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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

ESPECIAL: SEMANA DA FAMILIA - O Decálogo dos esposos


Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

       Há estratégias espirituais para se viver em plenitude o Sacramento do Matrimônio, alicerçando a constância prometida diante do Altar de Deus. Almas nobres não fazem pactos efêmeros, mas todo cuidado é pouco para que tal nobreza não seja jamais maculada. Cumpre em primeiro lugar viver o simbolismo das alianças que são abençoadas no dia do enlace matrimonial. Elas são o símbolo vivo de um compromisso de lealdade de um para com o outro. O casamento institui entre os esposos um liame forte e durável semelhante àquele que Deus quis entre Ele a humanidade. O termo aliança aparece duzentos e noventa e nove vezes na Bíblia. A Noé disse o Senhor: “Ponho o meu arco nas nuvens, para que ele seja o sinal da aliança entre mim e a terra (Gn 9,13).
        A aliança dos esposos é penhor de sua lealdade mútua. Em segundo lugar, cumpre salientar o amor que fulge desta união profunda entre duas almas. Não se pode amar sem ser amado ou simplesmente amar o amor. A dileção que há entre duas pessoas no casamento é uma mistura composta de afeições diversas. Há desejo, paixão, confiança e respeito. Supõe também a vontade de preservar o amor que torna tudo fácil, venturoso. Quando surgem as provas conjuntamente vencidas e qualquer outra turbulência própria do exílio terreno este liame tecido através dos anos, com a graça de Deus, se torna dia a dia mais sagrado, inviolável. O fruto deste amor são os filhos que são também objeto de uma afeição sem limites e recebidos como outros dons preciosos do Criador.
        Por tudo isto no casamento não pode faltar o desejo. Anseio de fundar uma família e de dilatar a vida afetiva. O desejo é um dos motores da vida conjugal que deve ser sempre revigorar, pois o verdadeiro afeto tudo revigora alargando as aspirações vividas num porvir continuamente planejado que não permite nunca a rotina, o desgosto, as lamentações inúteis e perniciosas. Adite-se a fecundidade abençoada, dado que os filhos devem ser o reflexo do amor que seus pais irradiam. Há outras facetas da fecundidade nas quais nem sempre se pensam: fecundidade no trabalho, na vida social, no adjutório aos outros, no adjutório aos outros casais que podem estar em crise, prestes a se desunirem. Esta fecundidade se manifesta ainda na visão que os esposos têm de que na sua prole eles prolongam através do tempo sua passagem por este mundo, deixando uma descendência gloriosa. Em tudo há de prevalecer a fidelidade. Esta só é possível com a proteção divina para que se vençam as dificuldades naturais a um exílio deste mundo.
         Para isto um há de perceber o perfil caracterológico do outro para que na junção das qualidades de ambos, as fraquezas humanas de cada um sejam inteiramente superadas. A fidelidade se liga à compreensão mútua. Cumpre captar as pretensões do consorte para que qualquer laivo de intransigência não seja o princípio de rusgas as quais podem se tornar fatais. Um só coração e uma só alma e nada poderá romper a constância da dileção. Acrescente-se a liberdade, ou seja, o casamento deve ter sido resultado da união de duas pessoas que se conheceram e não se uniram por qualquer injunção externa, livre de qualquer pressão psicológica. Se tal tiver ocorrido os limites de cada um serão respeitados, porque livremente quiseram viver uma vida em comum. Foi no emprego de seu livre-arbítrio que deixaram o pai e a mãe para se tornarem uma só carne. Esta liberdade afiança a perseverança de um passo dado sem a intromissão seja de quem for ou por outros interesses escusos. Em conseqüência de tudo isto é preciso que haja continuamente o perdão mútuo. Apenas Deus é perfeito. Onde há a criatura humana há falhas, fraquezas. Todas as feridas podem e devem ser logo sanadas. O indulto imediato faz progredir a realidade da ternura. Nunca um casal repetirá demais “Jesus manso e humilde de coração fazei o meu coração semelhante ao vosso”! Cumpre deixar para falar as coisas certas no momento certo, pois as proferir no momento errado é causar desordem dentro do lar.
      Agregue-se a tudo isto a vivência sacramental, isto é, a valorização da graça que foi dada um ao outro perante o representante da Igreja. Os noivos são, de fato, os ministros deste sacramento, sendo o sacerdote a testemunha autorizada do juramento sagrado que foi feito perante Deus. Eis porque a comemoração anual do dia do casamento reforça este importante aspecto que não pode ser olvidado. Finalmente, não se deve esquecer o valor da sexualidade bem esclarecida que é um ingrediente da vida amorosa, harmoniosa e garantia também de um matrimônio feliz. Para tanto os cônjuges devem cuidar de seu corpo com o nobre fim de sempre haver uma conquista diária um do outro. Daí o cuidado no modo de se vestir, de falar, de agir. O desleixo próprio pode afetar o relacionamento conjugal. Além destes dez aspectos, nunca se poderá deslembrar o que diz um refrão famoso, que pode ter perdido sua força de tanto ser repetido, mas que revela algo imprescindível que é a oração no lar: “A família que reza unida, permanece unida”.

*Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.
Fonte: Arquidiocese de Mariana/MG

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

ESPECIAL: SEMANA DA FAMILIA - Casar na Igreja


Padre Julio *

       A união amorosa entre um homem e uma mulher, para nós católicos, chama-se sacramento do matrimônio. Para a Igreja, sacramento é um gesto visível que transmite algo invisível. Ou melhor, é um sinal sensível e eficaz que garante a graça de Deus, em Jesus Cristo, na vida da gente. Se o sinal visível transmite uma realidade invisível, isso significa que o visível não é tudo. É apenas um indicativo do invisível.
        No matrimônio, é o amor oblativo entre um homem e uma mulher que marca e visualiza o sacramento. A bíblia lembra que esse amor entre o esposo e a esposa deve ser semelhante ao amor que existe entre Jesus Cristo e a Igreja (Cf. Ef 5, 25-33). Cristo, por um amor apaixonado e apaixonante, entregou sua vida pela salvação total de todos e de todas, indicando que amor pra ser amor deve ser doação provada e comprovada até as últimas conseqüências, sem segundos interesses ou intenções: “Não existe amor maior do que dar a vida…” (Jo 15,13).
       É nesta perspectiva bíblica que o amor total e integral entre os cônjuges é entendido como um dos constitutivos essenciais no matrimônio. Tanto é que, se um casal, infelizmente, vai ao sacramento com um “amor” mascarado, deficiente ou anêmico, o seu casamento já começa com defeito de fabricação. E pode, segundo as determinações canônicas da Igreja Católica Romana, tornar-se um casamento que nunca deveria ter existido.
       Para que esse erro não aconteça, como se faz necessária uma boa preparação para recepção do sacramento do matrimônio! Na ação pastoral de nossa Igreja, a preparação imediata para este sacramento é chamada de: “Encontros em Preparação ao Matrimônio”. Não é nenhum curso que dá diploma pra ninguém. Aliás, erroneamente é chamado de curso.
        Trata-se de uma forma vivencial de preparação para vida matrimonial – muito breve, por sinal! Nesses encontros são refletidas questões da vida conjugal, familiar e sacramental, aquilo que Deus e a Igreja ensinam sobre o matrimônio e a família. É muito frutuoso que esses encontros sejam feitos com boa antecedência, no mínimo uns seis meses antes da celebração do casamento.
        Como sacramento da Igreja, o matrimônio tem um ritual litúrgico próprio a ser seguido. Nenhum padre, ou diácono, ou outro ministro designado oficialmente pelo bispo “faz casamento”. Ministros próprios para este sacramento são os próprios noivos. Eles é que fazem o sacramento. Daí a necessidade de os noivos estarem mais preparados do que nunca e não virem com manias e caprichos pessoais que desfiguram a ação celebrativa.
         Nem tudo que se vê por aí – decoração, música e outros “ritos sobrepostos” – faz parte do rito do sacramento. Não são alguns “promoter”, nem decoradores, nem fotógrafos ou cinegrafistas que determinam os detalhes da celebração do sacramento do matrimônio. Nas Comunidades Paroquiais, normalmente, há uma equipe de liturgia que ajuda encaminhar os detalhes. Por isso, é necessário que os noivos busquem, além dos encontros em preparação ao sacramento, as secretarias paroquiais para obterem as devidas informações e detalhes da celebração litúrgica do matrimônio.
Pe. Júlio Antônio da Silva
Pároco da Comunidade Paroquial Cristo Ressuscitado – Maringá/PR
FONTE: Arquidiocese de Maringá/PR


