segunda-feira, 22 de março de 2010

O Uso santificante da Veste Eclesiástica: a Batina

Eis aqui um texto do Padre Jaime Tovar Patrón:

              Esta breve coleção de textos nos recorda a importância do uniforme sacerdotal, a batina ou hábito talar. Valha outro tanto para o hábito religioso próprio das ordens e congregações. Em um mundo secularizado, da parte dos consagrados não há melhor testemunho cristão que a vestimenta sagrada nos sacerdotes e religiosos.

“SETE EXCELÊNCIAS DA BATINA.”
        “Atente-se como o impacto da batina é grande ante a sociedade, que muitos regimes anticristãos a têm proibido expressamente. Isto nos deve dizer algo. Como é possível que agora, homens que se dizem de Igreja desprezem seu significado e se neguem a usá-la?”
              Hoje em dia são poucas as ocasiões em que podemos admirar um sacerdote vestindo sua batina. O uso da batina, uma tradição que remonta a tempos antiqüíssimos, tem sido esquecido e às vezes até desprezado na Igreja pós-conciliar. Porém isto não quer dizer que a batina perdeu sua utilidade, se não que a indisciplina e o relaxamento dos costumes entre o clero em geral é uma triste realidade.
          A batina foi instituída pela Igreja pelo fim do século V com o propósito de dar aos seus sacerdotes um modo de vestir sério, simples e austero. Recolhendo, guardando esta tradição, o Código de Direito Canônico impõe o hábito eclesiástico a todos os sacerdotes.
            Contra o ensinamento perene da Igreja está a opinião de círculos inimigos da Tradição que tratam de nos fazer acreditar que o hábito não faz o monge, que o sacerdócio se leva dentro, que o vestir é o de menos e que o sacerdote é o mesmo de batina ou à paisana.
           Sem dúvida a experiência mostra o contrário, porque quando há mais de 1500 anos a Igreja decidiu legislar sobre este assunto foi porque era e continua sendo importante, já que ela não se preocupa com ninharias.
            Em seguida expomos sete excelências da batina condensadas de um escrito do ilustre Padre Jaime Tovar Patrón

1ª RECORDAÇÃO CONSTANTE DO SACERDOTE
               Certamente que, uma vez recebida a ordem sacerdotal, não se esquece facilmente. Porém um lembrete nunca faz mal: algo visível, um símbolo constante, um despertador sem ruído, um sinal ou bandeira. O que vai à paisana é um entre muitos, o que vai de batina, não. É um sacerdote e ele é o primeiro persuadido. Não pode permanecer neutro, o traje o denuncia. Ou se faz um mártir ou um traidor, se chega a tal ocasião. O que não pode é ficar no anonimato, como um qualquer. E logo quando tanto se fala de compromisso! Não há compromisso quando exteriormente nada diz do que se é. Quando se despreza o uniforme, se despreza a categoria ou classe que este representa.

2ª PRESENÇA DO SOBRENATURAL NO MUNDO
               Não resta dúvida de que os símbolos nos rodeiam por todas as partes: sinais, bandeiras, insígnias, uniformes… Um dos que mais influencia é o uniforme. Um policial, um guardião, é necessário que atue, detenha, dê multas, etc. Sua simples presença influi nos demais: conforta, dá segurança, irrita ou deixa nervoso, segundo sejam as intenções e conduta dos cidadãos.
                 Uma batina sempre suscita algo nos que nos rodeiam. Desperta o sentido do sobrenatural. Não faz falta pregar, nem sequer abrir os lábios. Ao que está de bem com Deus dá ânimo, ao que tem a consciência pesada avisa, ao que vive longe de Deus produz arrependimento.
              As relações da alma com Deus não são exclusivas do templo. Muita, muitíssima gente não pisa na Igreja. Para estas pessoas, que melhor maneira de lhes levar a mensagem de Cristo do que deixar-lhes ver um sacerdote consagrado vestindo sua batina? Os fiéis tem lamentado a dessacralização e seus devastadores efeitos. Os modernistas clamam contra o suposto triunfalismo, tiram os hábitos, rechaçam a coroa pontifícia, as tradições de sempre e depois se queixam de seminários vazios; de falta de vocações. Apagam o fogo e se queixam de frio. Não há dúvidas: o “desbatinamento” ou “desembatinação” leva à dessacralização.

