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terça-feira, 12 de junho de 2012

Celebração de Corpus Christi - Significado e fotos

      Nesta quinta-feira, passada dia 7 de junho, a Igreja Católica no mundo inteiro celebrou uma importante solenidade que reveste o mistério central de sua fé: Corpus Christi. Neste dia, celebra-se o Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo. Como tradição popular, muitos fiéis enfeitam as ruas com tapetes feitos à base de pó de serragem, com o objetivo de preparar o local para a procissão que traz o grande motivo da festa, Jesus Eucarístico.
       Esta é uma solenidade que há séculos faz parte da vida dos cristãos católicos, nasceu de uma prática da devoção popular que tem início no final do século IX, mas já no século XI ao XIII está muito difundida em vários lugares da Europa. Depois, em 8 de setembro de 1264, o Papa Urbano IV, com a Bula Transiturus, instituiu esta celebração para toda a Igreja.
              Essa prática surgiu por causa da defesa da compreensão da teologia da presença real. “Contra as heresias do início do segundo milênio, essa festa vem reforçar a posição e a orientação da Igreja sobre a presença real de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento”.
           Em nossa Paróquia, depois de muitos anos sem serem feitos, voltamos confeccionar os tapetes eucarísticos a 4 anos, quando vamos as ruas em procissão com o Santíssimo Sacramento.

Algumas fotos.

































 

domingo, 17 de julho de 2011

16} Domngo do Tempo Comum - O joio e o Trigo.


Comentário ao Evangelho do dia feito por Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (África do Norte) e doutor da Igreja.

Discursos sobre os salmos, Sl 99, 8-9

«Então os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai»

            «Quando o que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir da imortalidade» (1 Co 15,54), então será a doçura perfeita, o júbilo perfeito, um louvor sem fim, um amor sem ameaças. [...] E aqui em baixo? Não experimentaremos nenhuma alegria? [...] Seguramente que encontraremos aqui em baixo a alegria; experimentaremos aqui, na esperança da vida futura, uma alegria da qual seremos plenamente saciados no céu.
             Mas é preciso que o trigo suporte muitas coisas no meio do joio. Os grãos são lançados à palha e o lírio cresce no meio dos espinhos. Com efeito, que foi dito à Igreja? «Tal como um lírio entre os cardos, assim é a minha amada entre as donzelas» (Ct 2,2). «Entre as donzelas», diz o texto, e não entre os estrangeiros. Ó Senhor, que consolações dás Tu? Que conforto? Ou melhor, que temor? Tu chamas espinhos às Tuas próprias donzelas? São espinhos, responde Ele, pela sua conduta, mas são donzelas pelos Meus sacramentos. [...]
            Mas onde deverá então o cristão refugiar-se para não gemer no meio de irmãos falsos? Para onde irá ele? Fugirá para o deserto? As ocasiões de queda para lá o seguirão. Distanciar-se-á, ele que progride bem, até não ter de suportar mais nenhum dos seus semelhantes? E se ninguém tivesse querido suportá-lo antes da sua conversão? Se, por conseguinte, sob o pretexto de que progride, não quer suportar ninguém, por isso mesmo é evidente que ainda não progrediu. Escutai bem estas palavras: «Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor. Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz» (Ef 4, 2-3). Não há em ti nada que o outro tenha de suportar?

sábado, 28 de novembro de 2009

Advento, a coroa do advento e suas velas




Eis o momento de Luz. "Voz que clama do deserto: Preparai o caminho do Senhor" (Mt 3,3).


Sim, já Isaías a seu tempo proferia estas palavras (Is 40 1ss), e até aos dias de hoje, ouve-se este clamor. Advento. O anúncio da "boa nova", a preparação espiritual da cada cristão para o "memorial natalino".

Popularmente, ou comercialmente, esta atmosfera santa foi para planos secundários, e logo surgiram junto com todos os belos enfeites, as guirlandas, coroas, sininhos, e inclusive a árvore.
             A "coroa de Advento" é um símbolo significativo, pois quer lembrar a "boa nova" que se anuncia. A Coroa de Advento. Não se trata de um elemento venerativo, mas de um símbolo importante que antecede o momento festivo da data magna. E' dos símbolos natalinos o mais significativo depois da árvore de Natal.
Sua apresentação, popularizou-se nas formas mais criativas: redonda; quadrada; linear; em palha seca; em ramos; com flores; e dispostas nas portas e janelas; vitrines comerciais e mesas. Simplesmente para alegrar e enfeitar.

Mas seria apenas para enfeitar ou teria algo mais em seu significado?

