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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Como a Santíssima Virgem salvou uma alma do inferno.

História – “Salve Rainha, Mãe de Misericórdia!”

               Lê-se na vida de sóror Catarina de S. Agostinho que havia, no lugar em que morava esta serva de Deus, uma mulher chamada Maria. A infeliz levara uma vida de pecados durante a mocidade. E já envelhecida, de tal forma se obstinara na sua perversidade, que fora expulsa pelos habitantes da cidade, e obrigada a viver numa gruta abandonada. Aí morreu finalmente, sem os sacramentos e sem a assistência de ninguém. Sepultaram-na no campo como um bruto qualquer.
       Sóror Catarina costumava recomendar a Deus com grande devoção as almas de todos os falecidos. Mas, ao saber da terrível morte da pobre velha, não cuidou de rezar por ela, pensando, como todos os outros, que já estivesse condenada. Eis que, passados quatro anos, em certo dia se lhe apresentou diante uma alma do purgatório, que lhe dizia:
       Sóror Catarina, que triste sorte é a minha! Tu encomendas a Deus as almas de todos os que morrem e só da minha alma não tens tido compaixão? – Mas quem és tu? – disse a serva de Deus. –Eu sou, -respondeu ela,- aquela pobre Maria, que morreu na gruta. – E como te salvaste? – replicou sóror Catarina. – Sim, eu me salvei por misericórdia da Virgem Maria. – E como? – Quando eu me vi próxima à morte, estando juntamente tão cheia de pecados e desamparada de todos, me voltei para a Mãe de Deus e lhe disse: Senhora, vós sois o refúgio dos desamparados. Aqui estou neste estado abandonada por todos.
        Vós sois a minha única esperança, só vós me podeis valer; tende piedade de mim. Então a Santíssima Virgem obteve-me a graça de eu poder fazer um ato de contrição; depois morri e fui salva. Além disso, esta minha Rainha alcançou-me a graça de ser abreviada minha pena por sofrimentos mais intensos, porém menos demorados. Só necessito de algumas missas para me livrar mais depressa do purgatório. Rogo-te que as faças celebrar. Em troca prometo-te pedir sempre a Deus e à Santíssima Virgem por ti.
       Sóror Catarina logo fez celebrar as missas. Depois de poucos dias lhe tornou a aparecer aquela alma mais resplandecente do que o sol e lhe disse: Agora vou para o Paraíso cantar as misericórdias do Senhor e rogar por ti.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"Quem vê esperança na morte, vive uma vida de Esperança!" Catequese do Santo Padre


Sala Paulo VI, Vaticano
Quarta-feira, 02 de novembro de 2011

Dia dos fiéis defuntos

Caros irmãos e irmãs!

