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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Festa de Santo Amaro 2015

Janeiro é o mês de Santo Amaro! Tão esperada por todos os seus devotos, chegou a Tradicional Festa do Glorioso Santo Amaro. Não sendo mais feriado no seu dia, que é dia 15 de janeiro este ano acontecerá de 15 a 18. Porém, os seus devotos acorrem de todas as partes para celebrar. Junte-se a nós, venha festejar Santo Amaro!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

SANTA MARIA, MÃE DE DEUS - a. D. 2014

“Bendita sejais, Virgem Maria!
Trouxestes no ventre Aquele que criou o universo!
Vós destes á luz quem vos criou
e permaneceis Virgem para sempre!”

No primeiro dia do ano civil, celebramos a Maternidade Divina, proclamada em Éfeso (séc. V) na grande questão cristológica. Maria deve ser chamada de Mãe de Deus, porque o seu filho é Deus. Jesus assumiu um corpo em Maria, semelhante ao nosso. “Aquele que nascer de ti”, como diz o anjo Gabriel, significa que o fruto da concepção procedia dela. Ele não é somente a criancinha frágil; mas o Deus forte, feito pequeno por nós! Por isso o povo de Deus saúda hoje a Virgem, com o título antiquíssimo de Mãe de Deus, isto é, mãe de Deus Filho!
O que a Igreja crê, professa, testemunha e celebra com todo o acerto e toda a piedade é que a sempre Virgem Maria é Mãe Santíssima do Deus Filho! Ele, Filho do Eterno Pai, fez-se realmente, como homem, filho de Maria Virgem, sem deixar de ser Deus! Ela trouxe no seu seio  a segunda pessoa da Santíssima Trindade, assim o divino e o humano encontraram-se para sempre, os céus e a terra abraçaram-se para nunca mais se deixarem.
Em Maria, a Virgem, o permanecer na virgindade exprime que ela sempre foi toda de Deus, absolutamente de Deus, em corpo e alma, em todo o seu ser, de modo constante e absoluto. O menino gerado é o Deus verdadeiro e sua Mãe faz parte do plano de salvação, pois “Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o Seu Filho, nascido de uma mulher…a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei!”.

“Virgem Santa e Imaculada,
não sei com que louvores poderei engrandecer-vos!
Pois Aquele a quem os céus não puderam abranger, repousou 
em Vosso seio. 
Sois Bendita entre as mulheres 
e bendito é o fruto que nasceu do vosso ventre!”

O primeiro dia do ano civil e dia da confraternização universal, a pedido do Papa Paulo VI, a ONU transformou em dia festivo para todas as nações... é Dia da Paz, dia da confraternização entre os povos, nações e culturas. Tenhamos cada vez mais sólida esta convicção: a paz que almejamos, a paz tão sonhada para o mundo e para a nossa vida, somente no Cristo poderá ser encontrada de modo definitivo e pleno!
Quanto mais alguém vive totalmente para o Senhor, mais fecundo se torna na sua vida e mais traz Jesus ao mundo; por isso a saudação que a Igreja hoje dirige a Nossa Senhora: “Salve, ó Santa Mãe de Deus, vós destes à luz o Rei que governa o céu e a terra pelos séculos dos séculos!
Hoje também, oitavo dia do Nascimento do Fruto do ventre da Virgem, a Igreja recorda a circuncisão do Menino, assim se cumpriu a profecia que Deus fizera a Abraão, nosso pai: “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o Seu
Filho, nascido de uma mulher, nascido sob a Lei!
Certamente, neste ano de 2014, oscilaremos entre as maiores alegrias e tristezas, teremos as nossas quedas e fracassos, assim como vitórias…mas o que realmente importa, é que estejamos com o Senhor, pois Ele estará sempre connosco.
Que este ano seja, como se colocava nos antigos documentos, “Ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo!”

sábado, 5 de novembro de 2011

Dia de todos os Santos

     
       Neste fim de semana, celebramos a solenidade de Todos os Santos, costume que vem já do séc. IX para toda a Igreja.
        A nota característica desta festa encontrámo-la no introito da missa: Alegremo-nos todos no Senhor e celebremos festivamente este dia em honra de Todos os Santos…

        É realmente uma festa de família para o Povo de Deus. Ao mesmo tempo que nos regozijamos com os nossos irmãos que já estão na glória sentimos o parentesco que nos une não apenas com todos quantos foram baptizados em Cristo mas também com aqueles homens do A.T. que hoje gozam de Deus no céu.
       É a festa da esperança. O pensamento do céu, nossa verdadeira pátria, (cfr. Heb 13, 14) dá mais seriedade aos nossos pensamentos e traz mais calma para as nossas penas fazendo-nos viver na intimidade dos que vivem no além a quem rezamos e que por nós oram.

LITURGIA DA PALAVRA

                                                          Primeira Leitura

      S. João, nesta visão, descreve-nos «a multidão imensa que ninguém pode contar» dos fiéis «os santos» na posse da felicidade eterna. Depois da «grande tribulação» o Senhor os acolhe dando-lhe um grande prémio.

* Apocalipse 7, 2-4.9-14
2Eu, João, vi um Anjo que subia do Nascente, trazendo o selo do Deus vivo. Ele clamou em alta voz aos quatro Anjos a quem foi dado o poder de causar dano à terra e ao mar: 3«Não causeis dano à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus». 4E ouvi o número dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. 9Depois disto, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. 10E clamavam em alta voz: «A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro». 11Todos os Anjos formavam círculo em volta do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres Vivos. Prostraram-se diante do trono, de rosto por terra, e adoraram a Deus, dizendo: 12«Amen! A bênção e a glória, a sabedoria e a acção de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amen!». 13Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me: «Esses que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e de onde vieram?». 14Eu respondi-lhe: «Meu Senhor, vós é que o sabeis». Ele disse-me: «São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro».

        Numa grandiosa visão, o vidente de Patmos deixa ver que no meio de tantas desgraças e ainda antes que cheguem as piores, as que correspondem à abertura do 7º selo (cap.8), os cristãos, que formam uma imensa multidão, estão sob a protecção de Deus, mesmo quando perseguidos e sujeitos ao martírio.
        2-4 «O selo (o sinete de marcar) do Deus vivo». Alusão ao timbre então usado pelos monarcas para imprimir o sinal de propriedade ou autenticidade: por vezes os escravos e soldados eram marcados na pele com um ferro em brasa. O símbolo está tomado destes costumes da época e sobretudo da profecia de Ezequiel (Ez 9, 4-6), por isso alguns Padres viram nesta marca, em forma de cruz (pela alusão ao tav de Ezequiel, a última consoante hebraica), o carácter baptismal. «Cento e quarenta e quatro mil» é um número simbólico; com efeito, os números do Apocalipse são habitualmente simbólicos, o que neste caso é evidente por se tratar de um jogo de números: 12 x 12000 (doze mil por cada uma das doze tribos de Israel). Estes 144.000, segundo uns, «representam toda a Igreja sem restrição» (Santo Agostinho), pois esta é o novo Israel de Deus (cf. Gal 6, 16) e são a mesma «multidão imensa que ninguém podia contar» (v. 9). Segundo outros, estes 144.000 são os cristãos procedentes do judaísmo, muito particularmente os que foram poupados das calamidades que assolaram a Palestina, por ocasião da destruição da nação judaica no ano 70.
       11 «Os (24) Anciãos». Há grande variedade de opiniões para decifrar este símbolo, não se podendo sequer estabelecer se se trata de seres angélicos ou humanos. Santo Agostinho diz que «são a Igreja universal; os 24 anciãos são os superiores jerárquicos e o povo: 12 representam os Apóstolos e os bispos, e os outros 12 representam o restante povo da Igreja». «Os 4 Viventes» (à letra, «animais»), uma tradução preferível a: «os 4 animais», uma vez que o terceiro tem rosto humano (cf. Apoc 4, 7). A quem representam estes seres misteriosos, que reúnem características dos querubins de Ez 1 e dos serafins se Is 6? Podem muito bem simbolizar os quatro pontos cardeais, ou os quatro elementos do mundo (terra, fogo, água e ar), isto é, a totalidade do Universo. Deste modo, a presente «visão» apresenta-nos, unidos numa única adoração e louvor a Deus e a Cristo, os Anjos, a Humanidade resgatada e o próprio Universo material. A interpretação segundo a qual os Quatro Seres simbolizam os Quatro Evangelistas deve-se a Santo Ireneu e é uma acomodação espiritual do texto inspirado.
         12 «Amen! Bênção, glória…»: Aqui, como ao longo de todo o Apocalipse, sente-se como a liturgia da Igreja faz eco à liturgia celeste, especialmente nas aclamações a Deus e ao Cordeiro.
        14 «A grande tribulação». Tanto se pode tratar duma perseguição aos cristãos mais violenta no fim dos tempos, como das perseguições e das tribulações em geral no curso da história da Igreja. Mas é provável que o vidente de Patmos tenha presente em primeiro plano, as violentas perseguições de Nero e Domiciano, muito embora englobando nestas todas as outras.
      «Lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro». «Não se designam só os mártires, mas todo o povo da Igreja – comenta Santo Agostinho –, pois não disse que lavaram as suas túnicas no seu próprio sangue, mas no sangue do Cordeiro, isto é, na graça de Deus, por Jesus Cristo Nosso Senhor, conforme está escrito: e o seu sangue purifica-nos (1 Jo 1, 7)».