3ª É DE GRANDE UTILIDADE PARA OS FIÉIS
         O sacerdote o é não só quando está no templo administrando os sacramentos, mas nas vinte e quatro horas do dia. O sacerdócio não é uma profissão, com um horário marcado; é uma vida, uma entrega total e sem reservas a Deus. O povo de Deus tem direito a que o auxilie o sacerdote. Isto se facilita se podem reconhecer o sacerdote entre as demais pessoas, se este leva um sinal externo. Aquele que deseja trabalhar como sacerdote de Cristo deve poder ser identificado como tal para o benefício dos fiéis e melhor desempenho de sua missão.

4ª SERVE PARA PRESERVAR DE MUITOS PERIGOS
           A quantas coisas se atreveriam os clérigos e religiosos se não fosse pelo hábito! Esta advertência, que era somente teórica quando a escrevia o exemplar religioso Pe. Eduardo F. Regatillo, S.I., é hoje uma terrível realidade.
           Primeiro, foram coisas de pouca monta: entrar em bares, lugares de recreio, diversão, conviver com os seculares, porém pouco a pouco se tem ido cada vez a mais.
         Os modernistas querem nos fazer crer que a batina é um obstáculo para que a mensagem de Cristo entre no mundo. Porém, suprimindo-a, desapareceram as credenciais e a mesma mensagem. De tal modo, que já muitos pensam que o primeiro que se deve salvar é o mesmo sacerdote que se despojou da batina supostamente para salvar os outros.
          Deve-se reconhecer que a batina fortalece a vocação e diminui as ocasiões de pecar para aquele que a veste e para os que o rodeiam. Dos milhares que abandonaram o sacerdócio depois do Concílio Vaticano II, praticamente nenhum abandonou a batina no dia anterior ao de ir embora: tinham-no feito muito antes.

5ª AJUDA DESINTERESSADA AOS DEMAIS
         O povo cristão vê no sacerdote o homem de Deus, que não busca seu bem particular se não o de seus paroquianos. O povo escancara as portas do coração para escutar o padre que é o mesmo para o pobre e para o poderoso. As portas das repartições, dos departamentos, dos escritórios, por mais altas que sejam, se abrem diante das batinas e dos hábitos religiosos. Quem nega a uma monja o pão que pede para seus pobres ou idosos? Tudo isto está tradicionalmente ligado a alguns hábitos. Este prestígio da batina se tem acumulado à base de tempo, de sacrifícios, de abnegação. E agora, se desprendem dela como se se tratasse de um estorvo?

6ª IMPÕE A MODERAÇÃO NO VESTIR
         A Igreja preservou sempre seus sacerdotes do vício de aparentar mais do que se é e da ostentação dando-lhes um hábito singelo em que não cabem os luxos. A batina é de uma peça (desde o pescoço até os pés), de uma cor (preta) e de uma forma (saco). Os arminhos e ornamentos ricos se deixam para o templo, pois essas distinções não adornam a pessoa se não o ministro de Deus para que dê realce às cerimônias sagradas da Igreja.
           Porém, vestindo-se à paisana, a vaidade persegue o sacerdote como a qualquer mortal: as marcas, qualidades do pano, dos tecidos, cores, etc. Já não está todo coberto e justificado pelo humilde hábito religioso. Ao se colocar no nível do mundo, este o sacudirá, à mercê de seus gostos e caprichos. Haverá de ir com a moda e sua voz já não se deixará ouvir como a do que clamava no deserto coberto pela veste do profeta vestido com pêlos de camelo.