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O Milagre Eucarístico de Lanciano


O Milagre Eucarístico de Lanciano foi um milagre que ocorreu no Século VIII, na cidade Itália de Lanciano. Durante uma missa, o celebrante (um monge da Ordem de São Basílio), teve sérias dúvidas quanto à verdade da transubstanciação (transformação do pão e vinho em Corpo e Sangue de Jesus). Então, milagrosamente viu a Hóstia converter-se em Carne viva e o vinho em Sangue vivo. A Hóstia-Carne apresentava, como ainda hoje se pode observar, uma coloração ligeiramente escura, tornado-se rósea se iluminada pelo lado oposto, e tinha uma aparência fibrosa; o Sangue era de cor terrosa (entre amarelo e o ocre), coagulado em cinco fragmentos de formas e tamanhos diferentes. O fato interessante do Milagre é que após exames científicos chegou-se as seguintes conclusões:





** A carne é carne verdadeira.

** O sangue é sangue verdadeiro.

A Carne é do tecido muscular do coração (contém, em seção, o miocárdio, endocárdio, o nervo vago e, no considerável espessor do miocárdio, o ventrículo cardíaco esquerdo). A Carne e o Sangue são do mesmo tipo sangüíneo (AB) e pertencem à espécie humana. No Sangue foram encontrados, além das proteínas normais, os minerais Cloreto, Fósforo, Magnésio, Potássio, Sódio e Cálcio. As proteínas observadas no Sangue foram encontradas normalmente fracionadas em percentagem a respeito da situação seroproteínica do Sangue vivo normal, ou seja, é Sangue de uma PESSOA VIVA. A conservação da Carne e do Sangue, deixados em estado natural por doze séculos e expostos à ação de agentes físicos, atmosféricos e biológicos constituem um fenômeno extraordinário. O Sangue AB é o tipo de sangue encontrado no Santo Sudário.

O milagre eucarístico de Lanciano segundo o cientista que comprovou sua autenticidade Laudo científico Fala o doutor Edoardo Linoli: Afirmou o doutor Edoardo Linoli que havia sustentado em suas mãos um verdadeiro tecido cardíaco, quando analisou anos atrás as relíquias do milagre eucarístico de Lanciano (Itália), o mais antigo dos conhecidos.



O fenômeno se remonta ao século VIII. Em Lanciano, na igreja dedicada a São Legonciano, um monge basiliano que celebrava a missa em rito latino, após a consagração, começou a duvidar da presença real de Cristo sob as sagradas espécies. Nesse momento, o sacerdote viu como a Sagrada Hóstia se transformava em carne humana e o vinho em sangue, que posteriormente se coagulou.

Na catedral estão custodiadas estas relíquias e podem ser vistas pelos visitantes. Professor de Anatomia e Histologia Patológica, de Química e Microscopia Clínica, e ex-chefe do Laboratório de Anatomia Patológica no Hospital de Arezzo, o doutor Linoli foi o único que analisou as relíquias do milagre de Lanciano. Seus resultados suscitaram um grande interesse no mundo científico.

Em novembro de 1970, por iniciativa do arcebispo de Lanciano, Dom Pacífico Perantoni, e do ministro provincial dos Conventuais de Abruzzo, contando com a autorização de Roma, os Franciscanos de Lanciano decidiram submeter a exame científico as relíquias. Encomendou-se a tarefa ao professor Linoli, ajudado pelo professor Ruggero Bertelli –da Universidade de Siena.

Com a maior atenção, o professor Linoli extraiu partes das relíquias e submeteu a análise os restos de «carne e sangue milagrosos». Em 4 de março de 1971 apresentou os resultados. Evidenciam que a Carne e o Sangue eram com segurança de natureza humana. A Carne era inequivocamente tecido cardíaco, e o Sangue era verdadeiro e pertencia ao grupo AB. O professor Linoli explicou que, «pelo que diz respeito à Carne, encontrei-me na mão com o endocárdio. Portanto não há dúvida alguma de que se trata de tecido cardíaco». Quanto ao sangue, o cientista sublinhou que «o grupo sanguíneo é o mesmo do Homem do Santo Sudário de Turim, e é particular porque tem as características de um homem que nasceu e viveu nas zonas do Oriente Médio». «O grupo sanguíneo AB dos habitantes do lugar de fato tem uma porcentagem que vai de 0,5 a 1%, enquanto que na Palestina e nas regiões do Oriente Médio é de 14-15%», apontou.