Salmo Responsorial

Sl 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)

      Deus tudo colocou ao nosso serviço para melhor O servirmos e amarmos. Se soubermos fazer bom uso das criaturas elas proclamarão connosco as glórias do Senhor.

Refrão: ESTA É A GERAÇÃO DOS QUE PROCURAM O SENHOR.
Do Senhor é a terra e o que nela existe,
o mundo e quantos nele habitam.
Ele a fundou sobre os mares
e a consolidou sobre as águas.

Quem poderá subir à montanha do Senhor?
Quem habitará no seu santuário?
O que tem as mãos inocentes e o coração puro,
o que não invocou o seu nome em vão.

Este será abençoado pelo Senhor
e recompensado por Deus, seu Salvador.
Esta é a geração dos que O procuram,
que procuram a face de Deus.

                                              Segunda Leitura

        É ainda S. João quem nos vai recordar como seremos santos: vivendo a nossa condição de filhos de Deus. Mas cuidado porque podemos perder esta filiação por nossa culpa. Só no céu ela será indefectível e inamovível.

*1 São João 3, 1-3
Caríssimos: 1Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele. 2Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é. 3Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro.

    A leitura é um dos textos clássicos da filiação adoptiva divina, uma exigência constante de santidade.
         1 «E somo-lo de facto». S. João não se contenta com dizer que somos chamados filhos de Deus, o que bastaria para que um semita entendesse, pois para ele ser chamado (por Deus) equivalia a ser. S. João quer falar para que todos entendamos esta realidade sobrenatural que «o mundo», sem fé, não pode captar nem apreciar.
        2 A filiação divina capacita-nos para a glória do Céu, pois não é uma mera adopção legal e extrínseca, como a adopção humana de um filho. A adopção divina implica uma participação da natureza divina (cf. 2Pe 1, 4) pela graça. «Semelhantes a Deus», desde já; mas só na glória celeste se tornará patente o que já «agora somos». «O veremos tal como Ele é», esta é a melhor definição da infinda felicidade do Céu, de que gozam todos os Santos que hoje festejamos: contemplar a Deus tal qual Ele é, não apenas as suas obras, mas a Ele próprio, «face a face» (cf. 1 Cor 13, 12).
       3 «Purifica-se a si mesmo». A certeza da filiação divina conduz-nos à purificação e à imitação de Cristo, o Filho de Deus por natureza: «como Ele é puro»; efectivamente, os puros de coração hão-de ver a Deus(cf. Evangelho de hoje: Mt 5, 8).

Evangelho

* São Mateus 5, 1-12a
Naquele tempo, 1ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos 2e Ele começou a ensiná-los, dizendo: 3«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus.4Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. 5Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. 11Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. 12aAlegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

            As 8 bem-aventuranças, expressas na terceira pessoa do plural, têm em Mateus um carácter solene e universal, para todas as pessoas e para todos os tempos. Elas condensam a grande novidade do Evangelho, em contraste flagrante com o próprio pensamento religioso judaico então vigente, para já não falarmos do espírito mundano, hedonista do paganismo de então e do de agora. Elas não são expressão de uma «ética dos débeis», mas, pelo contrário, dum ideal de vida para almas fortes e generosas. As bem-aventuranças correspondem a uma ética que, quando vivida a sério, é capaz de renovar as pessoas e a sociedade, como o demonstra a vida de todos os santos.
           3 «Bem-aventurados». Esta tradução (em vez de «felizes») vinca a ideia de que o Senhor promete a felicidade na bem-aventurança eterna e, ao mesmo tempo, já nesta vida, ao dizê-la do presente: «deles é»(não diz «deles será»). As bem-aventuranças são o mais surpreendente código de felicidade, e não se trata de uma felicidade qualquer: é uma felicidade incomparável, interior e profunda, embora ainda não possuída de modo perfeito e completo na vida terrena.
              «Os pobres em espírito». «No Antigo Testamento, o pobre está já delineado não só como uma situação económico-social, mas como um valor religioso muito elaborado: é pobre quem se apresenta diante de Deus com uma atitude humilde, sem méritos pessoais, considerando a sua realidade de homem pecador, necessitado do perdão divino, da misericórdia de Deus para ser salvo. Daí que, além de viver com uma sobriedade e uma austeridade de vida reais, efectivas, ele aceita e quer tais condições de pobreza não como algo imposto pela necessidade, mas voluntariamente, com afecto (…). A ‘explicação’ de Mateus, em espírito, sublinha a exigência dessa mesma pobreza: não é pobre em espírito quem só o é obrigado pela sua situação económico-social, mas sim quem, além disso, é pobre querendo essa pobreza de modo voluntário (…). Esta atitude religiosa de pobreza está muito relacionada com a chamada infância espiritual. O cristão considera-se diante de Deus como um filho pequeno que não tem nada como propriedade; tudo é de Deus, o seu Pai, e a Ele lho deve. De qualquer modo, a pobreza em espírito, isto é, a pobreza cristã, exige o desprendimento dos bens materiais e uma austeridade no uso deles» (J. M. CASCIARO). Pode-se ver o belo comentário de São Leão Magno no ofício de leitura da 6ª feira da semana XXII do tempo comum.
         4 «Os humildes». A tradução preferiu um termo mais suave do que «os mansos», que são os que sofrem serenamente e sem ira, ódio ou abatimento, as perseguições injustas e as contrariedades. De facto só os humildes são capazes da virtude da mansidão, pois não dão demasiada importância a si próprios. A «terra» é a nova terra prometida, isto é, o Céu.
         5 «Os que choram», isto é, os aflitos, e muito particularmente os que têm o coração cheio de mágoa por terem ofendido a Deus e que, com vontade de reparação, choram e deploram os seus pecados.
          6 «Fome e sede de justiça». A ideia de justiça na Sagrada Escritura é uma ideia de natureza religiosa: justo é aquele que cumpre a vontade de Deus, e justiça corresponde a santidade, vocação a que todos são chamados.
         8 «Os puros de coração» são, em geral, os que têm uma intenção recta, os que são capazes de um amor puro, limpo e nobre, os que têm um olhar recto e são; está, portanto, englobada a castidade, mas não é só ela a ser referida aqui.
        9 «Os que promovem a paz» (uma tradução mais expressiva do que os pacíficos) são os que promovem a paz entre os homens e dos homens com Deus, fundamento sério de toda a paz no mundo.
        11-12 Depois das 8 bem-aventuranças anteriores, que formam um bloco (uma inclusão marcada pela fórmula «porque deles é o reino dos Céus»: vv. 3 e 10), há uma ampliação e uma aplicação directa aos ouvintes da 8ª e última bem-aventurança.

Com a Celebração de todos os Santos nós refletimos sobre:
1. Uma família de vivos
        Quando Pio XII resolveu escolher o dia 1 de Novembro de 1950 para solenemente definir o dogma da Assunção de Nossa Senhora ao Céu em corpo e alma, ou seja, o triunfo de Maria, nossa Mãe, não faltou quem lamentasse semelhante ideia dizendo que esse dia é um dia de tristeza e de saudade, é a festa dos mortos.
      Nada mais errado. Todos os Santos não é isso. Esta festa fala-nos do mundo invisível que os olhos não alcançam mas que sabemos pela fé ser uma realidade. Cremos que a multidão das almas que já estão reunidas ao redor de Jesus e de Maria, no Paraíso, formam a igreja do Céu, onde, na eternidade feliz, vêem a Deus como Ele é (Credo do Povo de Deus).
       Neste dia a Igreja levanta-nos o véu que nos separa do invisível deixando-nos antever o além para onde caminhamos: a perfeição do Corpo de Cristo, nos esplendores da intimidade com Deus; a felicidade sem fim, com Deus, de todos aqueles e aquelas que, como nós, caminharam e lutaram sobre a terra para realizar e fazer triunfar o programa evangélico das Bem-aventuranças: amor, justiça e paz.
        Neste dia celebramos com toda a Igreja (o Povo de Deus em marcha, a família dos redimidos) a alegria e a felicidade destes homens plenamente realizados que são os Santos. Não estão mortos, mas vivos. Pertencem não somente a todas as nações, tribos, povos e línguas (1.ª leit.), como ainda a todas as religiões e confissões. São uma multidão incontável. Cada qual escutou, na vida, o apelo das Bem-aventuranças. Cada qual, segundo a sua vida e à sua maneira, respondeu ao convite do Senhor. Hoje a Igreja mostra-no-los reunidos na unidade.
         O Papa teve razão ao escolher esta data para a proclamação da glória de Maria. Esta festa é uma antecipação da grande festa eterna à qual são convidados todos os homens de boa vontade. A Mãe de Jesus, já glorificada no céu em corpo e alma, é imagem e primícia da Igreja, que há-de atingir a sua perfeição no século futuro (L. G. 68). O espectáculo que se desenrolou, na Praça de S. Pedro, naquele dia, era a imagem clara daquilo que nos descreve S. João na 1.ª leitura. Ali se palpava a realidade do dogma da Igreja unida para cantar as glórias da Sua Mãe. Depois da Assunção da Mãe, haverá a Assunção dos filhos (Mons.Thèas). Agora apenas na alma. Depois também no corpo, como Ela.
Santos Martires

