papa teve razão ao escolher esta data para a proclamação da glória de Maria. Esta festa é uma antecipação da grande festa eterna à qual são convidados todos os homens de boa vontade. A Mãe de Jesus, já glorificada no céu em corpo e alma, é imagem e primícia da Igreja, que há-de atingir a sua perfeição no século futuro (L. G. 68). O espectáculo que se desenrolou, na Praça de S. Pedro, naquele dia, era a imagem clara daquilo que nos descreve S. João na 1.ª leitura. Ali se palpava a realidade do dogma da Igreja unida para cantar as glórias da Sua Mãe. Depois da Assunção da Mãe, haverá a Assunção dos filhos (Mons.Thèas). Agora apenas na alma. Depois também no corpo, como Ela.
Santos Martires

2.Santos Anónimos
       São milhares e milhares de pessoas em múltiplas actividades de voluntariado, nos hospitais, nas prisões, nos bairros degradados, junto dos sem-abrigo, dos que vivem sós, em suas casas ou nos Lares de Terceira Idade.
        Heróis anónimos são também as mães que se levantam muito cedo para levar os filhos ao infantário e deixar as refeições preparadas em casa, porque só vão regressar, à tardinha, depois de uma extenuante jornada de trabalho. São os pais que se desdobram numa luta pelo emprego, que já não está fácil, inventando, aqui e ali, alternativas para equilibrar os seus magros orçamentos. São os jovens, que resistindo aofacilitismo e à civilização do prazer efémero e do «deixa correr, que tudo isto é para gastar e gozar» se esforçam por fazerem o que a consciência lhes, dita, por ser fiéis aos valores familiares e cristãos que os seus antepassados lhes legaram.
         São os pescadores que todas as noites buscam no mar o pão de cada dia, indiferentes aos perigos que os cercam. São os agricultores que suportam as inclemências do tempo e tiram da terra, com suor e lágrimas, os alimentos de que todos precisamos.
          São os condutores de autocarros e comboios que sem liberdade para as suas divagações, se vergam com a responsabilidade de milhares de vidas nas suas costas. São os polícias chamados a acudir a quem precisa, não sabendo que perigos escondem para si, a escuridão e a maldade dos outros.
          São os médicos e enfermeiros que velam no silêncio de um qualquer hospital, a disposição de um pedido de ajuda. São também, milhares de homens e mulheres, com nome e rosto, de carne e osso como nós, com um futuro material risonho à sua frente, mas que, renunciam à família, ao dinheiro e ao protagonismo social para serem servos de todos, impulsionados pela sua fé sincera em Deus e em Jesus Cristo incarnado no outro, naquele que está ao nosso lado e que se descobre sempre como um irmão que importa ajudar hoje, com actos concretos de heroísmo, e não com piedosos sentimentos de compaixão.
        Refiram-se ainda, com acentuado toque de gratidão, no rol dos heróis anónimos, os dedicados e sacrificados professores, votados à tarefa espinhosa (diríamos até de alto risco) de educar crianças e jovens, com as suas traquinices e rebeldias, na rotina diária das nossas escolas, os muitos clérigos e religiosos a trabalhar em Instituições da igreja, que testemunham, por montes e vales, com modelares obras de solidariedade social, o verdadeiro humanismo cristão, acolhendo e tratando, com muito amor, com dedicação extrema, aqueles que a família e a sociedade lhes confiam, nos Lares, nos Centros de Dia. nos Jardins de Infância ou nos Hospitais.
          Afinal, este nosso mundo, não é assim tão mau como, às vezes o pintam. O mal, porque é uma anormalidade, vem mais vezes ao de cima, nos noticiários que nos entram em casa a toda a hora.
           Mas o bem, desinteressado e heróico, praticado por gente de todas as idades, em cada dia que passa, é igualmente uma consoladora realidade, a provar que Deus não abandona as suas criaturas.