A análise do professor Linoli revelou também que não havia na relíquia substâncias conservantes e que o sangue não podia ter sido extraído de um cadáver, porque se haveria alterado rapidamente. O informe do professor Linoli foi publicado em «Quaderni Sclavo di diagnostica clinica e di laboratório» (1971, fasc 3, Grafiche Meini, Siena). Em 1973, o conselho superior da Organização Mundial da Saúde (OMS) nomeou uma comissão científica para verificar as conclusões do médico italiano.

Os trabalhos se prolongaram 15 meses com um total de quinhentos exames. As conclusões de todas as investigações confirmaram o que havia sido declarado e publicado na Itália. O extrato dos trabalhos científicos da comissão médica da OMS foi publicado em dezembro de 1976 em Nova York e em Genebra, confirmando a impossibilidade da ciência de dar uma explicação a este fenômeno.

O professor Linoli participa esta quinta-feira no Congresso sobre os milagres eucarísticos organizado pelo Master em Ciência e Fé do Ateneu Pontifício Regina Apostolorum (Roma), em colaboração com o Instituto São Clemente I Papa e Mártir, com ocasião do Ano Eucarístico que a Igreja universal celebra até outubro. «Os milagres eucarísticos são fenômenos extraordinários de diferente tipo», explicou o diretor do Congresso, o padre Rafael Pascual LC, em «Rádio Vaticano»: «por exemplo, há a transformação das espécies do pão e do vinho em Carne e Sangue, a preservação milagrosa das Hóstias consagradas, ou algumas Hóstias que vertem sangue».

«Na Itália, há vários lugares onde ocorreram estes milagres eucarísticos –declarou–, mas também os encontramos na França, Alemanha, Holanda, Espanha» e alguns «na América do Norte».

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sacramento da Confissão



PRÓLOGO
O Padre Valeriano de Oliveira é um Sacerdote eremita (já octogenário), na Comunidade Sol de Deus - Itajubá-MG - Arquidiocese de Pouso Alegre.
Foi casado durante 20 anos.
Ao falecer a sua esposa, em 1978, completou os seus estudos de Teologia em Taubaté, e foi ordenado Sacerdote em 1984.
Desde a sua ordenação, dedicou-se incansavelmente ao Ministério da Reconciliação.


Este opúsculo, como ele mesmo diz na apresentação do livro, é fruto de toda a sua experiência no Sagrado Ministério de reconciliar as almas com Deus.


Vem comigo.
Vou levar-te à fonte maravilhosa da Paz.
Conheço bem o caminho. Eu vivo lá.
Mas prepara-te. É longa a caminhada.
Começa por colocar em ordem a tua vida.
Põe tranquilidade no teu viver...
para que mereças a Paz que jorra dessa fonte.
A tão doce e sonhada Paz!
O que é a Paz, senão «a tranquilidade na ordem» [1] ?


[1] - Santo Agostinho


Reconcilia-te com Deus.
Reconcilia-te com teu próximo.
Reconcilia-te contigo mesmo... e terás a Paz!
É tão bom viver num ambiente tranquilo,
onde reinam a ordem, a tranquilidade e a paz!
Assim deve ser o teu coração.
Sabes que o teu coração foi feito para amar?
Claro, para amar o Amor, antes de amar mais alguém...
Para amar o Amor, e só depois amar alguém... no Amor.
Ou amar o Amor em alguém.
E o Amor tem nome: ele chama-se JESUS.
Só assim, o teu coração estabelecer-se-á na verdadeira Paz,
que não vem do mundo, nem dos homens, mas do Senhor:
«Deixo-vos a paz. Dou-vos a Minha paz.
Não vo-la dou como o mundo a dá.
Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize!»
(Jo 14, 27)


Reconcilia-te com Deus... e com o teu irmão.
Dá o primeiro passo, não esperando que o teu irmão o faça.
Não é fácil dar o primeiro passo.
É mesmo muito difícil, e por vezes muito doloroso.
Mas é necessário.
Exige a negação de si mesmo e a aceitação da cruz.
Mas vale a pena.