2.Santos Anónimos
       São milhares e milhares de pessoas em múltiplas actividades de voluntariado, nos hospitais, nas prisões, nos bairros degradados, junto dos sem-abrigo, dos que vivem sós, em suas casas ou nos Lares de Terceira Idade.
        Heróis anónimos são também as mães que se levantam muito cedo para levar os filhos ao infantário e deixar as refeições preparadas em casa, porque só vão regressar, à tardinha, depois de uma extenuante jornada de trabalho. São os pais que se desdobram numa luta pelo emprego, que já não está fácil, inventando, aqui e ali, alternativas para equilibrar os seus magros orçamentos. São os jovens, que resistindo aofacilitismo e à civilização do prazer efémero e do «deixa correr, que tudo isto é para gastar e gozar» se esforçam por fazerem o que a consciência lhes, dita, por ser fiéis aos valores familiares e cristãos que os seus antepassados lhes legaram.
         São os pescadores que todas as noites buscam no mar o pão de cada dia, indiferentes aos perigos que os cercam. São os agricultores que suportam as inclemências do tempo e tiram da terra, com suor e lágrimas, os alimentos de que todos precisamos.
          São os condutores de autocarros e comboios que sem liberdade para as suas divagações, se vergam com a responsabilidade de milhares de vidas nas suas costas. São os polícias chamados a acudir a quem precisa, não sabendo que perigos escondem para si, a escuridão e a maldade dos outros.
          São os médicos e enfermeiros que velam no silêncio de um qualquer hospital, a disposição de um pedido de ajuda. São também, milhares de homens e mulheres, com nome e rosto, de carne e osso como nós, com um futuro material risonho à sua frente, mas que, renunciam à família, ao dinheiro e ao protagonismo social para serem servos de todos, impulsionados pela sua fé sincera em Deus e em Jesus Cristo incarnado no outro, naquele que está ao nosso lado e que se descobre sempre como um irmão que importa ajudar hoje, com actos concretos de heroísmo, e não com piedosos sentimentos de compaixão.
        Refiram-se ainda, com acentuado toque de gratidão, no rol dos heróis anónimos, os dedicados e sacrificados professores, votados à tarefa espinhosa (diríamos até de alto risco) de educar crianças e jovens, com as suas traquinices e rebeldias, na rotina diária das nossas escolas, os muitos clérigos e religiosos a trabalhar em Instituições da igreja, que testemunham, por montes e vales, com modelares obras de solidariedade social, o verdadeiro humanismo cristão, acolhendo e tratando, com muito amor, com dedicação extrema, aqueles que a família e a sociedade lhes confiam, nos Lares, nos Centros de Dia. nos Jardins de Infância ou nos Hospitais.
          Afinal, este nosso mundo, não é assim tão mau como, às vezes o pintam. O mal, porque é uma anormalidade, vem mais vezes ao de cima, nos noticiários que nos entram em casa a toda a hora.
           Mas o bem, desinteressado e heróico, praticado por gente de todas as idades, em cada dia que passa, é igualmente uma consoladora realidade, a provar que Deus não abandona as suas criaturas.

3. A Comunhão dos Santos vivida em plenitude.
          Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo: dos que ainda peregrinam sobre a terra, dos defuntos que ainda estão em purificação e dos bem-aventurados do Céu, formando todos juntos uma só Igreja(Credo do Povo de Deus). O dogma da Comunhão dos Santos é dos mais consoladores da nossa fé, desde que rectamente entendido. Não tem nada de alienante nem de utópico.
          Os primeiros cristãos viveram-no como ninguém. O facto de colocarem tudo em comum, inclusive os próprios bens materiais (Apoc 4, 34), era a prova máxima desta vivência. Nas dificuldades e no pecado a reacção espontânea era de amor para com aquele irmão que estava em perigo, em dificuldade. E assim ele encontrava a força para reconhecer o seu pecado e, graças ao amor, corrigia-se.
          Do mesmo modo que a comunhão cristã, entre os que peregrinam neste mundo, nos coloca mais perto de Cristo, assim também a familiaridade com os santos nos une com Cristo, de Quem promana, como de Fonte e Cabeça, toda a graça e a própria vida do Povo de Deus (L. G. 50). Agora compreendemos melhor a razão porque a Igreja insiste tanto na celebração comunitária dos actos do culto a qual se deve preferir, na medida do possível, à celebração individual e como que privada (S.C. 27).
        A intercessão dos Santos apresenta-se sempre como um pedido e uma súplica. Nunca como um direito nem muito menos como um favor à margem da vontade de Deus. Importa «corrigir ou suprimir quaisquer abusos, excessos ou defeitos que acaso se tenham introduzido no culto dos Santos e que tudo se restabeleça ordenadamente para maior glória de Cristo e de Deus» (L. G. 51).
Comunhão de todos os Santos em Cristo


domingo, 17 de julho de 2011

16} Domngo do Tempo Comum - O joio e o Trigo.


Comentário ao Evangelho do dia feito por Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (África do Norte) e doutor da Igreja.

Discursos sobre os salmos, Sl 99, 8-9

«Então os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai»

            «Quando o que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir da imortalidade» (1 Co 15,54), então será a doçura perfeita, o júbilo perfeito, um louvor sem fim, um amor sem ameaças. [...] E aqui em baixo? Não experimentaremos nenhuma alegria? [...] Seguramente que encontraremos aqui em baixo a alegria; experimentaremos aqui, na esperança da vida futura, uma alegria da qual seremos plenamente saciados no céu.
             Mas é preciso que o trigo suporte muitas coisas no meio do joio. Os grãos são lançados à palha e o lírio cresce no meio dos espinhos. Com efeito, que foi dito à Igreja? «Tal como um lírio entre os cardos, assim é a minha amada entre as donzelas» (Ct 2,2). «Entre as donzelas», diz o texto, e não entre os estrangeiros. Ó Senhor, que consolações dás Tu? Que conforto? Ou melhor, que temor? Tu chamas espinhos às Tuas próprias donzelas? São espinhos, responde Ele, pela sua conduta, mas são donzelas pelos Meus sacramentos. [...]
            Mas onde deverá então o cristão refugiar-se para não gemer no meio de irmãos falsos? Para onde irá ele? Fugirá para o deserto? As ocasiões de queda para lá o seguirão. Distanciar-se-á, ele que progride bem, até não ter de suportar mais nenhum dos seus semelhantes? E se ninguém tivesse querido suportá-lo antes da sua conversão? Se, por conseguinte, sob o pretexto de que progride, não quer suportar ninguém, por isso mesmo é evidente que ainda não progrediu. Escutai bem estas palavras: «Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor. Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz» (Ef 4, 2-3). Não há em ti nada que o outro tenha de suportar?

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O Sacerdote na Celebração do Tríduo Pascal


Neste Semana Santa, Nicola Bux, professor de Liturgia Oriental e consultor de diversos dicastérios da Santa Sé, propõe uma substanciosa meditação litúrgica sobre os principais momentos e símbolos das celebrações próprias do tríduo pascal. As reflexões de Bux representam uma ajuda válida - oferecida tanto a sacerdotes como aos demais fiéis, em particular aos cooperadores da pastoral litúrgica - para nos aproximar dos mistérios divinos que estão sendo celebrados nesta semana, com espírito de fé contemplativa e de oração de adoração, e não de mero pragmatismo organizativo. Aproveitamos a ocasião para desejar aos nossos leitores uma Santa Páscoa, repleta de frutos de alegria interior e de conversão (Mauro Gagliardi).

A Carta aos Hebreus é o único texto do Novo Testamento que atribui ao nosso Senhor Jesus Cristo os títulos de “Sacerdote”, “Sumo Sacerdote” e “Mediador da Nova Aliança”, graças à oferenda do sacrifício do seu corpo, antecipado na Ceia mística da Quinta-Feira Santa, consumado sobre a cruz e apresentado ao Pai com a ressurreição e a ascensão ao céu (cf. Hb 9,11-15). Este texto é meditado na Liturgia das Horas da quinta semana da Quaresma – ou da Paixão, como no calendário litúrgico da forma extraordinária do Rito Romano – e na Semana Santa.

Nós, sacerdotes católicos, devemos sempre contemplar Cristo e ter os mesmos sentimentos d’Ele; esta ascese acontece com a conversão permanente. Como se realiza a conversão em nós, sacerdotes? No rito da ordenação nos é pedido o ensino da fé católica, não das nossas ideias; “celebrar com devoção dos mistérios de Cristo – isto é, a liturgia e os sacramentos – segundo a tradição da Igreja”, e não segundo o nosso gosto; sobretudo, “estar cada vez mais unidos a Cristo Sumo Sacerdote, que, como vítima pura, ofereceu-se ao Pai por nós”, isto é, conformar nossa vida segundo o mistério da Cruz.

A Santa Igreja honra o sacerdote e o sacerdote deve honrar a Igreja com a santidade da sua vida – este foi
o propósito de Santo Afonso Maria de Ligório no dia da sua ordenação –, com o zelo, com o trabalho e com o decoro. Ele oferece Jesus Cristo ao Pai Eterno e por isso deve estar revestido das virtudes de Jesus Cristo, para preparar-se para o encontro com o Santo dos Santos. Que importante é a preparação interior e exterior para a sagrada liturgia, para a Santa Missa! Trata-se de glorificar o Sumo e Eterno Sacerdote, Jesus Cristo.

Pois bem, tudo isso se realiza em grau máximo na Semana Santa, a Grande e Santa Semana, como dizem os orientais. Vejamos alguns dos seus principais atos, com base no cerimonial dos bispos.

1. Com a Missa in Cena Domini, da Quinta-Feira Santa, o sacerdote entra nos principais mistérios – a instituição da Santíssima Eucaristia e do sacerdócio ministerial –, assim como do mandamento do amor fraterno, representado pelo lavatório dos pés, gesto que a liturgia copta realiza ordinariamente cada domingo. Nada melhor para expressá-lo que o canto do Ubi caritas. Após a comunhão, o sacerdote, usando o véu umeral, sobre ao altar, faz a genuflexão e, ajudado pelo diácono, segura a píxide com as mãos cobertas pelo véu umeral. É o símbolo da necessidade de mãos e corações puros para aproximar-se dos mistérios divinos e tocar o Senhor!