3. A Comunhão dos Santos vivida em plenitude.
          Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo: dos que ainda peregrinam sobre a terra, dos defuntos que ainda estão em purificação e dos bem-aventurados do Céu, formando todos juntos uma só Igreja(Credo do Povo de Deus). O dogma da Comunhão dos Santos é dos mais consoladores da nossa fé, desde que rectamente entendido. Não tem nada de alienante nem de utópico.
          Os primeiros cristãos viveram-no como ninguém. O facto de colocarem tudo em comum, inclusive os próprios bens materiais (Apoc 4, 34), era a prova máxima desta vivência. Nas dificuldades e no pecado a reacção espontânea era de amor para com aquele irmão que estava em perigo, em dificuldade. E assim ele encontrava a força para reconhecer o seu pecado e, graças ao amor, corrigia-se.
          Do mesmo modo que a comunhão cristã, entre os que peregrinam neste mundo, nos coloca mais perto de Cristo, assim também a familiaridade com os santos nos une com Cristo, de Quem promana, como de Fonte e Cabeça, toda a graça e a própria vida do Povo de Deus (L. G. 50). Agora compreendemos melhor a razão porque a Igreja insiste tanto na celebração comunitária dos actos do culto a qual se deve preferir, na medida do possível, à celebração individual e como que privada (S.C. 27).
        A intercessão dos Santos apresenta-se sempre como um pedido e uma súplica. Nunca como um direito nem muito menos como um favor à margem da vontade de Deus. Importa «corrigir ou suprimir quaisquer abusos, excessos ou defeitos que acaso se tenham introduzido no culto dos Santos e que tudo se restabeleça ordenadamente para maior glória de Cristo e de Deus» (L. G. 51).
Comunhão de todos os Santos em Cristo


sábado, 17 de setembro de 2011

Os Bailes segundo São João Maria Vianey

Ars era o lugar predileto dos jovens dançarinos das vizinhanças. Tudo era pretexto para um baile. Para acabar com eles, o Santo Cura d’Ars levou 25 anos de combate.

           Explicava que não basta evitar o pecado, mas deve-se fugir também das ocasiões.

Por isso, abrangia no mesmo anátema o pecado e a ocasião de pecado.Atacava assim ao mesmo tempo a dança e a paixão impura por ela alimentada: “Não há um só mandamento da Lei de Deus que o baile não transgrida. [...] Meu Deus, poderão ter olhos tão cegos a ponto de crerem que não há mal na dança, quando ela é a corda com que o demônio arrasta mais almas para o inferno? O demônio rodeia um baile como um muro cerca um jardim. As pessoas que entram num salão de baile deixam na porta o seu Anjo da Guarda e o demônio o substitui, de sorte que há tantos demônios quantos são os que dançam”.

O Santo era inexorável não só com quem dançasse, mas também com os que fossem somente “assistir” ao baile, pois a sensualidade também entra pelos olhos. Negava-lhes também a absolvição, a menos que prometessem nunca mais fazê-lo. Ao reformar a igreja, erigiu um altar em honra de São João Batista, e em seu arco mandou esculpir a frase: Sua cabeça foi o preço de uma dança!... É de ressaltar-se que os bailes da época, em comparação com os de hoje, sobretudo do pula-pula frenético e imoral do carnaval e as novas danças modernas, eram como que inocentes. Mas era o começo que desfechou nos bailes atuais.

A vitória do Pe.Vianey neste campo foi total. Os bailes desapareceram de Ars. E não só os bailes, mas até alguns divertimentos inofensivos que ele julgava indignos de bons católicos.

Junto a eles combateu também as modas que julgava indecentes na época (e que, perto do quase nudismo atual, poderiam ser consideradas recatadas!).

As moças, dizia, “com seus atrativos rebuscados e indecentes, logo darão a entender que são um instrumento de que se serve o inferno para perder as almas. Só no tribunal de Deus saber-se-á o número de pecados de que foram causa”. Na igreja jamais tolerou decotes ou braços nus.

“Se crês, meu irmão, que hás de morrer, que existe eternidade, que se morre só uma vez, e que, dado este passo em falso, o erro é irreparável para sempre e sem esperança de remédio: por que não te decides, desde o momento em que isto lês, a praticar quanto puderes para te assegurar uma boa morte?” (Santo Afonso Maria de Ligório).

sábado, 6 de agosto de 2011

A Difamação e a Calúnia.