7ª EXEMPLO DE OBEDIÊNCIA AO ESPÍRITO E LEGISLAÇÃO
        Como alguém que tem parte no Santo Sacerdócio de Cristo, o sacerdote deve ser exemplo da humildade, da obediência e da abnegação do Salvador. A batina o ajuda a praticar a pobreza, a humildade no vestiário, a obediência à disciplina da Igreja e o desprezo das coisas do mundo. Vestindo a batina, dificilmente se esquecerá o sacerdote de seu importante papel e sua missão sagrada ou confundirá seu traje e sua vida com a do mundo.
           Estas sete excelências da batina poderão ser aumentadas com outras que venham à tua mente, leitor. Porém, sejam quais forem, a batina sempre será o símbolo inconfundível do sacerdócio, porque assim a Igreja, em sua imensa sabedoria, o dispôs e têm dado maravilhosos frutos através dos séculos.

Carta sobre a oração

AUTOR: Bruno Forte
(arcebispo de “Chieti-Vasto”)

TRADUZIDO POR:
Nilton Francisco
(seminarista da Arquidiocese de Olinda e Recife)

          Perguntas, porque rezar? Respondo-te, para viver. Porque, com efeito, para viver de verdade tens que rezar. Por quê? Porque para viver tens que amar. Uma vida sem amor não é vida. É solidão vazia, é cárcere e é tristeza. Só quem ama vive de verdade. E somente ama quem se sente amado, alcançado e transformado pelo amor. Assim, como a planta não pode florescer e dar seus frutos, se não recebe os raios do sol, também o coração humano não pode abrir-se à vida verdadeira e plena se não é alcançado pelo amor. Agora sim, o amor nasce e vive do encontro com o amor de Deus, o maior e mais verdadeiro de todos os amores possíveis; mais ainda: o amor que está mais além de qualquer definição que possamos dar e de todas nossas possibilidades. Ao rezar nos deixamos amar por Deus e nascemos ao amor. Portanto, quem ama vive no tempo e para a eternidade.
         E quem não reza? Quem não reza corre o risco de morrer interiormente, porque cedo ou tarde lhe faltará o ar para respirar, o calor para viver, a luz para ver, o alimento para crescer e a alegria que dá sentido à existência. Me dizes: mas, eu não sei rezar? Me perguntas: como se reza? Te respondo: começa a dar um pouco do teu tempo a Deus. No começo não importará que esse tempo seja muito, mas que seja dado com fidelidade, cotidianamente, quando o sintas e quando não. Busca um lugar tranquilo, se possível tenha algum sinal que remeta à presença de Deus. Medita em silêncio, invoca ao Espírito Santo para que seja ele quem diga em ti: “Abbá, Pai”. Eleva a Deus teu coração, ainda que esteja confuso. Não tenhas medo de dizer-lhe tudo: tuas dificuldades e tua dor, teu pecado e tua incredulidade, e também tua rebelião e tua oposição, se assim te sentes.
           Abandonando-se todo nas mãos de Deus, recorde que Ele é Pai-Mãe no amor, que todo te recebe, toda tua pessoa, todo te ilumina, todo te salva. Escuta seu silêncio. Não queira receber respostas rápidas. Persevera. Como o profeta Elias, caminha no deserto para o monte de Deus. E quando te aproximares dele, não o busque no vento, no trovão ou no fogo, em sinais de força ou de grandeza, mas na voz sutil do silêncio. Não pretendas possuí-lo, deixa, ao contrário, que passe por tua vida e por teu coração, que toque tua alma e se deixe contemplar por ti, embora sejas passivo desta ação.
           Escuta a voz do seu silêncio. Escuta sua palavra de vida. Abre a Bíblia e medita com amor. Deixa que a palavra de Jesus fale ao coração de teu coração. Leia os salmos, onde encontrará expressado tudo o que querias dizer-lhe. Escuta os apóstolos e os profetas. Apaixone-se com a história dos patriarcas, do povo escolhido e da igreja nascente. Quando escutares a palavra de Deus, siga caminhando pelos atalhos do silêncio, desejando que o Espírito te una a Cristo, palavra eterna do Pai. No começo, poderá te parecer que o tempo é exagerado. Persevera com humildade, dando a Deus o tempo que puderes dar, mas, nunca menos do que estabeleceste poder dar-lhe cada dia. Verás que, pouco a pouco, tua fidelidade se verá premiada. E perceberás que, pouco a pouco, crescerá em ti o gosto pela oração: o que no início te parecia inalcançável, se tornará cada vez mais fácil e belo, perfeito. Compreenderás que o que conta não é obter respostas, mas, se por à disposição de Deus. E verás que tudo o que pressentes na oração pouco a pouco se irá transfigurando.
             Quando fores rezar com o coração agitado, se perseverares, perceberás que mesmo rezando longamente não obterás respostas as tuas interrogações, mas elas vão derretendo-se como a neve ante o sol. E em teu coração irromperá uma grande paz: a paz de estar nas mãos de Deus e de deixar-te conduzir com docilidade por ele até o lugar que te preparou. Então, teu coração renovado poderá cantar um cântico novo, e o “Magnificat” de Maria estará espontaneamente em teus lábios e será cantado pela silenciosa eloquência de tuas obras.