Jesus deu-te o exemplo e convida-te a segui-lo, a imitá-lo:
«Se alguém quiser seguir-me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me».
(Mc 8, 34)


Tens que dar o primeiro passo, sejas tu o ofensor ou o ofendido.
E na realidade, esse primeiro passo em direcção a alguém, acaba em direcção a outro Alguém... que já deu o primeiro passo ao teu encontro.
Não foste tu quem primeiro amou a Deus, mas foi Ele quem te amou primeiro, e enviou o seu próprio Filho para expiar os teus pecados. (Jo 4, 10)


Reconcilia-te com Deus, mas reconcilia-te primeiro com o teu irmão.
E assim estarás reconciliado contigo mesmo.
Esta é a fonte maravilhosa da Paz!



+ + + + +


APRESENTAÇÃO


O SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO

Este é um opúsculo sobre a Reconciliação.
O nome já o diz: uma pequenina obra.
E por ser pequena, não pode, evidentemente, exaurir a matéria.
Mas pelo menos focalizará o essencial, para quem queira preparar-se para fazer uma boa Confissão.


É propósito do autor tratar da matéria com muita simplicidade, clareza e objectividade, tanto mais que tudo o que ele diz aqui é fruto da sua própria experiência no exercício do ministério da Reconciliação.
E na verdade, esse ministério é um dos mais gratificantes na vida do Sacerdote:



Primeiro, porque lhe dá a oportunidade de se exercitar e crescer na virtude da paciência e no dom da escuta.
Hoje em dia, todo o mundo quer falar; não sobra ninguém para ouvir.


Segundo, porque lhe permite entrar na privacidade das consciências, o que, a par de ser uma terrível responsabilidade, é ao mesmo tempo um privilégio inaudito, pois obriga-o a uma grande dignidade de comportamento e a uma não menor santidade de vida.
Depositário dos segredos de tantas consciências, coração angustiado por tantas dores que ele mal consegue aliviar, mas ao mesmo tempo consolado e edificado por tantas riquezas interiores que vai descobrindo, o Sacerdote só mesmo por graça de Deus consegue manter o próprio equilíbrio.


Compreende-se assim como muitos deles procuram esquivar-se desse ministério.
E tudo isso acontece por causa de Você, meu caro leitor.


O Sacerdote é escolhido por Deus, chamado e ordenado para servir a Você...
Tal como o Papa, que a si mesmo se chama "Servo dos servos de Deus", e como o próprio Jesus que disse de Si mesmo:


«O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir...» (Mt 20, 28).


E neste espírito de serviço, decidi escrever com muito carinho este opúsculo, para ajudar Você a aproveitar o melhor possível este tesouro, que o Senhor Jesus nos deixou: O santo Sacramento da Reconciliação.


CAPÍTULO I



COMO RECONCILIAR-SE COM DEUS?


Pelo Sacramento da Reconciliação.
Antes de voltar ao Pai, tendo-nos amado até ao extremo, a nós que éramos Seus e estávamos no mundo, o Senhor deixou-nos dois presentes maravilhosos:
O Sacramento do Amor (a Eucaristia), e o Sacramento da Paz (a Confissão, ou Reconciliação).


Um é alimento, outro é remédio; embora ambos alimentem e ambos curem.


A Confissão, ou sacramento da Reconciliação, é a fonte maravilhosa da Paz, e o remédio para todos os males.


Porque, na realidade, só existe um mal, o pecado.
Como só existe, depois do Baptismo, um só remédio para esse mal:
O arrependimento sincero, seguido duma Confissão bem feita.
Este Sacramento não é só a fonte maravilhosa da Paz, mas ele é também a fonte da Divina Misericórdia, como o Senhor revelou à Sua serva Santa Faustina, n.ºs 1448 e 1602 do seu Diário:


«Escreve, filha, fala da minha Misericórdia. Diz às almas onde devem procurar consolo, isto é, no tribunal da Misericórdia, onde continuo a realizar os Meus maiores prodígios, que se renovam sem cessar.
Para obtê-los, não é necessário empreender longas peregrinações, nem realizar exteriormente grandes cerimónias; basta aproximar-se com Fé dos pés do Meu representante e confessar-lhe a própria miséria.
O milagre da Misericórdia de Deus fará ressurgir aquela alma para uma vida plena. Ó infelizes, que não aproveitais esse milagre da Misericórdia de Deus! Clamareis em vão, pois já será tarde demais!
«Filha, quando te aproximas da santa Confissão, dessa fonte da minha Misericórdia, sempre desce na tua alma o meu Sangue e a água que saíram do meu Coração, enobrecendo a tua alma.