2. Na Sexta-Feira Santa in Passione Domini, o sacerdote é convidado a subir ao Calvário. Às três da tarde, às vezes um pouco mais tarde, acontece a celebração da Paixão do Senhor, em três momentos: a Palavra, a Cruz e a Comunhão. Dirige-se em procissão e em silêncio ao altar. Depois de ter reverenciado o altar, que representa Cristo na austera nudez do Calvário, ele se prostra em terra: é a proskýnesis, como no dia da ordenação. Assim, expressa a convicção do seu nada diante da Majestade divina, e o arrependimento por ter se atrevido a medir-se, por meio do pecado, com o Onipotente. Como o Filho que se anulou, o sacerdote reconhece seu nada e assim tem início sua mediação sacerdotal entre Deus e o povo, que culmina na oração universal solene.

Depois se faz a ostensão e a adoração da Santa Cruz: o sacerdote se dirige ao altar com os diáconos e lá, em pé, ele a recebe e a descobre em três momentos sucessivos – ou a mostra já descoberta – e convida os fiéis à adoração, em cada momento, com as palavras: Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. Em sua descarnada solenidade, aqui, no coração do ano litúrgico, a tradição resistiu tenazmente mais que em outros momentos do ano.

O sacerdote, após ter depositado a casula, se possível descalço, aproxima-se primeiramente da Cruz, ajoelha-se diante dela e a beija. A teologia católica não teme em dar aqui à palavra “adoração” seu verdadeiro significado. A verdadeira Cruz, banhada com o sangue do Redentor, torna-se, por assim dizer, uma só coisa com Cristo e recebe a adoração. Por isso, prostrando-nos diante do lenho sagrado, nós nos dirigimos ao Senhor: “Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz redimistes o mundo”.

3. A Páscoa do Reino de Deus se realizou em Jesus: oferecida e consumida a Ceia, “na noite em que ia ser entregue”; imolada sobre o Calvário na Sexta-Feira Santa, quando “houve escuridão sobre toda a terra”, mais uma vez à noite recebe a consagração da aprovação divina, na ressurreição de Cristo Senhor: por João, sabemos que Maria Madalena se aproximou do sepulcro “bem de madrugada”; portanto, aconteceu nas últimas horas da noite após o sábado pascal.

No Novus Ordo, o sacerdote, desde o início da Vigília, está vestido de branco, como para a Missa. Ele abençoa a fogo e acende o círio pascal com o novo fogo, se procede, após ter aplicado, como na liturgia antiga, uma cruz. Depois grava sobre o lado vertical da cruz a letra grega alfa e, abaixo, a letra omega; entre os braços da cruz, faz a incisão de quatro algarismos para indicar o ano em curso, dizendo: Cristo ontem e hoje. Depois, feita a incisão da cruz e dos demais sinais, pode aplicar no círio cinco grãos de incenso, dizendo: Por suas santas chagas. Depois, cantando o Lumen Christi, guia a procissão rumo à igreja. O sacerdote está à cabeça do povo dos fiéis aqui na terra, para poder guiá-lo ao céu.

É o sacerdote que entoa solenemente Eis a luz de Cristo!. Ele o canta três vezes, elevando gradualmente o tom da voz: o povo, depois de cada vez, repete-o no mesmo tom. Na liturgia batismal, o sacerdote, estando de pé diante da fonte, abençoa a água, cantando a oração: Ó Deus, por meio dos sinais sacramentais; enquanto invoca: Desça, Pai, sobre esta água, pode introduzir nela o círio pascal, uma ou três vezes.

O significado é profundo: o sacerdote é o órgão fecundador do seio eclesial, simbolizado pela fonte batismal. Verdadeiramente, na pessoa de Cristo Cabeça, ele gera filhos que, como pai, fortifica com o crisma e nutre com a Eucaristia. Também em razão destas funções maritais com relação à Igreja esposa, o sacerdote não pode senão ser homem. Todo o sentido místico da Páscoa se manifesta na identidade sacerdotal, chegando à plenitude, o plếroma, como diz o Oriente. Com ele, a iniciação sacramental chega ao cume e a vida cristã se torna o centro.

Portanto, o sacerdote, que subiu com Jesus à cruz na Sexta-Feira Santa e desceu ao sepulcro no Sábado Santo, no Domingo de Páscoa pode afirmar realmente com a sequência: “Sabemos que Cristo verdadeiramente ressuscitou dentre os mortos”.

Fonte: Zenit

sábado, 9 de abril de 2011

Quinto Domingo da Quaresma - 10/04/2011


Queridos irmão se irmãs, paz e bem em Cristo Jesus!

         Depois de uma caminhada - mais ou menos longa - chegamos à Celebração do quinto e "ultimo" domingo do Tempo da Quaresma. Nestes três últimos domingos (contando com este), fomos agraciados com techos do Evangelho de São João que nos revelaram, ou melhor, tentaram nos revelar a Verdadeira Face de Deus por meio das atitudes de Jesus: Jo 4, 5-42 (Samaritana - III Domingo), Jo 9, 1-41 (Cego de Nascença - IV Domingo) e, o de hoje, Jo 11, 1-45 (Ressureição de Lázaro - V Domingo). São uma sequência de textos que, se bem compreendidos por nós, poderão nos auxiliar na compreensão de nosso Deus.
       Neste V domingo, a Palavra de Deus que nos é proposta, nos apresenta o poder de Deus de fazer voltar à vida aqueles para os quais a vida parece ter terminada. 
         Na primeira leitura (Ez 37, 12-14), encontramos o Profeta animando a Comunidade que está no Exílio da Babilônia e, por conta disso, não consegue enxergar possibilidades de ter sua vida de volta. O Exílio é como uma experiência de morte aonde o povo se vê como um "cadáver" dentro da sepultura. Tal experiência "parece" sem saída pois, "para aqueles que descem à sepultura, tudo está terminado!" É neste momento, que o Profeta Ezequiel pronuncia as palavras da leitura deste domingo: Deus vai abrir a tal sepultura para retirar de lá o seu povo, levando-o de volta para a sua terra. Esta atitude de Deus levará o povo a reconhecê-Lo como único Senhor. O Seu Espírito será derramado sobre o povo e, este voltará à vida (que, diga-se de passagem, o povo achava que não possuiria mais). Isto tudo será possível porque Javé é o Deus que diz e faz o que diz!
       Esta leitura do Profeta nos faz perceber que não há situação complicada que não seja solucionada por nosso Deus. Ele é o Deus que não conhece o impossível e, mesmo quando não vemos saída, para Ele sempre haverá. Mesmo que nossas vidas estejam "aparentemente" mortas, o poder de Deus nos fará reviver. É só ouví-Lo e, "sair de nossas sepulturas" para onde os nossos pecados nos conduziu.

       Em sintonia com a profecia de Ezequiel, está o Evangelho de João narrando, para nós, o episódio da "Ressurreição de Lázaro". O Evangelho de João é profundamente teológico e, para que o compreendamos melhor, será preciso mergulhar no sentido que se encontra para além do texto escrito. É isso que tentaremos fazer a partir de agora.
        Um primeiro ponto que deve nos chamar a atenção é o retrato de família que nos é revelado pelo texto: não há pais, filhos, filhas mas, tão somente, irmãos (Marta, Maria e Lázaro). Daí, podemos entender que tal família é símbolo da própria Comunidade dos Seguidores de Jesus (para a qual, João escreve o seu Evangelho) e, que não admite relações de superiores/inferiores mas, aonde todos são iguais/irmãos. Esta Família-Comunidade está passando por uma situação que põe em xeque a fé no Deus que Jesus revelou: a doença e, consequentemente, a morte de um de seus membros. Como acreditar que o nosso Deus é o Deus da Vida quando um dos nossos "irmãos" adoece e, pior, morre? Aonde está Deus que não vem em socorro dos seus? Porém, o que a Comunidade/Família não entende é que este tipo de situação pode "servir para a maior glorificação de Deus". Às vezes, Deus demora, parece não escutar nosso clamor mas, é preciso entender que Ele sabe o porquê não nos atende na hora que O chamamos. É preciso perceber a necessidade de "caminhar de dia para não tropeçar" e, caminhar de dia implica em "caminhar na Luz" que é o próprio Deus (cura do cego de nascença do domingo passado, Cristo é a Luz de nossos olhos).
      O Evangelho de hoje revela que Deus tem o seu momento e o seu jeito de agir. Nós, devemos nos conformar a Ele. Para a Comunidade/Família, Lázaro está morto há 04 dias (tempo suficiente para se considerar a morte como verdadeira, sem volta) mas, para Deus/Jesus, não há impossível (primeira leitura).
Outro fator importante ocorre quando Jesus chega a Betânia: as irmãs e os amigos estão em casa, sofrendo, chorando, desesperados pelo acontecido. Jesus não entra neste meio que demonstra ausência total de fé no Deus da Vida. Ele espera, "fora" deste espaço, que os que lá estão "saiam" para se encontrarem com Ele. Fora desta influência de "desespero", de "ausência de fé", Jesus pode travar um diálogo com Marta, uma das irmãs do morto e, neste diálogo vai, aos poucos, lhe abrindo os olhos da fé (tal qual havia feito com a Samaritana e o Cego de Nascença nas duas últimas semanas): Jesus é a Água Viva, a Luz e, hoje, a Ressurreição e a Vida! É preciso crer para ver suas maravilhas realizadas em nós e, por nós, no nosso mundo. A experiência de Fé de Marta a conduz a sua irmã Maria e, motivada por ela, Maria vai ao encontro de Jesus, saindo de sua prostração e lamento/ausência de fé. O Encontro com Maria leva Jesus ao choro (de seu rosto rolaram as lágrimas) porém, o choro de Jesus é completamente diferente dos demais: estes, choram de desespero/ausência de fé e, Jesus chora de compaixão.
        Esta Compaixão levará Jesus a fazer algo em benefício da Comunidade, suscitando-lhe a Fé Verdadeira. Jesus é Aquele para o qual não há impossibilidades (realização plena das ações de Deus no primeiro testamento). é preciso abrir o túmulo (algo estranho). Se não dermos ouvidos "às loucuras de Deus", não poderemos ver a sua glória. Apesar de cheirar mal (faz 04 dias que está morto) é preciso coragem para "rolar a pedra da entrada do túmulo aonde a Vida jaz" e, experimentar que o nosso Deus é o Deus da Vida e não da morte. Jesus é o Enviado do Pai para realizar as Suas Obras. À Voz de Jesus que chama o morto, este sai da sepultura para o "espanto" de todos os presentes. Agora, é preciso desatar e deixar o "vivo" livre para andar direito e seguir o Mestre.
      Fazer esta experiência com o Deus da Vida nos faz passar da "vida segundo a carne para vida segundo o Espírito" (segunda leitura - Rm 8, 8-11). Esta passagem da carne para o Espírito no sgarante que "apesar de termos uma vida marcada pela dor, pela morte, o nosso Espírito estará cheio de Vida, graças à Justiça de Deus". É preciso fazer a experiência para reconhecer esta Verdade da Palavra de Deus deste quinto domingo da quaresma. Não nos fechemos à tal experiência!