Por Padre Renato Leite

“Também a língua é um fogo, um mundo de iniquidade. A língua está entre os nossos membros e contamina todo o corpo; e sendo inflamada pelo inferno, incendeia o curso da nossa vida.” (Tiago 3,6)
               Quem de nós não poderia contar, ao menos, um caso de alguém que amargou graves prejuízos, vítima que foi da “língua alheia”? Como o vício da detração, que tem na fofoca um dos seus sintomas mais evidentes, é um mal comum e disseminado entre os maus católicos que, apesar de somados anos de frequência à Igreja, não se corrigem. Queremos, com o presente artigo, baseado na sólida doutrina da Igreja sobre o assunto, oferecer uma advertência aos que não se emendam e, aos que buscam a plenitude da vida cristã, um auxílio doutrinal seguro em vista de uma conformação cada vez maior com Jesus Cristo, cujas palavras são “Espírito e Vida”.
               A detração é a difamação injusta do próximo, e, para levá-la a cabo, pode-se usar tanto da murmuração (fofoca), que consiste em revelar e/ou criticar, sem justo motivo, os defeitos ou pecados ocultos dos outros, como da calúnia que consiste em imputar a alguém defeitos ou pecados que ele não tem, nem cometeu ou simplesmente em exagerar os defeitos dele.

Posto isso, diga-se que a gravidade do pecado de detração ou difamação é medida:
• pela importância do que se divulgou ou murmurou;
• pelo prejuízo ou dano causado não só à reputação de alguém, mas também por se ter-lhe provocado grave desassossego e desgosto;
• pela condição do murmurador(a) ou fofoqueiro(a): uma autoridade civil ou eclesiástica causa mais dano ao murmurar que uma pessoa comum considerada leviana;
• pela condição de quem foi detratado, porque não é a mesma coisa dizer que um “moleque” é mentiroso e fazer o mesmo a respeito de uma autoridade, de um padre ou de um chefe de família.

        Desgraçadamente, porém, o pecado da detração é tão comum como o furto, ou melhor: a detração ou fofoca é um furto, como diz Santo Tomás de Aquino: “De duas formas pode o próximo ser prejudicado por uma obra: manifestamente, como sucede quando ele é vítima de um roubo ou de qualquer outra violência aberta; ou ocultamente, como no furto, ao modo de traição. De duas formas pode-se causar prejuízo ao próximo pela palavra: de modo manifesto, pela injúria; e de modo oculto, pela detração” (Suma Teológica, IIa.-IIa., 73, a. 1.).
         Mas a detração ou fofoca é, dentre todas as formas de furto, a mais grave, e torna-se ainda mais grave quanto maior é o prejuízo que causa. O dano será tão mais grave quanto mais estimado for o objeto furtado. Ora, como diz a Escritura, “é melhor um bom nome do que muitas riquezas” (Provérbios 22,1). Logo, a detração ou fofoca é não só o pior dos furtos, mas também, “em si, pecado grave” (Santo Tomás, ibid).
              Além do mais, quem furta algo nem sempre atua com cúmplices; o detrator ou fofoqueiro, ao contrário, sempre os tem, porque, se não os tivesse, a fama do próximo não padeceria nenhum prejuízo. Ora, como diz o Apóstolo São Paulo, “quem faz tais coisas é digno de morte; e não só quem as faz, mas também os que junto com ele as praticam” (Romanos 1,32). Sim, porque quem dá ouvidos ao detrator fofoqueiro, ou o aplaude, é “copartícipe” do seu pecado: peca contra a caridade, por estimular o difamador a levar adiante o seu crime, e contra a justiça, por permitir que na sua presença se manche a boa reputação do próximo.
         Há, porém, um caso bem mais grave: aquele em que a detração se torna pecado contra o Espírito Santo por ser movida pela inveja das graças ou dons divinos recebidos por um irmão de fé. Quanto a pecados desse tipo, são muito duras as palavras do Evangelista: eles “não serão perdoados neste século nem no futuro” (Mateus 12,32), e o repete Santo Agostinho no Sermão do Senhor da Montanha, o qual, porém, em suas Retratações atenua um pouco a afirmação, dizendo: “Enquanto houver vida, porém, não há que desesperar”. O mesmo, aliás, fará Santo Tomás de Aquino na Suma Teológica, dizendo, no entanto, que sim, quem peca contra o Espírito Santo tem grandíssima dificuldade de arrepender-se e pedir perdão a Deus. Foi o caso de Judas Iscariotes.
            Como quer que seja a gravidade do pecado da detração, bem pode ser avaliada pelo seguinte episódio que se deu com São Francisco de Sales, Bispo de Genebra, na Suíça. Certo católico que por uma fofoca destruíra uma família, causando separação matrimonial entre outros fatos, o Santo lhe impôs uma estranha penitência: primeiramente depenar muitas galinhas, espalhar as penas por toda a cidade e depois voltar para saber a segunda parte da penitência. Voltou o penitente após cumprir aquela primeira parte e perguntou qual seria a segunda. Respondeu São Francisco: “Agora, vá e recolha todas as penas”. Disse o homem: “Mas isso é impossível”. Concluiu o Bispo: “Também é impossível recolher os cacos da família que você destruiu”.
             Como se pode ver, desse pecado surgem males sem conta, pois um fofoqueiro, é muitas vezes, culpado de que se percam bens materiais, a reputação, a vida e até a salvação da alma. Isso pode atingir tanto o ofendido, que não sabe sofrer o agravo com paciência e procura revidá-lo, como também o próprio ofensor que, por orgulho e respeito humano, se recusa a dar satisfação ao ofendido. Lemos nas Sagradas Escrituras:

“Seis coisas há que o Senhor odeia e uma sétima que lhe é uma abominação: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, um coração que maquina projetos perversos, pés rápidos em correr ao mal, um falso testemunho que profere mentiras e aquele que semeia discórdias entre irmãos.” (Provérbios 6,16-19).

           Ora, se o homem mentiroso é singularmente abominado por Deus, quem o poderia livrar dos mais rigorosos castigos? Depois, haverá coisa mais torpe e infame, como reparou São Tiago, do que “servir-nos da mesma língua com que bendizemos a Deus Pai para maldizer os homens, feitos à imagem e semelhança de Deus. É como uma fonte que, pela mesma abertura, jorra água doce e água salobra.” (Tiago 3,9-11). Com efeito, a mesma língua que antes louvava e glorificava a Deus, põe-se depois, pela mentira, a cobri-Lo, quanto pode, de injúrias e ofensas.
            Essa é a razão por que os mentirosos são excluídos da posse da celeste bem-venturança. Por isso, quando Davi se dirigiu a Deus com a pergunta: “Quem morará na Vossa casa?” – o Espírito Santo lhe respondeu: “Aquele que diz a verdade no seu coração, e que não solta em calúnias a sua língua”. (Salmo 14,1-3).
             O pior dano da mentira é que ela constitui doença do espírito quase incurável, pois o pecado de calúnia e o de detração ou fofoca, contra a fama e o bom nome do próximo, não são perdoados enquanto o acusador não prestar satisfação ao ofendido pelas injustiças praticadas. Isso, porém, se torna muito difícil aos homens, antes de tudo, porque se deixam levar por sentimentos de falsa vergonha e falsa dignidade. Ora, não podemos duvidar que com tal pecado na consciência a pessoa se condena aos eternos suplícios do inferno.
              Ninguém pode, tampouco, esperar o perdão de suas calúnias e detrações se antes não der satisfação a quem foi por ele lesado na fama ou consideração, quer em juízo público quer em conversas familiares e reservadas, segundo a grave advertência de Nosso Senhor Jesus Cristo que disse: “No dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido.” (Mateus 12,36).

Católicos, a calúnia é um pecado gravíssimo, é um pecado contra o Oitavo Mandamento da Lei de Deus.
A calúnia consiste em imputar a outrem defeitos ou pecados que não tem ou não cometeu: "Maledicência e calúnia destroem a reputação e a honra do próximo. Ora, a honra é o testemunho social prestado à dignidade humana. Todos gozam de um direito natural à honra do próprio nome, à sua reputação e ao seu respeito. Dessa forma, a maledicência e a calúnia ferem as virtudes da justiça e da caridade" (Catecismo da Igreja Católica, 2.479).