           Em nossa casa, ela é construída a partir de um aro de sustentação, um anel como uma aliança. Este "aro" faz recordar a união, a aliança de Deus com os homens. (Gn 9, 11-13) "porei nas nuvens o meu arco; será por aliança entre mim e a terra". Lembra a aliança de Jesus na Santa Ceia: (Lc 22, 19-20) "depois de cear, tomou o cálice dizendo: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue...". Sim, uma aliança de paz, comunhão e amor entre os homens.
           A este arco, unimos uma quantidade grande de ramos, através de um fio; um arame, forte o bastante para sustentar esta união; forte o bastante como nossa fé que nos une e mantém em Cristo, assim como Jeremias disse: (Jr 50, 5b) "vinde unamo-nos ao Senhor, em aliança eterna que jamais será esquecida". Estes ramos são ciprestes, verdes e exuberantes e de aroma suave. O cipreste é citado na Bíblia, como exemplo revigorante: (Is 55,130) "em lugar de espinheiro crescerá cipreste... e será para a glória do Senhor". Ou ainda, (Os 14,8) "eu te ouvirei e cuidarei de ti; sou como o cipreste verde; de mim se acha o teu fruto, diz o Senhor". Cada ramo destes, por pequeno que seja, representa uma vida; a sua, a minha, a do pobre e a do rico.
            Mas, observe: colocamos também ramos de videira e galhos secos e, alguns enfeites. Cristo diz: (Jo 15, 1-10) "eu sou a Videira, vós sois os ramos". Almejemos ser estes ramos de aroma suave, que produzem frutos de amor, de fé e comunhão. E os galhos secos nos lembram as palavras do Senhor: "todo ramo que estando em mim não der frutos ele (o Pai) o corta; e todo aquele que der fruto, limpa, para que produza mais fruto ainda" (Jo 15,2).
              Depois de montada com os ramos, a envolvemos com uma fita vermelha. Esta fita simboliza o ato da aliança pelo sangue de Cristo, que nos enlaça a cada Ceia, na remissão dos nossos pecados. Que mesmo havendo aquele "arame da união", nos mantém unidos e seguros.
                Observe os pratinhos, que sustentam as velas. Tão insignificantes! Estes simbolizam o sustento da vida, assim como no Salmo 54, 4: "eis que Deus é o meu ajudador, o Senhor é quem me sustenta a vida". É bom saber que nossas vidas têm Deus e Seu amado Filho como amparadores.
              As velas geram luz e resplendor. Significam a Vida por excelência. Não faltam citações na Bíblia para esta simbologia: (Jo 1, 1-5) "e a vida era a luz dos homens"; (Mt 5,14) "vós sois a luz do mundo". E somos constantemente lembrados e exortados: (Jo 12,36) "Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da Luz". Viver na Luz, é entregar-se à vida como um sol que nasce e se põe, mas brilha sempre.
             Os enfeites são pequenos símbolos que mostram o quanto somos amados por Deus que nos enriquece a vida com tantas coisas belas, com tanto carinho, com tanto amor. São as marcas das "Belezas do Criador" nas veredas pelas quais caminhamos.
              A Boa Nova: Cristo veio, vem e virá. Pois é, não bastam tantos símbolos contidos em nossa coroa, que querem nos lembrar de tantas mensagens antecedendo ao Natal. Que querem lembrar o verdadeiro sentido desta vida que Deus nos concedeu. Advento é momento de reflexão, de revisão, de busca do perdão. É momento de preparar-nos para o que haverá de vir em plenitude de glória. "Voz que clama do deserto: Preparai o caminho do Senhor" (Mt 3,3). Nos quatro domingos que antecedem ao Natal...
         No primeiro Domigo do Advento acendemos a primeira vela. (Mq 5, 2) "E tu Belém, Efrata, pequena demais... de ti sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da Eternidade". A boa-nova profética da vinda do Messias.
         No segundo Advento acendemos a primeira e a segunda vela, surge mais uma luz a brilhar: (Lc 1,19) "O anjo traz as boas-novas de Zacarias, anunciando um filho que será o precursor de Cristo, a voz que vem do deserto... João Batista". Aquele que nos conclama à preparação, à acolhida.
        No terceiro Advento. Ah! A terceira vela é acesa (junto com a primeira e a segunda) e anuncia antecipadamente: (Lc 2,10) "eis aí vos trago boa-nova... é hoje que vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador". Polêmica antecipação? Ou remete-nos à anunciação de um fato já realizado? Cristo nos nasceu. Preparemo-nos ao memorial da Graça.
        No quarto Advento todas as velas acesas. Sim, se adiciona a última vela, sem que seja a última luz... (Hb 4,2a) "porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles...". Fato vivido, fato narrado. O testemunho de ontem através dos tempos até nossos dias. "Deus se revela a nós através da história", a história de cada pessoa individualmente; de cada povo... de cada época.
                                          E depois, vem o Natal... (só depois!).
         Especulações sobre um fato real já vivido? Cristo veio, vem e virá. Estas boas-novas, hoje, significam não apenas ver belos enfeites, lindos presentes, antecipar ou abreviar fatos... Mas, enxergar a verdadeira mensagem de Deus. Estar atento ao significado de cada símbolo presente nesta época. Estar atento ao verdadeiro sentido da vida que Deus nos confiou, para sabermos administrá-la num permanente "Advento" no testemunho do viver em Cristo. Tenhamos portanto, em nossos corações esta Coroa da Aliança e da Boa-Nova, que junto com a "Coroa do Calvário" selam o verdadeiro sentido do Natal.