OREMOS:

          Ó Deus de Amor e de Bondade, nós Te louvamos, bendizemos e agradecemos porque só Tu és o Deus da Vida e, tudo que fazes é para nos revelar esta Verdade. Agradecemos porque, quando estamos no fundo do poço, em nossas sepulturas, podemos escutar a Sua doce Voz a nos convidar: "Vem para fora!" Te pedimos que esta Caminhada Quaresmal tenha nos conduzido a este Encontro Pessoal e Verdadeiro contigo e, que a nossa Vida possa Te revelar a todos (as) que nos cercam! Isto Te pedimos, pelos merecimentos de nosso Senhor Jesus Cristo, na Unidade do Espírito Santo! Amém!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Programação da Quaresma e Semana Santa


Quaresma


Dia 30/03 – Quarta-feira = Via-Sacra pública nos Bairros João Paulo II e Alice Batista, Saindo da Capela de São Francisco as 19h.

Dia 06/04 – Via-Sacra pública no Bairro N. Sra. da Conceição, saindo de frente da capelinha de N. Sra, as 19h.

Dia 12/04- Mutirão de confissão na Matriz: tarde e noite.

Dia 13/04 – Via-Sacra pública nno Bairro de Santo Amaro, saindo da Capela de Santo Amaro as 19h.

Todas as sextas as19h, via sacra na Matriz e depois a Santa Missa.


Semana Santa

Dia 17 – Domingo de Ramos
 10h – Procissão e missa em Demaracação
 16h – Procissão, saindo da Capela de São Francisco, para a Igreja Matriz e depois missa de Ramos.

Dia 18 (Segunda-feira santa) – Viagem a Nova Jerusalém para assistir o espetáculo a Paixão de Cristo.

Dia 19 (Terça-feira Santa) – Via-Sacra pública no centro da cidade.

Dia 20 (quarta-feira de trevas) – Celebração Penitencial na Matriz as 19:30h.

Dia 21 (quinta-feira da Ceia do Senhor)
 - Viagem a Olinda para a Missa do Santo Crisma as 7h da manha.
 -Celebração da Ceia do Senhor e Lava-pés, na Matriz as 19:30h.

- Sexta-feira da Paixão
 06h- Via-Sacra pública saindo da matriz até o Alto do Cruzeiro.
 12h- Programa especial na Rádio Amaraji-Fm.
 15h- Celebração da Paixão do Senhor na Igreja matriz.
 Após a missa, procissão do Senhor morto.
 Ás 20h- Apresentação do filme: “a Paixão de Cristo”, na Matriz.

- Sábado de Aleluia
 Ás 21h- Vigília Pascal na Igreja matriz.

- Domingo da Ressurreição
 19h- Missa da Ressurreição na Igreja Matriz.



domingo, 3 de abril de 2011

Quarto Domingo da Quaresma - 3 de abril de 2011


Filhos da Luz

A Liturgia de hoje continua a CATEQUESE BATISMAL da Quaresma. - Vimos o símbolo da ÁGUA, com o episódio da Samaritana. - Hoje prossegue o tema da LUZ, com a cura do cego. - E veremos no próximo domingo o tema da VIDA, com a ressurreição de Lázaro...

As Leituras nos lembram a Luz da fé recebida no Batismo com a vela acesa na mão, e também nos exortam a "viver na Luz".

Na 1ª leitura Davi é UNGIDO para rei de Israel. (1Sm 16,1b.6-7.10-13a) * A Unção de Davi, eleito pessoalmente por Deus, é figura profética da Unção Batismal dos cristãos.

Na 2ª Leitura, Paulo salienta a necessidade de viver como filhos da "Luz", renunciando as obras das trevas e produzindo frutos de bondade, justiça e verdade (Ef 5,8-14)

No Evangelho, Jesus UNGE um cego com "Barro", revelando-se como a "Luz do Mundo", que veio libertar os homens das trevas. (Jo 9,1-41) São João costuma tomar um fato da vida de Jesus como ponto de partida para desenvolver um tema básico da mensagem cristã. A cura do cego descreve o processo de fé de um homem, que vai passando das trevas da cegueira, para a luz da visão, e desta para a Luz da fé em Cristo.

O "Cego" é símbolo de todos os homens que renascem pela fé, acolhendo a Jesus (no Batismo) e deixando-se conduzir pela sua palavra.

+ Tudo começa com uma PERGUNTA dos discípulos a Jesus: - "Por que esse homem nasceu cego?" Seria castigo de Deus? Quem pecou? - Jesus RESPONDE: "Nem ele, nem seus Pais pecaram..." E continua a sua resposta, passando das palavras aos atos.

Na CURA, para dar a "Luz" ao cego, Jesus usa um método estranho: Com saliva faz "barro" na terra, unge com esse barro os olhos do cego e manda lavar-se na piscina de Siloé. A cura não é imediata: requer a cooperação do enfermo. - A disponibilidade do cego sublinha a sua adesão à proposta de Jesus. - O banho na piscina do "enviado" é uma alusão à "Água de Jesus". - Lembra também a água do BATISMO para quem quiser sair das trevas para viver na luz, como Filhos de Deus...

Depois, o Evangelho coloca em cena vários PERSONAGENS:

- Os VIZINHOS percebem o dom da vida que vem de Jesus, mas não dão o passo definitivo para ter acesso à Luz. Representam os que percebem a proposta libertadora de Jesus, mas não estão dispostos a sair da sua vidinha, para ir ao encontro da "Luz".

- Os FARISEUS conhecem a "luz", mas se recusam em aceitá-la. Acusam-no de transgredir a lei do sábado e expulsam o cego da sinagoga. Representam aqueles que conhecem a novidade de Jesus, mas não estão dispostos a acolhê-lo e até hostilizam os seus seguidores.

- Os PAIS constatam o fato, mas evitam comprometer-se... É a atitude de MEDO dos que não tem coragem de passar das trevas para a Luz. Preferem a segurança da ordem estabelecida, do que correr riscos...

- O CEGO é questionado pelas AUTORIDADES sobre a origem de Jesus. E ele, como "pessoa iluminada", mostra-se: Livre (diz o que pensa...); corajoso (não se intimida); sincero (não renuncia à verdade); suporta a violência (é expulso da sinagoga).

- JESUS reaparece no fim: vai ao seu encontro, inicia um DIÁLOGO, que culmina com um belo ato de fé do cego: "Eu creio, Senhor".

+ A Transformação do cego é progressiva: - Antes de se encontrar com Jesus, é um homem prisioneiro das "trevas", dependente e limitado. "Não sabe quem o curou"... - Depois, a "luz" vai brilhando aos poucos na sua vida. Forçado pelos dirigentes a renegar a "luz" e a liberdade recebida, recusa-se a regressar à escravidão...

- Finalmente, encontrando-se com Jesus, que lhe pergunta: "Acreditas no Filho do Homem", manifesta sua adesão total: "Creio, Senhor". Prostra-se e o adora. * O Caminho de fé do cego é um itinerário para todo cristão: O Encontro com Jesus ... a Adesão à "Luz" e um progressivo amadurecimento no Conhecimento de Cristo. Esse caminho desemboca na adesão total a Jesus, ao ser lavado pelas águas batismais.

+ O Prefácio da missa sintetiza: "Jesus conduziu à Luz da fé a humanidade que caminhava nas trevas. E elevou à dignidade de filhos os escravos do pecado, fazendo-os renascer das águas do Batismo".