           Sem dúvida, não faltarão momentos de dificuldades. Às vezes não poderás calar o ruído que te rodeia e o que está em ti; às vezes sentirás o cansaço e até o desagrado de rezar; às vezes tua sensibilidade preferirá qualquer outra coisa a estar em oração frente a Deus, como se esse fosse só “tempo perdido”. Sentirás, finalmente, as tentações do maligno, que tratará de separar-te do Senhor, de distanciar-te da oração. Não temas. As mesmas provas que tu vives as experimentaram os santos, muito mais opressoras. Persevera, resiste e recorda que a única coisa que realmente podemos dar a Deus é a prova de nossa fidelidade. Com a perseverança salvarás teu coração e tua vida.
         Chegará depois a hora da “noite escura”, quando tudo te parecerá árido ou inclusive absurdo nas coisas de Deus. Não temas. Este é o momento em que Deus luta junto a ti: remove todo o pecado na confissão humilde e sincera de tuas culpas e busca o perdão sacramental. Dê a Deus mais do seu tempo. Deixe que a noite dos sentidos e do espírito se converta para ti na hora da participação na paixão do Senhor. Neste ponto Jesus mesmo carregará a cruz contigo e te conduzirá consigo até a alegria da páscoa. Não te assombrará, então, descobrir quão amável é essa noite, já que a verás transformada para ti em noite de amor, inundada pela alegria da presciência do amado.
          Não tenhas medo, portanto, das provas e das dificuldades da oração. Recorda somente que Deus é fiel e não permitirá nunca uma prova sem saída, não deixará nunca que sejas tentado sem dar-te força para suportar e vencer. Deixa-te amar por Deus. Como uma gota d’água que se evapora sob os raios do sol e sobe para voltar a terra como chuva fecunda ou orvalho consolador, deixa assim que teu ser seja esculpido por Deus, plasmado pelo amor das três pessoas divinas, absorvido e restituído à história como presente fecundo. Deixa que a oração faça crescer em ti a liberdade de todo medo, o valor e a audácia do amor, a fidelidade às pessoas que Deus te confiou e às situações nas quais te puseste, sem buscar evasões e consolos medíocres. Aprende, a rezar, a viver a paciência de esperar os tempos de Deus que não são os nossos, e a seguir seus caminhos, que tão pouco são os nossos.
           Um dom especial, fruto da fidelidade na oração, será o amor pelos demais e o sentido de Igreja. Quanto mais rezes, maior misericórdia sentirás pelos demais, mais quererás ajudar a quem sofre, mais terás fome e sede de justiça para com todos, especialmente com os mais pobres e débeis, mais levarás em consideração os pecados dos outros para completar em ti o que falta à paixão de cristo. Ao rezar, sentirás como é belo estar na barca de Pedro, solidário, sustentado pela oração de todos, disposto aos demais com gratuidade, sem pedir nada em troca. Ao rezar sentirás crescer em ti a paixão pela unidade do corpo de Cristo de toda a família humana.
             Ao rezar se aprende a rezar, e se gosta dos frutos do espírito que dão verdade e beleza à vida. Ao rezar, se transforma no amor; e a vida cobra sentido à perfeição que Deus quis. Ao rezar se adverte a urgência de levar o evangelho a todos, até os últimos confins da terra. Ao rezar se descobrem os infinitos dons do Amado e se aprende a dar-lhe graças por tudo. Ao rezar se vive. Ao rezar se ama, se louva.
             Se tivesse, então, que te desejar o presente mais precioso, se quisesse pedi-lo a Deus para ti, não hesitaria em solicitar o dom da oração. Se o peço. E não hesito em pedir a Deus para mim. E parati. Que a paz de Nosso senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam contigo. E tu neles, porque ao rezar entrarás no coração de Deus, escondido com Cristo nele, envolvido em seu amor eterno, fiel e sempre novo. E já sabes que quem reza com Jesus e nele, quem reza a Jesus ou ao Pai ou invoca seu Espírito, não está rezando a um Deus genérico e distante. Desde o Pai, por meio de Jesus, graças ao Espírito, cada um receberá o dom perfeito, o mais oportuno, o que foi preparado desde sempre. É o presente que nos espera.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Sâo José, o Varão a quem Deus o chamou de Pai