Cada vez que te aproximares da santa Confissão, mergulha-te toda na minha Misericórdia com grande confiança, para que ela possa derramar na tua alma a abundância da minha Graça.
Quando te aproximas da santa Confissão, deves saber que sou Eu mesmo quem espera por ti no Confessionário; oculto-me apenas no Sacerdote, mas Eu mesmo actuo na alma.
«Aí, a miséria da alma encontra-se com o Deus da Misericórdia.
Diz às almas que, dessa fonte de Misericórdia, as graças são colhidas apenas com os vasos da confiança.
Se a confiança delas for grande, a minha Generosidade não terá limites.
As torrentes da minha Graça inundam as almas humildes.
Os orgulhosos sempre estão na pobreza e na miséria, porquanto a minha Graça se afasta deles para as almas humildes».


E Santa Faustina continua no seu Diário:
"Quero recomendar três coisas à alma que deseja decididamente buscar a santidade e dar fruto, ou seja, tirar proveito da Confissão.

Em primeiro lugar: Total sinceridade e franqueza.
O mais sábio e o mais santo confessor não consegue derramar na alma, à força, aquilo que deseja, se a alma não for sincera e franca.
A alma insincera e reticente expõe-se a grandes perigos na vida espiritual, e o próprio Senhor não se comunica a essa alma num nível mais elevado, porque sabe que ela não tiraria proveito dessas graças especiais.


"Em segundo lugar: Humildade.
A alma não tira o devido proveito do Sacramento da Confissão se não for humilde.
O orgulho mantém a alma nas trevas.
Ela não sabe e não quer penetrar devidamente no fundo da sua miséria; esconde-se atrás duma máscara, evitando tudo o que a pode curar.


"Em terceiro lugar: Obediência.
A alma desobediente não terá nenhuma vitória, ainda que o próprio Nosso Senhor a ouvisse directamente em Confissão.
O mais experiente confessor em nada poderá ajudar a uma alma de tal maneira.
A alma desobediente expõe-se a grandes desgraças, não podendo progredir na perfeição, nem na vida espiritual.
Deus cumula generosamente de graças a alma, mas só se ela for obediente".


A Confissão é um sacramento de Misericórdia, mas é necessário que nos aproximemos dele com muita confiança e serenidade.

Quanto maior for a nossa confiança, maior será a nossa alegria e a nossa paz.
Há, porém, um defeito que pode comprometer tudo isso, transformando o que seria uma fonte de paz num verdadeiro tormento: É o escrúpulo.

Há quem olhe o escrúpulo como uma virtude e o confunde com a delicadeza de consciência.
O sábio e piedoso Gerson diz que uma consciência escrupulosa prejudica muitas vezes a nossa alma, ainda mais do que uma consciência elástica e relaxada.
O escrúpulo exagerado falseia o julgamento, perturba a paz da alma, gera a desconfiança e o afastamento da vida sacramental, alterando a saúde da alma e do corpo.
Quantos infelizes começaram pelo escrúpulo e terminaram pela demência!
E quantos outros, mais infelizes ainda, começaram pelo escrúpulo e acabaram pela libertinagem e pela impiedade!
Foge, pois, desse temível veneno impiedoso, dizendo com S. José Cupertino:

«Para trás as tristezas e os escrúpulos; não quero saber deles em minha casa».

O escrúpulo exagerado é um temor infundado de haver pecado.

Mas o escrupuloso não julga serem simples escrúpulos as suas dúvidas e temores:
Ele não se atormentaria, se pudesse qualificá-los como tais.
Ele deveria, no entanto, dar crédito ao seu Director espiritual, quando este lhe dá normas para seguir.
O escrupuloso só vê em suas acções uma série ininterrupta de pecados; só vê em Deus vingança e cólera.
Portanto, que ele se habitue a considerar, sobretudo no Divino Mestre, o atributo que Lhe é mais caro: a Misericórdia.
E que faça disto o assunto habitual dos seus pensamentos, das suas meditações e dos seus afectos.
É preciso fazer tudo por amor, nada constrangido; é preciso amar mais a obediência do que temer a desobediência.
O único remédio para os escrupulosos é uma obediência total e corajosa.