Nesta Quaresma, somos convidados a viver a experiência catecumenal, renovando o nosso Batismo, mediante o Sacramento da Penitência. Quanto mais buscamos Jesus como "Luz", mais nossa vida terá sentido. Com Jesus, a Luz da Vida jamais perderá o seu brilho.

Como o cego, renovemos a nossa fé, cantando: Deixa a luz do céu entrar! (ou Creio, Senhor...) (Fonte: B. N. Aguas)

terça-feira, 22 de março de 2011

Tempo da Quaresma


         Na linguagem corrente, a Quaresma abrange os dias que vão da Quarta-feira de Cinzas até ao Sábado Santo. Contudo, a liturgia propriamente quaresmal começa com o primeiro Domingo da Quaresma e termina com o sábado antes do Domingo da Paixão.

         A Quaresma pode se considerar, no ano litúrgico, o tempo mais rico de ensinamentos. Lembra o retiro de Moisés, o longo jejum do profeta Elias e do Salvador. Foi instituída como preparação para o Mistério Pascal, que compreende a Paixão e Morte (Sexta-feira Santa), a Sepultura (Sábado Santo) e a Ressurreição de Jesus Cristo (Domingo e Oitava da Páscoa).

         Data dos tempos apostólicos a Quaresma como sinônimo de jejum observado por devoção individual na Sexta-feira e Sábado Santos, e logo estendido a toda a Semana Santa. Na segunda metade do século II, a exemplo de outras igrejas, Roma introduziu a observância quaresmal em preparação para a Páscoa, limitando porém o jejum a três semanas somente: a primeira e quarta da atual Quaresma e a Semana Santa.
          A verdadeira Quaresma com os quarenta dias de jejum e abstinência de carne, data do início do século IV, e acredita-se que, para essa instituição, tenham influído o catecumenato e a disciplina da penitência pública.
          O jejum consistia originariamente numa única refeição tomada à tardinha; por volta do século XV tornou-se uso comum o almoço ao meio-dia. Com o correr dos tempos, verificou-se que era demasiado penosa a espera de vinte e quatro horas; foi-se por isso introduzindo o uso de se tomar alguma coisa à tarde, e logo mais também pela manhã, costume que vigora ainda hoje. O jejum atual, portanto, consiste em tomar uma só refeição diária completa, na hora de costume: pela manhã, ao meio-dia ou à tarde, com duas refeições leves no restante do dia.
         A Igreja prescreve, além do jejum, também a abstinência de carne, que consiste em não comer carne ou derivados, em alguns dias do ano, que variam conforme determinação dos bispos locais.
        No Brasil são dias de jejum e abstinência a quarta-feira de cinzas e a sexta-feira santa. Por determinação do episcopado brasileiro, nas sextas-feiras do ano (inclusive as da Quaresma, exceto a Sexta-feira Santa) fica a abstinência comutada em outras formas de penitência.
        Praticar a abstinência é privar-se de algo, não só de carne. Por exemplo, se temos o hábito diário de assistir televisão, fumar, etc, vale o sacrifício de abster-se destes itens nesses dias. A obrigação de se abster de carne começa aos 15 anos. A obrigação de jejuar, limitando-se a uma refeição principal e a duas mais ligeiras no decurso do dia, vai dos 21 aos 59 anos. Quem está doente (e também as mulheres grávidas) não está obrigado a jejuar.

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“Todos pecamos, e todos precisamos fazer penitência”, afirma São Paulo. A penitência é uma virtude sobrenatural intimamente ligada à virtude da justiça, que “dá a cada um o que lhe pertence”: de fato, a penitência tende a reparar os pecados, que são ultrajes a Deus, e por isso dívidas contraídas com a justiça divina, que requer a devida reparação e resgate. Portanto, a penitência inclina o pecador a detestar o pecado, a repará-lo dignamente e a evitá-lo no futuro.

A obrigatoriedade da penitência nasce de quatro motivos principais, a saber:

1º. - Do dever de justiça para com Deus, a quem devemos honra e glória, o que lhe negamos com o nosso pecado;

2º.- da nossa incorporação com Cristo, o qual, inocente, expiou os nossos pecados; nós, culpados, devemos associar-nos a ele, no Sacrifício da Cruz, com generosidade e verdadeiro espírito de reparação.

3º.- Do dever de caridade para com nós mesmos, que precisamos descontar as penas merecidas com os nossos pecados e que devemos, com o sacrifício, esforçar-nos por dirigir para o bem as nossas inclinações, que tentam arrastar-nos para o mal;

4º.- do dever de caridade para com o nosso próximo, que sofreu o mau exemplo de nossos pecados, os quais, além disso, lhe impediram de receber, em maior escala, os benefícios espirituais da Comunhão dos Santos.

Vê-se daí quão útil para o pecador aproveitar o tempo da Quaresma para multiplicar suas boas obras, e assim dispor-se para a conversão.

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Segundo os Santos Padres, a Quaresma é um período de renovação espiritual, de vida cristã mais intensa e de destruição do pecado, para uma ressurreição espiritual, que marque na Páscoa o reinício de uma vida nova em Cristo ressuscitado.
          A Quaresma tem por escopo primordial incitar-nos à oração, à instrução religiosa, ao sacrifício e à caridade fraterna. Recomenda-se por isso a freqüência às pregações quaresmais, a leitura espiritual diária, particularmente da Paixão de Cristo, no Evangelho ou em outro livro de meditação.
          O jejum e abstinência de carne se fazem para que nos lembremos de mortificar os nossos sentidos, orientando-os particularmente ao sincero arrependimento e emenda de nossos pecados.
          A caridade fraterna — base do Cristianismo — inclui a esmola e todas as obras de misericórdia espirituais e corporais.
Fonte: Missal Romano

Quais são as Obras de Misericórdia?

Corporais

1. Dar de comer a quem tem fome.
2. Dar de beber a quem tem sede.
3. Vestir os nus
4. Dar pousada aos peregrinos
5. Assistir aos enfermos.
6. Visitar os presos.
7. Enterrar os mortos.

Espirituais

1. Dar bom conselho.
2. Ensinar os ignorantes.
3. Corrigir os que erram.
4. Consolar os tristes.
5. Perdoar as injúrias.
6. Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo.
7. Rogar a Deus por vivos e defuntos.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O tempo do Advento



Introdução

A palavra "advento" quer dizer "que está para vir". O tempo do Advento é para toda a Igreja, momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. É tempo de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor, como uma noiva que se enfeita, se prepara para a chegada de seu noivo, seu amado.

O Advento começa às vésperas do Domingo mais próximo do dia 30 de Novembro e vai até as primeiras vésperas do Natal de Jesus contando quatro domingos.

Esse Tempo possui duas características: As duas últimas semanas, dos dias 17 a 24 de dezembro, visam em especial, a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós. Nas duas primeiras semanas, a nossa expectativa se volta para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, Salvador e Senhor da história, no final dos tempos. Por isto, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa.

                                                                    Origem

Há relatos de que o Advento começou a ser vivido entre os séculos IV e VII em vários lugares do mundo, como preparação para a festa do Natal. No final do século IV na Gália (atual França) e na Espanha tinha caráter ascético com jejum abstinência e duração de 6 semanas como na Quaresma (quaresma de S. Martinho). Este caráter ascético para a preparação do Natal se devia à preparação dos catecúmenos para o batismo na festa da Epifania. Somente no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto escatológico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor e passou a ser celebrado durante 5 domingos.

Só após a reforma litúrgica é que o Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas. A Igreja entendeu que não podia celebrar a liturgia, sem levar em consideração a sua essencial dimensão escatológica.

                                                      Teologia do Advento

O Advento recorda a dimensão histórica da salvação, evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão e nos insere no caráter missionário da vinda de Cristo. Ao serem aprofundados os textos litúrgicos desse tempo, constata-se na história da humanidade o mistério da vinda do Senhor. Jesus que de fato se encarna e se torna presença salvífica na história, confirmando a promessa e a aliança feita ao povo de Israel. Deus que, ao se fazer carne, plenifica o tempo (Gl 4,4) e torna próximo o Reino (Mc 1,15) . O Advento recorda também o Deus da revelação, Aquele que é, que era e que vem (Ap 1, 4-8), que está sempre realizando a salvação mas cuja consumação se cumprirá no "dia do Senhor", no final dos tempos. O caráter missionário do Advento se manifesta na Igreja pelo anúncio do Reino e a sua acolhida pelo coração do homem até a manifestação gloriosa de Cristo. As figuras de João Batista e Maria são exemplos concretos da missionariedade de cada cristão, quer preparando o caminho do Senhor, quer levando o Cristo ao irmão para o santificar. Não se pode esquecer que toda a humanidade e a criação vivem em clima de advento, de ansiosa espera da manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus.

A celebração do Advento é, portanto, um meio precioso e indispensável para nos ensinar sobre o mistério da salvação e assim termos a Jesus como referencia e fundamento, dispondo-nos a "perder" a vida em favor do anúncio e instalação do Reino.

                                                    Espiritualidade do advento

A liturgia do Advento nos impulsiona a reviver alguns dos valores essenciais cristãos, como a alegria expectante e vigilante, a esperança, a pobreza, a conversão.

Deus é fiel a suas promessas: o Salvador virá; daí a alegre expectativa, que deve nesse tempo, não só ser lembrada, mas vivida, pois aquilo que se espera acontecerá com certeza. Portanto, não se está diante de algo irreal, fictício, passado, mas diante de uma realidade concreta e atual. A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo mas que só se consumará definitivamente na parusia do Senhor. Por isso, o brado da Igreja característico nesse tempo é "Marana tha"! Vem Senhor Jesus!