Há certos homens, ao longo da História, cuja grandeza ultrapassa qualquer lenda e esgota mesmo a mais rica capacidade de imaginação.
                   Tais homens parecem ser objeto de uma especial predileção de Deus, o qual Se compraz em adornar cuidadosamente suas almas com o brilho das virtudes e de raríssimos dons. Predestinados desde o nascimento, sua vida se desenvolve em meio a aventuras extraordinárias e assombrosas que ora lhes favorecem o desempenho da missão, ora levantam-se como obstáculos intransponíveis, dando ocasião a lances de confiança e audácia que tornam suas pessoas ainda mais dignas de admiração.

                   No Antigo Testamento encontramos narrativas dessas a cada passo.
Extasiamo-nos diante do poder de um Moisés, que com o simples gesto de levantar seu cajado dividiu as águas do mar em duas gigantescas muralhas líquidas; ou perante a serena autoridade de Josué, que não duvidou em dar ordens ao próprio sol para deter o seu curso. Mais adiante, impressionam-nos a força de Sansão, ao carregar nos ombros as portas de Gaza, e o zelo ardoroso do profeta Elias, fazendo cessar a chuva durante três anos. A todos eles a Providência Divina concedeu o domínio sobre a natureza, essa fé que move montanhas e as faz saltar como cabritos...Tais prodígios sublinhavam o poder justiceiro do Criador e visavam, sobretudo, educar uma humanidade manchada pelo pecado original, sobre a qual ainda não se haviam derramado os benefícios da Redenção.

Em todas as obrigações que, como pai, lhe
competiam, São José praticou de forma
excelsa a virtude da fortaleza.