A maldição da Maledicencia

             
          A inquietação, o desprezo do próximo e o orgulho são inseparáveis do juízo temerário e, entre os muitos efeitos perniciosos que deles se originam, ocupa o primeiro lugar a maledicência, que é a peste das conversas e palestras. Oh! Quisera ter uma daquelas brasas do altar sagrado para purificar os homens de suas iniquidades à imitação do serafim que purificou o profeta Isaías das suas, para que assim pudesse torná-lo digno de pregar a Palavra de Deus.
Certamente, se fosse possível tirar a maledicência do mundo , exterminar-se-ia a maior parte dos pecados.
                Quem tira injustamente a boa fama ao seu próximo, além do pecado que comete, está obrigado à restituição inteira e proporcionada à natureza, qualidade e circunstâncias da detração ou fofoca, porque ninguém pode entrar no Céu com os bens alheios e, entre os bens exteriores, a fama e a honra são os mais preciosos e os mais caros. Três vidas diferentes temos nós: a vida espiritual, que a graça divina nos confere; a vida corporal, de que a alma é o princípio; e a vida social, que repousa os seus fundamentos na boa reputação. O pecado nos faz perder a primeira, a morte nos tira a segunda e a maledicência nos leva a terceira.
                A maledicência é uma espécie de assassinato e o maldizente torna-se réu de um tríplice homicídio espiritual: o primeiro e o segundo diz respeito a sua alma e à alma da pessoa com quem se fala; e o terceiro com respeito à pessoa de quem se deturpa o bom nome. São Bernardo diz, por isso, que os que cometem a maledicência e os que a escutam tem o demônio no corpo; aqueles na língua e estes no ouvido, e Davi, falando dos maldizentes, diz: Aguçaram a sua língua como a das serpentes, querendo significar que, à semelhança da língua da serpente, que, como observa Aristóteles, tem duas pontas, sendo fendida no meio, também a língua do maldizente fere e envenena o coração daquele com quem está falando e a reputação daquele sobre quem se conversa.
               Peço-te encarecidamente que nunca fales mal de ninguém, nem direta nem indiretamente. Guarda-te conscientemente de imputar falsos crimes ao próximo, de descobrir os ocultos, de aumentar os conhecidos, de interpretar mal as boas obras, de negar o bem que sabes que alguém possui na verdade ou de atenuá-lo por tuas palavras; tudo isso ofende muito a Deus, de modo particular o que encerra alguma mentira, contendo então sempre dois pecados: o de mentir e o de prejudicar o próximo.
              Aqueles que para maldizer começam elogiando o próximo são ainda mais maliciosos e perigosos. Confirmo, dizem eles, que estimo muito a fulano, que, aliás, é um homem de bem, mas para dizer a verdade na teve razão em fazer isso e aquilo. Aquela moça é muito boa e virtuosa, mas deixou-se enganar. Não está vendo a astúcia? Quem quer disparar um arco puxa-o primeiro para si o quanto pode, mas é só para arremessá-lo com mais força, assim parece que o maldizente primeiro retira uma fofoca que já tinha na língua, mas faz isso somente para que lançando-a depois como uma flecha, com maior malícia, penetre mais profundamente nos corações. [...]
            Excerto da obra “Filotéia” de São Francisco de Sales, parte III, cap. XXIX, publicado no boletim paroquial “Voz da Rainha” – Pe. Renato Leite.

“Quem vigia sua boca e sua língua, preserva sua alma de grandes apertos.” (Provérbios 21,23)

“Ponde, Senhor, uma guarda em minha boca, uma sentinela à porta de meus lábios.” (Salmo 140,3)

"O Algodão do silêncio é um dos melhores recursos para asfixiar a maledicência e fazer calar acusações indébitas".



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Como honrar o Coração de Jesus


Os quatro meios de honrar o Sagrado Coração de Jesus.

Escrito pelo Pe. François Zannini.
Extraído do Jornal Stella Maris – Junho 2011 Nº481

Se o Senhor nos revela os cinco espinhos que magoam e ferem intensamente Seu Coração divino, Ele nos dá como bom médico de almas e como Pai indulgente, quatro meios de honrar Seu Coração Misericordioso e tão amável para todo homem arrependido e aberto a Seu Amor e a Sua Palavra de vida.