O tempo do Advento é tempo de esperança porque Cristo é a nossa esperança (I Tm 1, 1); esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas, na vida eterna, esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições, etc.

O Advento também é tempo propício à conversão. Sem um retorno de todo o ser a Cristo não há como viver a alegria e a esperança na expectativa da Sua vinda. É necessário que "preparemos o caminho do Senhor" nas nossas próprias vidas, "lutando até o sangue" contra o pecado, através de uma maior disposição para a oração e mergulho na Palavra.

No Advento, precisamos nos questionar e aprofundar a vivência da pobreza. Não pobreza econômica, mas principalmente aquela que leva a confiar, se abandonar e depender inteiramente de Deus (e não dos bens terrenos), que tem n'Ele a única riqueza, a única esperança e que conduz à verdadeira humildade, mansidão e posse do Reino.

                                                    As Figuras do Advento:
ISAIAS
             É o profeta que, durante os tempos difíceis do exílio do povo eleito, levava a consolação e a esperança. Na segunda parte do seu livro, dos capítulos 40 - 55 (Livro da Consolação), anuncia a libertação, fala de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim, os exilados.
             As principais passagens deste livro são proclamadas durante o tempo do Advento num anúncio perene de esperança para os homens de todos os tempos.

JOÃO BATISTA
            É o último dos profetas e segundo o próprio Jesus, "mais que um profeta", "o maior entre os que nasceram de mulher", o mensageiro que veio diante d'Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (conf. Lc 7, 26 - 28), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1, 76s).
            A figura de João Batista ao ser o precursor do Senhor e aponta-lO como presença já estabelecida no meio do povo, encarna todo o espírito do Advento; por isso ele ocupa um grande espaço na liturgia desse tempo, em especial no segundo e no terceiro domingo.
           João Batista é o modelo dos que são consagrados a Deus e que, no mundo de hoje, são chamados a também ser profetas e profecias do reino, vozes no deserto e caminho que sinaliza para o Senhor, permitindo, na própria vida, o crescimento de Jesus e a diminuição de si mesmo, levando, por sua vez os homens a despertar do torpor do pecado.

MARIA
         Não há melhor maneira de se viver o Advento que unindo-se a Maria como mãe, grávida de Jesus, esperando o seu nascimento. Assim como Deus precisou do sim de Maria, hoje, Ele também precisa do nosso sim para poder nascer e se manifestar no mundo; assim como Maria se "preparou" para o nascimento de Jesus, a começar pele renúncia e mudança de seus planos pessoais para sua vida inteira, nós precisamos nos preparar para vivenciar o Seu nascimento em nós mesmos e no mundo, também numa disposição de "Faça-se em mim segundo a sua Palavra" (Lc 1, 38), permitindo uma conversão do nosso modo de pensar, da nossa mentalidade, do nosso modo de viver, agir etc.

Em Maria encontramos se realizando, a expectativa messiânica de todo o Antigo Testamento.

JOSÉ
         Nos textos bíblicos do Advento, se destaca José, esposo de Maria, o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adotivo de Jesus. Ao ser da descendência de Davi e pai legal de Jesus, José tem um lugar especial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de "Filho de Davi".

José é justo por causa de sua fé, modelo de fé dos que querem entrar em diálogo e comunhão com Deus.

                                        A Celebração do Advento

O Advento deve ser celebrado com sobriedade e com discreta alegria. Não se canta o Glória, para que na festa do Natal, nos unamos aos anjos e entoemos este hino como algo novo, dando glória a Deus pela salvação que realiza no meio de nós. Pelo mesmo motivo, o diretório litúrgico da CNBB orienta que flores e instrumentos sejam usados com moderação, para que não seja antecipada a plena alegria do Natal de Jesus.

As vestes litúrgicas (casula, estola etc) são de cor roxa, bem como o pano que recobre o ambão, como sinal de conversão em preparação para a festa do Natal com exceção do terceiro domingo do Advento, Domingo da Alegria ou Domingo Gaudete, cuja cor tradicionalmente usada é a rósea, em substituição ao roxo, para revelar a alegria da vinda do libertador que está bem próxima e se refere a segunda leitura que diz: Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos, pois o Senhor está perto.(Fl 4, 4).

Vários símbolos do Advento nos ajudam a mergulhar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo. Entre eles há a coroa ou grinalda do Advento. Ela é feita de galhos sempre verdes entrelaçados, formando um círculo, no qual são colocadas 4 grandes velas representando as 4 semanas do Advento. A coroa pode ser pendurada no prebistério, colocada no canto do altar ou em qualquer outro lugar visível. A cada domingo uma vela é acesa; no 1° domingo uma, no segundo duas e assim por diante até serem acesas as 4 velas no 4° domingo. A luz nascente indica a proximidade do Natal, quando Cristo salvador e luz do mundo brilhará para toda a humanidade, e representa também, nossa fé e nossa alegria pelo Deus que vem. O círculo sem começo e sem fim simboliza a eternidade; os ramos sempre verdes são sinais de esperança e da vida nova que Cristo trará e que não passa. A fita vermelha que enfeita a coroa representa o amor de Deus que nos envolve e a manifestação do nosso amor que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus. A cor roxa das velas nos convida a purificar nossos corações em preparação para acolher o Cristo que vem. A vela de cor rosa, nos chama a alegria, pois o Senhor está próximo. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá.

Podemos também, em nossas casas, com as nossas famílias, mergulhar no espírito do Advento celebrando-o com a ajuda da coroa do Advento que pode ser colocada ao lado da mesa de refeição.


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

o mal dos abusos litúrgicos.

por Mons. Vincent Foy

Tradução: Emerson de Oliveira
 
"A liturgia tem suas leis que devem ser respeitadas." - Papa João Paulo II, em 8 de março de 1997.


       A crise litúrgica foi fermentada por um longo tempo. Em 1973, o Arcebispo Robert Dwyer de Portland, Oregon, escreveu: "alguns homens e mulheres cristãos sinceros em seus milhares e milhões estão reagindo contra o empobrecimento e degradação da liturgia, reagindo contra tantas exposições da liderança enfraquecida ou incerta" (Catholic Priests’ Association Bulletin ] Inglaterra [, vol. I e II, 1973, p. 42).

Algumas queixas importantes

       A Instrução "Inaestimabile Donum" ("Dom Inestimável"), de 3 de abril de 1980, enumera algumas das aberrações litúrgicas reportadas em diversas partes do mundo católico. Entre elas estão a confusão de papéis, principalmente em relação ao ministério sacerdotal e do papel dos leigos (divisão indiscriminada das recitações das Orações Eucarísticas, homilias feitas por leigos, leigos distribuindo a Comunhão no lugar do sacerdote); uma crescente perda do sentido do sagrado (abandono das vestes litúrgicas, a Eucaristia celebrada fora da Igreja sem real necessidade, falta de reverência e respeito pelo Santíssimo Sacramento, etc); incompreensão da natureza eclesial da Liturgia (o uso de textos particulares, a proliferação de Orações Eucarísticas não aprovadas, a manipulação dos textos litúrgicos com fins sociais e políticos).
         A lista de outros abusos, sem serem menores, é longa: há uma recusa em dar a comunhão na língua, ou para aqueles que estão ajoelhados; curvar-se, em vez de se ajoelhar, após a elevação; dar as mãos durante o Pai Nosso; a injustificável "dança litúrgica"; deixar o santuário para dar o beijo da paz; mudar, acrescentar ou omitir palavras do cânon da Missa.
        Entre outros horrores litúrgicos estão padres vestidos de palhaço e missas com música rock, e a conseqüente profanação da igreja como um lugar sagrado. Há também as missas anuais "Chamada para Ação", às vezes com a presença de bispos, sacerdotes, religiosos e leigos, em que todos dizem as palavras da consagração.
       A atrocidade recente foi a "Missa Tyme", em Londres, na Inglaterra, durante a qual os jovens dançavam em uma atmosfera de clube noturno, um jovem fez a homilia e pães de sésamo foram consagrados em tigelas de cerâmica.
         Uma prática comum atual destrutiva da fé e da moral é a recepção por todos, ou quase todos, da Sagrada Comunhão. Isto em um momento em que os pecados sexuais estão desenfreados e nossos confessionários estão desertos. Muitos até mesmo tem sido levados por sacerdotes a acreditar erroneamente que a Missa perdoa os pecados mortais.

É necessário mais reverência

A importância da liturgia, o culto público da Igreja, dificilmente pode ser exagerada. O trabalho da liturgia é a nossa santificação e salvação. Através dela vamos do pecado à graça, da Terra ao céu. A Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Concílio Vaticano II nos diz

"É através da liturgia, especialmente no Sacrifício divino da Eucaristia, que se cumpre a obra de nossa redenção." (Introdução, n. 2).

     Nenhuma ação privada é comparável ao culto litúrgico: "Toda celebração litúrgica, porque é uma ação de Cristo sacerdote e do seu Corpo, que é a Igreja, é uma ação sagrada que ultrapassa todas as outras." (Ibid., n. 7).
        A liturgia não só oferece graça e salvação, mas também é um veículo da revelação divina, uma preservadora e mestra da doutrina, a catequista por excelência, instruindo e ensinando sobre questões de fé. "Lex orandi, lex credendi", a lei da oração ou culto é também a lei ou a transportadora de nossa crença. O Papa Pio XII referiu-se à liturgia como "o principal órgão do Magistério da Igreja."
       A medida da caridade no mundo pode ser amplamente avaliada pela medida do culto litúrgico. O Papa João Paulo II afirmou o elo essencial entre a Eucaristia e a vitalidade espiritual e apostólica da Igreja. (Dominicae Cenae, 24 de fevereiro de 1980, n. 4).