Uma nova economia da graça

            Chegada a plenitude dos tempos, as manifestações da onipotência divina, longe de diminuir, atingiram um auge de profundidade e esplendor.
             No Novo Testamento, porém, a grandeza se esconde muitas vezes sob os véus da comum existência humana, e isso é permitido por Deus para aumentar nossos méritos e acrisolar ainda mais nossa fé.
              O exemplo paradigmático dessa nova economia da graça, nós o vemos realizar-se num varão cuja vida transcorreu na humildade e no silêncio, mas que mereceu ouvir dos lábios do Homem-Deus o doce nome de pai! Sem dúvida, Moisés, ao abrir o mar em duas partes, ou Josué, ao parar o sol, marcaram de forma indelével as futuras gerações. Mas, o que é ter sujeitado os elementos, criaturas inanimadas, diante da honra suprema de ser obedecido por Aquele de quem canta o salmista: "Mais forte que o bramido das ondas caudalosas, mais poderoso que o rebentar das vagas, é o Senhor lá nas alturas" (Sl 92, 4), e que mais tarde foi visto por Malaquias quando disse: "Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o Sol da Justiça trazendo salvação em suas asas" (Ml 3, 20)? O que significa ter carregado às costas as portas de Gaza, em confronto com a glória de estreitar nos braços Aquele que afirmou de Si mesmo: "Eu sou a porta das ovelhas" (Jo 10, 7)? Caberá alguma comparação entre o profeta que fez parar a chuva e o patriarca cujas preces aceleraram a "chuva do Justo vindo das alturas" (cf. Is 45, 8)?

Uma das mais altas vocações da História

              São José, o homem justo por excelência, o glorioso esposo de Maria e pai legal do Filho de Deus, é certamente um dos santos mais venerados pela piedade popular. No entanto, quase só ouvimos falar dele como "o artesão de Nazaré" ou "o padroeiro dos operários". Esses títulos são muito legítimos, mas estão longe de nos dar idéia do píncaro de santidade ao qual Deus houve por bem elevá- lo. Ele nunca será devidamente conhecido e venerado por nós se - repetindo em nossa época a triste cegueira dos habitantes de Nazaré - o considerarmos apenas como o pobre carpinteiro da Galiléia. Para não nos tornarmos culpados de um erro que poderia ser qualificado de "calúnia hagiográfica", procuremos analisar a verdade a respeito deste varão destinado a uma das mais altas vocações da História.

                                              Deus escolhe sempre o mais belo

               Deus Todo-Poderoso, para quem "nada é impossível" (Lc 1, 37) e que tudo governa com sabedoria infinita, possui algo que poderíamos chamar de sua "única limitação": ao criar, Ele nada pode escolher de menos belo e perfeito, ou que não seja para sua glória. Desde toda a eternidade, ao determinar a Encarnação do Verbo, quis o Pai que - apesar das aparências de pobreza e humildade através das quais Se mostraria, e que contribuiriam para sua maior exaltação - a vinda de seu Filho ao mundo se revestisse da suprema pulcritude conveniente a Deus. Assim, dispôs que Ele fosse concebido por uma Virgem, concebida por sua vez sem pecado original, unindo em Si as alegrias da maternidade à flor da virgindade. Porém, para completar o quadro, tornava-se necessária a presença de alguém que projetasse na terra a própria "sombra do Pai". Para tal missão Deus destinou José, ao qual poderíamos aplicar as palavras da Escritura, referindo- se a seu antepassado Davi: "O Senhor escolheu para Si um homem segundo o seu coração" (1 Sm 13, 14).