O primeiro meio de honrar o Coração de Jesus é recebê-lo na Comunhão muitas vezes e se possível, todos os dias ou ao menos, cada domingo, com fé, devoção e amor sincero.

Com efeito, a maior prova de gratidão e amor que posamos dar para Aquele que se doa a nós é recebê-Lo.

Santa Theresa d’Ávila morria por não poder morrer de amor, tanto ela suspirava depois da comunhão: “Não é mais possível, diz o sábio, trazer em si o fogo divino e não ser abrasado nele.”

O coração do cristão é todo palpitante de amor desde que recebe Jesus Hóstia com fé e devoção, pois, Jesus é um centro de ternura e toda alma piedosa e devota do Sagrado Coração deseja participar do banquete divino e se rejubila em poder comungar muitas vezes do Corpo e Sangue de Cristo para permanecer eternamente com Ele.

De toda maneira, quanto mais uma alma comunga Jesus, mais ela deseja se unir a Ele na Comunhão freqüente para viver por Ele e para Ele.

Santa Margarida Maria disse: “Sem o Santo Sacramento eu não poderia viver”

Comungai muitas vezes e tantas vezes quanto possível em estado de graça, a fim de crescer pela Eucaristia em santidade.

“tenho imenso desejo de partilhar a Páscoa convosco. Tomai e comei, isto é Meu Corpo, isto é Meu Sangue.” nos disse Jesus.

Se os cristãos da Igreja primitiva se amavam muito e refletiam uma grande caridade mútua, é porque eles tinham uma grande devoção ao Santo Sacramento e comungavam todos os dias a Eucaristia.

Comungai muitas vezes em reparação pela frieza, a indiferença, todas as negligencias e traições dos homens.

Santa Margarida declarou: “Tenho tão grande desejo da Santa Comunhão que voluntariamente para buscá-La eu caminharia de pés descalços num trajeto em chamas”.

Nada espantoso que com tal amor pela Eucaristia, santa Margarida ouvisse o Senhor lhe confirmar que Ele escolheu sua alma para ser um céu de repouso na terra e seu coração um trono de delícias para Seu divino Amor.

Deus tem necessidade de nutrir o coração humano com Sua Eucaristia.

E a todos aqueles que vêm a Ele em estado de graça, aprendem a crescer na fé, a permanecer na esperança, a partilhar na caridade e a progredir em todas as virtudes.

Feliz aquele que se nutre humildemente do Corpo de Cristo, porque recebe a plenitude da graça eucarística que absolve seus pecados veniais e eleva seu espírito e coração para mais sabedoria e amor.

Assim, o homem unido ao Cristo eucarístico se torna ele mesmo, um outro Cristo que completa pela sua liberdade entregue à vontade de Deus. E encontra nesta união a Deus, a alegria perfeita e o repouso da alma tanto desejada.

O segundo meio de honrar o Coração de Jesus são as visitas freqüentes ao Santo Sacramento. Jesus se faz prisioneiro do tabernáculo para me libertar de mim mesmo e de minha natureza preguiçosa.

Depois da santa Missa e Comunhão nada é mais agradável a Jesus do que nossa visita ao Santo Sacramento.

Ir contemplar e adorar o Corpo o Sangue , a Alma e a Divindade deste Deus Salvador no Sacramento de Seu Amor é a mais bela prova de amor que se possa testemunhar a Jesus Hóstia.

Jesus está lá com Seu Amor e Seu devotamento sem limites por nós.está lá na espera de ser amado, adorado, receber agradecimento e comido pelos cristãos para se tornarem por sua vez cordeiros de Deus, capazes de se imolar para fazer reviver o homem e chamá-lo a modificar sua vida, orientando-a mais para a oração, a meditação evangélica e a caridade fraterna.

Quem ama seus amigos deseja encontrá-los e partilhar com eles momentos intensos de alegria, reflexão e consolo.

Vir a Jesus para encontrá-Lo na Eucaristia é pegar nEle o conforto de Sua Graça oferecida, as luzes do espírito tão desejadas e a paz do coração tão procurada. Numa palavra, a graça do repouso em Jesus Cristo, o único que pode cobrir nossa alma com todo amor da sabedoria que procura.

É diante do Santíssimo Sacramento que o Cura d’Ars vinha buscar sua força de pastor e de confessor.