A Liturgia e a Lei

A Igreja guarda a liturgia e a protege com o direito litúrgico. Ela faz isso com a autoridade delegada por Deus.

O regulamento da sagrada liturgia depende unicamente da autoridade da Igreja, isto é, na Sé Apostólica e, conforme a lei, o bispo. (Vaticano II, Constituição Dogmática sobre a Sagrada Liturgia, n. 22).

Os bispos e conferências episcopais têm autoridade apenas sobre a liturgia que é expressamente autorizada.
      Nenhuma outra pessoa, nem mesmo um padre, pode acrescentar, renovar ou mudar alguma coisa na liturgia por sua própria autoridade. (Ibid.).
      A razão para isto é que os serviços litúrgicos pertencem a todo o Corpo da Igreja ... manifestem-se e têm efeitos sobre ela. (ibid., n. 26).
      A lei litúrgica é encontrada em diversos instrumentos. O Código de Direito Canônico não é uma fonte primária. Ele diz: Para a maior parte, o Código não determina os ritos a serem observados na celebração de ações litúrgicas. (C. 2).

No entanto, ele sanciona leis litúrgicas, tais como:
          As obras litúrgicas, aprovadas pela autoridade competente, devem ser fielmente seguidas na celebração dos Sacramentos. Assim ninguém pode, por uma iniciativa pessoal, adicionar, omitir ou alterar alguma coisa nesses livros. (C. 846,1).
      O corpo principal da lei litúrgica é espalhado ao longo de centenas de instruções, declarações, cartas apostólicas, notas e outros documentos. Existe a Constituição do Concílio Vaticano e as três Instruções sobre a Correta Aplicação da Constituição sobre a Sagrada Liturgia. Existe a Instrução Geral do Missal Romano. Livros litúrgicos como o Lecionário, o breviário e ritos dos sacramentos, todos contém suas leis específicas.
        A lei litúrgica não é ordenada para restringir a liberdade de culto, mas para melhorá-la, para assegurar tanto a verdade e a beleza da oração pública. Há um resumo maravilhosamente conciso de doutrina e lei litúrgica no Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 1066-1209. Ele responde às perguntas: por que a Liturgia? Quem celebra a Liturgia? Como a liturgia é celebrada? Quando a liturgia é celebrada? Onde a liturgia é celebrada?

O mal intrínseco do abuso litúrgico

São Tomás de Aquino escreveu:
        Aquele que oferece culto a Deus em nome da Igreja, de forma contrária ao que é previsto pela Igreja com a autoridade de Deus... é culpado de falsificação. (Summa Theologica, II-II, q. 93, a. 1).

É uma violação do primeiro mandamento. O padre se torna um impostor.

       Abusos são também uma forma de niilismo litúrgico. A humildade da adoração é substituída pelo orgulho, pela desobediência de serviço. Escândalo edificação e substitui o guardião se torna um destruidor.
       O que deveria ser uma fonte de graça se torna uma ocasião de pecado; o que deveria ser um ato de amor divino torna-se o cheiro da morte. Nas palavras do Papa Paulo VI:
      Qualquer coisa que se afasta deste padrão (de lealdade para com a vontade da Igreja, como expresso em seus preceitos, normas e estruturas), mesmo que tenha uma atratividade especiosa, distorce a realidade espiritual aos fiéis, e faz com que o Ministério do sacerdotes se torne inerte e estéril. (Diretório para Missas para grupos especiais)

Os efeitos de abusos litúrgicos

A Instrução "Inaestimabile Donum" aponta quatro grandes maus resultados que podem vir a se tornarem abusos litúrgicos:

1. A unidade da fé e do culto é prejudicada.

       Os abusos litúrgicos muitas vezes inculcam erros morais junto com seus desvio das rubricas. A prática em algumas igrejas de dizer "todos estão convidados para a mesa" ensina que a Missa perdoa os pecados mortais ou que o estado de graça não é necessário para a recepção a Sagrada Comunhão.
       O iconoclasmo em nossas igrejas diminuiu a devoção à nossa Mãe Santíssima e dos santos. A Igreja ensina que as imagens sagradas em nossas igrejas e as casas são destinadas a despertar e alimentar a nossa fé no mistério de Cristo. Através do ícone de Cristo e Sua obra de salvação, é Ele a quem adoramos. Através de imagens sagradas da Santa Mãe de Deus, dos anjos e dos santos, veneramos as pessoas representadas. (Catecismo da Igreja Católica, 1193).

2. Abusos litúrgicos trazem incerteza doutrinária.

Isso é feito de inúmeras formas. Às vezes, o tabernáculo está tão escondido que as palavras de Maria Madalena poderia aplicar-se: "Levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram." (João 20, 13). Cristo é ignorado pela falta de genuflexão quando a norma estabelece isso, por ficar em pé durante a Consagração, por falta de fazer um sinal de adoração em receber a Sagrada Comunhão. Cristo é ignorado pelo convívio na igreja. Ignorar uma pessoa é tratá-lo como inexistente. Assim, o terreno é definido por erros doutrinais como transignificação e transfinalização em vez da verdade da Transubstanciação.
        Quando a reverência, o decoro, o recolhimento e temor legítimo desaparecem das nossas igrejas, a igreja se torna um lugar de fé diminuída. No rito introdutório para a dedicação de uma igreja, lemos: "Este é um lugar de reverência, que é casa de Deus, a porta do Céu, e ele será chamado a corte real de Deus." Devemos comportar-nos em conformidade .

3. Abusos litúrgicos causam escândalo e confusão entre o Povo de Deus.

As pessoas e até mesmo os padres são, muitas vezes, profundamente ofendidas por violações litúrgicas. Um velho sacerdote que gastou sua vida sacerdotal nas missões, voltando para visitar a sua Casa-Mãe, ficou escandalizado ao ver seus confrades celebrando a Santa Missa sem alva da comunidade ou do próprio Cristo. Um pastor associado que treinou coroinhas para se ajoelharem diante do Santíssimo Sacramento ouviu o pastor proibí-los de fazê-lo porque era "pré-Vaticano II". Os pastores estão escandalizados com os associados que violem a liturgia e vice-versa, causando problemas ou tensão na reitoria.

4. Abusos litúrgicos trazem "uma inevitabilidade de reação violenta".

Alguns são confusos e choram em silêncio. Em muitos casos, a reação é uma crítica amarga com raiva, ressentimento, ou um profundo sentimento de traição. Alguns param de ir à missa. Alguns criticam a Igreja de modo que seus filhos estão alienados da fé. Toda aberração litúrgica estabelece sua própria cadeia de reações negativas por uma espécie de lei trágica.

A cura

Obviamente, os abusos litúrgicos são eliminadas através da observância do direito litúrgico. Este remédio é a prova de um direito. O canon 214 do Código de Direito Canônico diz que

"Os fiéis têm o direito de adorar a Deus de acordo com as disposições do seu próprio rito aprovado pelos pastores legítimos da Igreja."

       A lei diz claramente onde está a responsabilidade. Em sua diocese, a correção dos abusos litúrgicos é da obrigação do bispo (cf. C.392.2). Sob a autoridade do bispo, o pároco deve dirigir a liturgia em sua própria paróquia, e ele é obrigado a "estar em guarda contra os abusos." (C. 528,2).
        Para obter a correção de um abuso, deve ser suficiente chamar a atenção do pároco a uma aberração. Se nada for feito, deve ser levado ao conhecimento do bispo. Se a lei e reparação da Igreja fossem observados, não seria um abuso litúrgico.
        Então, qual é a cura? Quando os pastores não pastoreiam, o remédio, inadequado, deve ser encontrado na nossa reação pessoal. Alguns veem os abusos como uma cruz e penitência. Outros legitimamente vão para outra paróquia ou a uma igreja de outro rito ou uma Missa Tridentina
       A tragédia é que alguns, em sua angústia e revolta, param de ir à igreja e se juntam aos milhões que têm perdido a fé no mundo. Toda a responsabilidade não é deles!

Abusos litúrgicos e igrejas vazias

        O abuso litúrgico é o grande inimigo da prática da Igreja e uma reencarnação do Modernismo. São Pio X falou sobre "a pérfida trama dos católicos liberais." Na ordem moral, os católicos liberais pedem a liberdade da restrição sexual, o direito a sexo pré-marital, a contracepção, o divórcio, a prática homossexual e a o aborto. Na ordem litúrgica, toma a forma de liberdade do direito rubrical.
       A liturgia é tão ligada à autoridade e à hierarquia apostólica fundada por Cristo que, sem ela "não haveria o culto público como o catolicismo entende a liturgia." (Pe. João Hardon, SJ, "O Catecismo Católico", Doubleday & Co., p. 450).

Sobre o autor:

Um dos maiores heróis da Igreja Católica no Canadá é, sem dúvida, o monsenhor Vincent N. Foy. O monsenhor Foy é um sacerdote e advogado cânonico da arquidiocese de Toronto, ex-chefe do tribunal matrimonial arquidiocesano e um dos fundadores e membro honorário da Canon Law Society do Canadá . Ele é o mais antigo padre em sua arquidiocese, o único sacerdote sobrevivente da classe de 1939 do Seminário de Santo Agostinho.

Extraído de http://www.missiomariae.net/m-liturgy/257-the-evil-of-liturgical-abuse.html