Varão justo por Excelência

               Levando em conta o axioma latino: "nemo summus fit repente" e o acertado dito de Napoleão: "a educação de uma criança começa cem anos antes de ela nascer", é provável que, em atenção à sua missão e ao seu papel de educador junto ao Menino-Deus, José tenha sido santificado já no seio materno, como o foi João Batista no ventre de Santa Isabel. Essa tese é defendida por diversos autores e pode sintetizar- se nas palavras de São Bernardino de Sena: "Sempre que a graça divina escolhe alguém para algum favor especial ou para algum estado elevado, concede-lhe todos os dons necessários à sua missão; dons que a ornam abundantemente".
         O louvor de José, tal como o Evangelho no-lo traça, encerra-se numa única e breve frase: era justo. Tal elogio, à primeira vista de um laconismo desconcertante, nada tem de medíocre. Na linguagem bíblica, o adjetivo "justo" designa todas as virtudes reunidas. No Antigo Testamento, justo é aquele a quem a Igreja dá o nome de santo: justiça e santidade exprimem a mesma realidade.
           O próprio silêncio das Escrituras a seu respeito nos revela um aspecto primordial de sua perfeição: a contemplação. São José é o modelo da alma contemplativa, mais desejosa de pensar que de agir, embora seu ofício de carpinteiro o levasse a consagrar tanto tempo ao trabalho. Nele vemos realizar-se o ensinamento de São Tomás: a contemplação é superior à ação, porém, mais perfeita ainda é a junção de uma e de outra numa mesma pessoa.
             Ao serrar a madeira, fabricar um móvel ou um arado, José mantinha sempre seu espírito voltado para o sobrenatural, elevando-se para o aspecto mais sublime das coisas e considerando tudo sob o prisma de Deus. Suas atitudes refletiam a seriedade e a altíssima intenção com a qual sempre agia, e isso contribuía para o maior primor dos trabalhos por ele executados.
            Sua humilde condição de trabalhador manual em nada lhe diminuía a nobreza. Reunia em si, de forma admirável, as duas classes sociais: como legítimo herdeiro do trono de Davi, conservava em seu porte e semblante a distinção e a elegância próprias a um príncipe, aliando-as, porém, a uma alegre simplicidade de caráter. Para ele, mais importante do que a nobreza de sangue é aquela que se alcança pelo brilho da virtude; e esta, ele a possuía largamente.

Deus concedeu a São José todas as graças
já desde a infância: piedade, virgindade,
prudência, perfeita fidelidade ...

A Providência, entretanto, o destinava a alcançar a mais alta honra que se possa dar a uma criatura concebida no pecado original e o colocava em desproporção com todo o restante dos homens. Diz São Gregório Nazianzeno: "O Senhor conjugou em José, como num sol, tudo quanto os outros santos têm, em conjunto, de luz e de esplendor".
Todas as glórias acumulam-se neste varão incomparável, cuja existência terrena transcorre dentro de uma sublimidade ignorada por seus conhecidos e compatriotas, num silêncio e apagamento quase completos.

Admirável consonância entre duas almas virgens

No Antigo Testamento, a virgindade ainda não adquirira o prestígio do qual passou a gozar na Era Cristã. Muito pelo contrário, quem não constituísse família, ou se visse impossibilitado de gerar filhos, era considerado maldito por Deus. "A espera do Messias dominava a tal ponto os espíritos, que o desprezo do casamento equivalia a uma recusa desonrosa de contribuir para a vinda d'Aquele que havia de restaurar o reino de Israel" (1). De acordo com a opinião generalizada, José, movido por uma especial moção do Espírito Santo, decidira permanecer virgem por toda a vida. Porém, não querendo singularizar- se, contrariando os costumes de seu tempo, resignara-se a contrair matrimônio, convencido de que o Senhor, tendo lhe inspirado esse bom propósito, o ajudaria a levá-lo a cabo.
              Cedendo, pois, às exigências sociais, resolveu pedir a mão de Maria, a qual ele provavelmente já conhecia, pois ambos pertenciam à mesma tribo e habitavam na mesma aldeia. Tudo indica que naquela época os pais de Maria haviam falecido e Ela vivia sob a tutela de algum parente. Sem levar em conta a opinião da jovem, seu tutor apenas Lhe comunicou ter aceito o pedido de um pretendente a ser seu marido.

É sabido que Maria, desde a infância, consagrara ao Senhor sua virgindade.