É diante de Jesus Hóstia que São Francisco Xavier vinha recobrar novas forças para evangelizar, suportar o rigor e preparo do apostolado em terra pagã.

É ainda diante do Santo Sacramento que Padre Pio vinha oferecer sua cruz suas tristezas e sofrimentos de seus estigmas para expiar os pecados dos homens e merecer para eles, graças de conversão, de cura e de discernimento.

A adoração do Coração de Jesus escondido sob os véus do Santo Sacramento foi a grande devoção de todos os santos da Igreja. E nós, cristãos de hoje, sabemos tomar um pouco de tempo para visitar o Santo Sacramento, para nos recolher diante deste Deus de Amor que nos espera para derramar graças em nossos corações e nossos espíritos?

Ou preferimos tardes mundanas , distrações fúteis, visitas entre amigos onde se misturam o vazio, a vaidade, a inveja e o ciúme?

Lembremo-nos humildemente que é sempre ao pé do tabernáculo que encontraremos consolação, esperança e força diante das nossas tentações, nossos desencorajamentos, desgostos e lassidão.

Feliz aquele que passa todo dia um pouco diante do Santíssimo Sacramento para fazer como o camponês de Ars, que dizia: “Eu olho para Ele e Ele olha para mim.”

E descobrir no face a face mútuo, toda a riqueza do filho com seu Pai e do homem com seu Deus.

O homem que sabe contemplar cada dia silenciosamente o Rosto e o Coração do Senhor no Santíssimo Sacramento, retira de sua oração, três verdades reconfortantes: a grandeza da humildade divina, a sabedoria da inteligência divina e o infinito do amor divino que é paciência e misericórdia para todo pecador arrependido e em marcha para sua salvação.

O terceiro meio de honrar o Coração de Jesus é santificar a primeira sexta-feira do mês, festa de Seu Sagrado Coração.

Jesus disse à santa Margarida Maria: “Tu comungarás todas as primeiras sextas-feiras do mês para honrar Meu Coração ultrajado.”

Margarida Maria permaneceu fiel a esta recomendação do Senhor e recebeu graças abundantes. Naquele dia, o Senhor dilatou Seu Coração e abriu mais ainda para espalhar sobre os homens rios de bênçãos e de graças.

Felizes as almas fervorosas que sabem nesse dia se aproximar deste coração adorável que tanto amou os homens e se unir a Ele na Eucaristia. Adorá-lo um momento no Sacramento de Seu Amor e aquecer neste ardente fogo de amor, o fogo de sua devoção, de seu zelo apostólico e seu ardor pela santidade.

Estes cristãos escolhem nesse dia, entrar neles mesmos e examinar diante de Deus como passaram o mês e tomar a resolução de fazer melhor para se santificar e agradar ao Senhor no presente e no futuro.

Nas comunidades religiosas, nos mosteiros, nas paróquias, o Santíssimo Sacramento é exposto nesse dia e termina com uma bênção do Santíssimo.

Milagres de proteção, de cura e de conversão acontecem nesse dia, atestando que a primeira sexta-feira do mês é um dia de festa privilegiada onde se pode pedir tudo e obter tudo do Coração Misericordioso de Jesus.

Nós sabemos como cristãos que a primeira sexta-feira do mês é o dia escolhido por Cristo para nos dar Suas graças em abundancia.

Saibamos fazer um dia de recolhimento, de adoração e de ação de graças.

Desde pela manhã, façamos nossa oração sobre as riquezas do Coração de Jesus e peçamos para abrir nosso espírito a Sua Sabedoria, para bem servi-Lo durante esse dia.

Vamos comungá-Lo na Eucaristia com todo o fervor possível, oferecendo a Jesus (para suprir nossa insuficiência) os méritos da Santa Virgem e de todos os santos que souberam amá-Lo na terra e daqueles que sabem preferi-Lo a tudo o que existe neste mundo.

Aproveitemos este dia para purificar nossa alma e fazer uma boa confissão para avançar na verdade, na virtude e na caridade do Senhor.

E aproveitemos a nossa adoração diante do Santíssimo Sacramento, para nos consagrar ao Sagrado Coração, nós e nossa família, atraindo sobre nós e nossos próximos, as bênçãos e as graças das quais temos necessidade para Lhe ser fiel na fé e na caridade.