Advento

A CELEBRAÇÃO DO ADVENTO



             Como fez para outros tempos do ano litúrgico, o Vaticano II enriqueceu notavelmente de leituras bíblicas o período do Advento. Os três ciclos para os quatro domingos, as leituras cotidianas da missa durante essas quatro semanas, apresentam um tesouro considerável, digno de uma atenta catequese.
        O novo calendário romano, no n. 39, cuidou de exprimir o significado do Advento: "O tempo do Advento tem uma dupla característica: é tempo de preparação para a solenidade do Natal, em que se recorda a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens e simultaneamente é o tempo no qual, através desta recordação, o espírito é conduzido à espera da segunda vinda de Cristo no final dos tempos".
          Esse significado envolve o lecionário inteiro: a escolha de cada perícope evangélica não só confere a cada celebração seu colorido litúrgico particular, mas determina, pelo menos para os grandes tempos do ano, a escolha das outras leituras ductilmente harmonizadas com ela.
         Como se pode notar, os domingos exprimem uma continua progressão partindo do segundo advento, ligado ao último domingo do ano, embora sempre sublinhem o nascimento de Jesus, para chegar à encarnação do Verbo.
          O número das perícopes escriturísticas é impressionante e confere à celebração do Advento uma riqueza teológica incomparável. Observe-se a discreta harmonização entre as três leituras do mesmo domingo. Somos pois convidados a ler e a estudar os textos na sua recíproca ligação no âmbito da celebração de um mesmo domingo, mas também na sua ligação com os textos dos domingos seguintes. Basta olhar simplesmente a tabela das leituras na tradição romana, para o leitor tomar consciência de que as leituras do Lecionário do Vaticano II se inspiraram amplamente na escolha dos lecionários precedentes. Mas o lecionário atual propõe também duas leituras próprias para cada dia das quatro semanas do Advento: é mais uma riqueza, que infelizmente nos é impossível comentar aqui. Vamos limitar-nos a oferecer uma brevíssima síntese apenas das leituras dominicais.
         A tonalidade de fundo que percorre o 1º domingo é a da espera vigilante do Senhor. Ele anuncia o seu retorno. Devemos estar alertas. As nações se reunirão. O dia está próximo (ciclo A). De fato, esperamos que o Senhor Jesus se revele. Quando vier, tudo será restaurado, o universo e cada um de nós (ciclo B). E preciso vigiar e estar pronto para comparecer de pé diante do Filho do homem. Um germe de justiça se instaurará no fim dos tempos, pelo que devemos estar firmes e irrepreensíveis (ciclo
          Se o reino dos céus está próximo, é mister preparar os caminhos. É o tema específico do 2º domingo do Advento. O Espírito está sobre o Senhor e nele as promessas são confirmadas (ciclo A). Preparar os caminhos significa preparar um mundo novo, uma terra nova (ciclo B). Devemos saber ver a salvação de Deus, cobrir-nos como manto da justiça e revestir-nos do esplendor da glória do Senhor (ciclo C).

O 3º domingo apresenta os tempos messiânicos. Deus vem salvar-nos, a sua vinda está próxima, as curas são o sinal da sua presença (ciclo A). No meio de nós está alguém que não conhecemos. Exultamos pela presença de quem está marcado pelo Espírito (ciclo B). Um mais poderoso que João Batista deve chegar. Já está aqui. E esse o tempo da fraternidade e da justiça (ciclo C).

O 4º domingo do Advento anuncia a vinda iminente do Messias. José foi pré-advertido. Uma Virgem conceberá o Filho de Deus, Jesus Cristo, da estirpe de Davi (ciclo A). A noticia é comunicada a Maria. O trono de Davi será firme para sempre. O mistério calado por Deus durante séculos é agora revelado (ciclo B). Também Isabel agora sabe. De Judá sairá aquele que vai reger Israel. Ele vem para cumprir a vontade de Deus (ciclo C).

Extraído do livro
O ANO LITÚRGICO História, Teologia e Celebração