É um orgulho secreto, diz S. Francisco de Sales, que nutre e sustenta os escrúpulos; porque o escrupuloso se aferra ao seu juízo e à sua inquietude, apesar dos avisos em contrário do seu Director espiritual.
Ele persuade-se sempre, para dissimular a sua desobediência, que sobreveio um caso novo e imprevisto, para o qual seriam inúteis esses avisos.
Obedeça, portanto, sem fazer outro raciocínio senão este:
"Devo obedecer", e assim será livre dessa terrível enfermidade.

A tristeza e a inquietude dos filhos de Deus é uma grande injúria que fazem ao seu Pai Celeste, parecendo dizer com isso que acham pouca doçura em servir a um Senhor tão cheio de Amor e Misericórdia; parecendo querer desmentir as palavras d'Aquele que disse:

«Vinde a mim, vós todos que estais aflitos e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei!»; comparando-se ao bom lavrador que escolhe para os seus bois "um jugo que lhes seja suave e um fardo leve".

"Ai da alma mesquinha e árida que tudo teme, e que, à força de temer, acaba por não ter tempo de amar e correr generosamente!

Ó meu Deus, sei que quereis um coração vasto, quando este coração Vos ama.
Agirei com confiança, como uma criancinha que brinca nos braços da sua mãe; regozijar-me-ei no Senhor e procurarei alegrar também os outros, expandindo o meu coração sem temor...
Longe de mim, ó meu Deus, essa sabedoria triste e temerosa que paralisa, e que traz sempre nas mãos a balança para pesar átomos...
Não agir com mais simplicidade Convosco, é injuriar-Vos; semelhante rigor é indigno das Vossas entranhas de Pai" (Fenelon).

E acabam entregando-se realmente ao mal, porque não têm a simplicidade de acreditar ser possível a Nosso Senhor a vitória de que se sentem incapazes.
Que eles se aproximem desse Jesus tão bom, que nos prometeu, junto de Si, "o repouso para as nossas almas".

Note bem que eu disse "Confissão bem feita", isto é, com boas disposições do penitente e total sinceridade.

E uma das formas mais frequentes de "confissão mal feita" é calar determinado pecado na confissão, por vergonha ou por medo.



Conta-se que S. Filipe Néri tinha uma grande amizade por determinado garoto.

Aconteceu que esse garoto adoeceu gravemente, e o Santo teve a revelação da sua morte próxima.
Pediu então à família que o chamasse, quando estivesse próximo da morte, pois queria prepará-lo bem para o último combate.
Agravando-se o estado do menino, o pai mandou avisar a S. Filipe.
O Santo não foi encontrado naquele momento, e o recado ficou com um dos padres da sua Congregação.

Entrementes, o menino faleceu.

Quando o Santo recebeu o recado e correu à casa do garoto, já o encontrou cadáver.
S. Filipe ajoelhou-se ao pé da cama, orou fervorosamente durante um certo tempo; depois, aspergiu com água benta o corpo do menino e colocou algumas gotas da água na sua boca.
Colocou-lhe a mão no rosto, e chamou-o pelo nome, com voz forte.
O garoto mexeu-se na cama, como se estivesse acordando dum profundo sono, abre os olhos, e vendo S. Filipe, exclama:

"Padre! Que bom que o senhor veio! Tenho um pecado e quero confessar-me".
S. Filipe pede que se esvazie o quarto, pega num Crucifixo e ouve a confissão do menino.
Chama em seguida toda a família e põe-se a conversar com o ressuscitado sobre o Céu e a felicidade dos eleitos.
E a conversa prolonga-se por mais meia hora, como nos bons tempos de saúde do menino.

Finalmente, o Santo pergunta-lhe se queria ir para o Céu.
"Mas é claro, Padre!" -- responde o menino.
E S. Filipe diz-lhe: "Vai em paz, meu filho, e roga por mim!"
O menino fecha suavemente os olhos e torna a morrer.
O quarto do garoto converteu-se em capela, e até hoje é visitado com veneração por muita gente.