Quantos cristãos tíbios se tornaram fervorosos pela devoção ao Sagrado Coração!

Quantos lares infelizes, divididos encontraram a alegria e a paz da união por uma devoção comum ao Sagrado Coração!

Quantas comunidades religiosas, grupos de ação social ou caritativa encontraram mais coesão fraterna e coragem apostólica, rezando ao Sagrado Coração de Jesus.

Todos aqueles que souberam guardar esta devoção ao Sagrado Coração e vivê-la intensamente no dia da primeira sexta-feira do mês, durante toda sua vida, receberam muitas graças para dominar o espírito mundano e nunca afundar nos vícios e males que poderiam matar o corpo e a alma.

Então, agradeçamos a Jesus que nos convida através de santa Margarida Maria, a venerar Seu Sagrado Coração e respondamos com alegria e entusiasmo Seu apelo para aliviar de todas as aflições os homens descrentes, indiferentes e hostis a Seu Amor.

Receberemos largamente as graças das quais temos necessidade para sermos fiéis a Sua vontade de Amor.

O quarto meio de honrar o Coração de Jesus é venerar Suas imagens.

E a imagem de Seu Coração de carne coroado de espinhos com uma cruz em cima, foi para Ele, o meio de mostrar aos homens de todos os tempos, quanto Ele os amou sobre a terra, a ponto de morrer pela sua salvação e quanto continua a amá-los na esperança de sua conversão e reconhecimento de Seu Amor infinito pelo gênero humano.

Ele prometeu à santa Margarida Maria que espalharia com abundância sobre aqueles que O honrassem, os tesouros de graças das quais Seu Coração está repleto e que em toda parte, onde Sua imagem é exposta para ser ali muitas vezes honrada, atrairia todas as graças e bênçãos.

Santa Margarida Maria tomou cuidado em fazer gravar esta imagem do Sagrado Coração e espalhar.

Ela queria que todos a conhecessem. Todos os pecadores para convertê-los. Todos os justos para inflamar ainda mais seu amor a Deus e ao próximo.

Santa Margarida Maria amava tanto o Coração divino que molhou uma destas imagens no seu sangue e compôs uma oração e consagração notável, na qual ela se consagrava a Jesus sem reserva e sem partilha.

Confortados pela promessa de Jesus os cristãos devotos do Sagrado Coração de Jesus gostam de venerar esta santa imagem e espalhá-la ao redor deles.

A vista desta imagem os consola e encoraja. Se a sombra dos apóstolos curava os doentes, é preciso se espantar que a imagem do Sagrado Coração de Jesus seja tão poderosa para curar os males da alma e do corpo?

Santa Theresa d’Avila queria encontrar o divino Coração de Jesus por toda parte onde olhava e dizia: “Se as pessoas amassem Nosso Senhor, elas se rejubilariam em ver Seu retrato, como no mundo somos felizes com as fotografias de entes queridos.”

Se nós amamos o divino Coração de Jesus, vamos espalhar Sua imagem santa e rezemos para que toque o coração dos homens, desde os mais endurecidos até os mais exigentes. Desde os mais ricos até os mais pobres. Desde os mais tíbios até os mais indiferentes.

Que cada um aprenda a conhecer os tesouros do Coração de Deus e buscar nele, as graças infinitas que contém e que Ele deseja tanto espalhar no coração humano tão só, tão abandonado, tão ferido pelo mal e tão ignorante de todo o bem que poderia dali retirar, se soubesse confiar no Coração tão amável de Jesus.

Saibamos rezar, oferecer nossas tristezas, nossas eucaristias pela conversão dos pecadores e dos pagãos a fim de que um dia, eles sejam tocados pela graça da devoção ao Sagrado Coração de Jesus e recebam desta devoção, as graças e as bênçãos sem limites, que os conduzirão a uma verdadeira conversão e a um amor profundo do Senhor.

Também para animar a coragem, a fé e a caridade dos justos, a fim de que munidos deste amor do Sagrado Coração eles saibam retirar dEle, a força de imitá-Lo, para amar como Ele até a morte e dar aos homens o sentido da Vida eterna.