        Depois de ter celebrado a solenidade de todos os santos (No Brasil será no próximo Domingo), a Igreja nos convida hoje a comemorar todos os fiéis defuntos, a voltar o nosso olhar a tantos rostos que nos precederam e que concluiram o caminho terreno. Na audiência deste dia, então, gostaria de propor-vos alguns simples pensamentos sobre a realidade da morte, que para nós cristãos é iluminada pela ressurreição de Cristo e para renovar a nossa fé na vida eterna.
         Como eu já dizia ontem no Angelus, nestes dias, nos dirigimos ao cemitério para rezar pelas pessoas caras que nos deixaram, as visitamos para exprimir a elas, mais uma vez, o nosso afeto, para senti-las ainda próximas, recordando também, deste modo, uma parte do Credo: na comunhão dos santos existe uma estreita ligação entre nós que caminhamos ainda nesta terra e tantos irmãos e irmãs que já atingiram a eternidade.
        Desde sempre o homem se preocupou dos seus mortos e procurou dar-lhes uma espécie de segunda vida através da atenção, do cuidado e do afeto. Em um certo modo existe um desejo de conservar o que deixaram como experiencia de vida e, paradoxalmente, como esses viveram, o que amaram, o que tiveram, o que esperaram e que coisa detestaram, algo que descobrimos olhando as tumbas, diante das quais se multiplicam as recordações, que são quase um espelho do mundo deles.
         Por que é assim? Porque, apesar da morte ser um tema quase proibido na nossa sociedade, e exista a tentativa contínua de tirar da nossa mente nem que seja somente o pensamento da morte, essa está relacionada com cada um de nós, relacionada com o homem de cada tempo e de cada espaço. E diante deste mistério, todos, também inconscientemente, procuramos algo que nos convide a esperar, um sinal que nos dê consolação, que nos abra algum horizonte, que nos ofereça ainda um futuro. A estrada da morte, na realidade, é uma vida de esperança e, percorrer os nossos cemitérios, como também ler aquilo que está escrito sobre as tumbas é cumprir um caminho marcado pela esperança da eternidade.
          Mas nos perguntamos: por que temos tanto medo diante da morte? Por que a humanidade, em grande parte, nunca se mostrou em acreditar que além da morte não existe simplesmente o nada? Diria que as respostas são múltiplas: temos medo diante da morte porque temos medo do nada, deste medo de partir em direção a algo que não conhecemos, que nos é desconhecido. E então existe em nós um sentido de rejeição porque não podemos aceitar que tudo aquilo de belo e de grande que foi realizado durante uma existencia inteira, venha de repente apagado, caia no abismo do nada. Sobretudo, nós sentimos que o amor chama e pede eternidade e não é possível aceitar que isto venha destruído pela morte em um só momento.
       Ainda, temos medo diante da morte porque, quando nos encontramos rumo ao fim da existência, existe a percepção que exista um juízo sobre as nossas ações, sobre como conduzimos a nossa vida, sobretudo sobre este pontos de sombra, que, com habilidade, sabemos remover e tentamos remover da nossa consciência. Diria que exatamente a questão do juízo é geralmente subtendida no cuidado do homem de todos os tempos pelos defuntos, na atenção em relação as pessoas que foram significativas para ele e que não estão mais ao lado no caminho da vida terrena. Em um certo sentido, os gestos de afeto, de amor que circundam o defunto, são um modo para protegê-lo na convicção que esses não estejam sem afeto no juízo. Isto podemos colher na maior parte das culturas que caracterizam a história do homem.
             Hoje o mundo se tornou, ao menos aparentemente, muito mais racional, ou melhor, se difundiu a tendência de pensar que todas as realidades devam ser afrontadas com os critérios da ciencia experimental, e que à grande questão da morte se deva responder não tanto com a fé, mas partindo dos conhecimentos experimentais, empíricos. Deste modo, nem se dá conta que deste modo pode-se cair em formas de espiritismo, na tentativa de ter qualquer contato com o mundo além da morte, quase imaginando que exista uma realidade que, no fim, seria uma copia da presente.
         Caros amigos, a solenidade de todos os santos e a comemoração de todos os fiéis defuntos nos dizem que somente quem pode reconhecer uma grande esperança na morte, pode também viver uma vida a partir da esperança. Se nós reduzimos o homem exclusivamente à sua dimensão horizontal, a isto que se pode perceber empiricamente, a mesma vida perde o seu sentido profundo. O homem tem necessidade de eternidade e toda outra esperança para ele é muito breve, muito limitada. O homem é explicável somente se existe um amor que supere todo isolamento, tamném aquele da morte, em uma totalidade que transcenda também o espaço e o tempo. O homem é explicável, encontra seu sentido mais profundo, somente se existe Deus. E nós sabemos que Deus saiu da sua distancia e se fez próximo, entrou na nossa vida e nos diz: "Eu sou a ressurreição e a vida, quem cre em mim, também se morrer viverá, aquele que vive e crê em mim não morrerá eternamente.
          Pensemos um momento na cena do Calvário e reescutemos as palavras que Jesus, do alto da Cruz, dirige ao homem que está à sua direita: "Em verdade eu te digo: Hoje mesmo estarás comigo no paraíso". Pensemos aos dois discípulos na estrada de Emaús, quando, depois de ter percorrido uma parte da estrada com Jesus ressucitado, o reconhecem e partem para Jerusalém para anunciar a Ressurreição do Senhor. À mente retornam com renovada clareza as palavras do Mestra: "Não se perturbe o vosso coração. Tenhais fé em Deus e tenhais fé também em mim. Na casa do Pai existem muitas moradas. Se não, jamais vos teria dito: "Vou a preparar-vos um lugar"?.
           Deus se mostrou verdadeiramente, se tornou acessível, tanto amou o mundo ao ponto de dar seu filho único, a fim que aquele que crer nEle não se perca, mas tenha a vida eterna e, no supremo ato de amor da Cruz, imergindo-se no abismo da morte, a venceu, é ressucitado e abriu também a nós as portas da eternidade. Cristo nos sustenta através a noite da morte que Ele mesmo atravessou. É o Bom pastor, cuja direção se pode confiar sem nenhum medo, porque Ele conhece bem a estrada, também aquela que passa pela escuridão.
           Cada domingo, recitando o Credo, nós reafirmamos esta verdade. E ao nos dirigirmos aos cemitérios para rezar com afeto e com amor pelos nossos defuntos, somos convidados, mais uma vez, a renovar com coragem e com força a nossa fé na vida eterna, e mais, viver com esta grande esperança e testemunhá-la ao mundo: atrás do presente não existe o nada. E exatamente a fé na vida eterna dá ao cristão a coragem de amar mais intensamente esta nossa terra e de trabalhar para construir um futuro, para dar-lhe uma verdadeira e segura esperança.