          Entretanto, acostumada a obedecer, inclinou-Se ante a decisão de seus parentes, acreditando ser essa a manifesta vontade da Providência.
         Se conservava algum receio, deve este ter-se dissipado quando soube que o escolhido era José, o nobre descendente da estirpe de Davi, em cuja alma Ela já vira, por seu aguçado dom de discernimento, as altíssimas qualidades postas por Deus.
          Antes dos esponsais, Maria precisava dar a conhecer ao seu noivo o voto de virgindade, sob pena de o matrimônio ser nulo. Fê-lo de forma séria e decidida, falando com toda a simplicidade de seu inocente coração. José pensou estar ouvindo uma voz do Céu e reconheceu, emocionado, a mão da Providência atendendo às suas preces. É impossível ter idéia do grau de concórdia dessas duas almas, ao se revelarem mutuamente seus mais íntimos mistérios. Desde esse instante, José passou a ser o modelo perfeito do devoto de Nossa Senhora.
         Podemos bem imaginar que, já nesse primeiro encontro, a graça o tocou de maneira especial, levando-o a consagrar-se como escravo de amor Àquela que, mais do que esposa, já considerava como Senhora e Rainha.

Proporcionado a Jesus e Maria

O contrato matrimonial deveria ser acertado entre as duas famílias.

          Um ponto ao qual se costumava dar escrupulosa importância, sobretudo entre pessoas de nobre origem, era a igualdade de condições. Tanto Maria quanto José eram da tribo de Judá e descendentes de Davi. Mais, porém, do que qualquer requisito social, sobre aquele matrimônio pairava, desde toda a eternidade, um desígnio divino. Para a realização da vontade do Altíssimo, deveria o esposo ser proporcionado à esposa, o pai ao filho, a fim de sustentar com toda dignidade a honra de ser pai adotivo de Deus. E houve só um homem criado e preparado para essa missão, inteiramente à altura de exercê-la: São José. Ele estava na proporção de Jesus Cristo e de Maria Santíssima.

Matrimônio de Nossa Senhora e São José (Figura)

Para fazermos uma idéia exata da magnitude de sua personalidade, devemos imaginá-lo como sendo uma versão masculina de Nossa Senhora, o homem dotado de sabedoria, força e pureza bastantes para governar as duas criaturas mais excelsas saídas das mãos de Deus: a Humanidade santíssima de Nosso Senhor e a Rainha dos anjos e dos homens.

Em Israel os esponsais equivaliam juridicamente ao casamento de hoje.

A partir dessa cerimônia - na qual o noivo colocava um anel de ouro no dedo de sua prometida, dizendo: "Este é o anel pelo qual tu te unes a mim diante de Deus, segundo o rito de Moisés" - ambos passavam a pertencer de forma irrevogável um ao outro e a partir de então se consideravam esposos. Contudo, a coabitação era em geral adiada pelo prazo de um ano, para dar tempo à esposa de completar o enxoval e ao marido de preparar a casa.

Maria e José, fiéis cumpridores da Lei, ativeram-se a todas essas formalidades.

            Mas um segredo Divino envolvia seu caso concreto, do qual certamente nenhuma das testemunhas do acontecimento - parentes e amigos - chegou a suspeitar. Ali estavam "duas almas virgens que se prometiam mútua fidelidade, uma fidelidade que consistiria em guardarem ambos a virgindade" (2).

Quanto mais uma pessoa sofre, mais é digna de amor

             Nesse intervalo entre os esponsais e as bodas, Maria recebeu a embaixada do Arcanjo Gabriel. O Evangelho de Mateus deixa-o bem claro ao afirmar: "Antes de coabitarem, aconteceu que Ela concebeu por virtude do Espírito Santo" (Mt 1, 18). Supérfluo seria nos estendermos aqui sobre os detalhes da Anunciação e da Encarnação do Verbo, já tão conhecidos e tantas vezes comentados.
            Um ponto apenas é preciso deixar bem claro: poucos dias depois desse acontecimento, Maria dirigiu-se apressadamente para o pequeno povoado das montanhas da Judéia onde habitavam seus primos, Zacarias e Isabel.
            Boa parte dos comentaristas defende a idéia de que José acompanhou sua esposa na viagem de ida e, transcorridos três meses, foi buscá-La. Tal opinião parece bem fundada, pois a juventude de Maria e as dificuldades de um penoso percurso eram razões de sobra para mover a solicitude de um esposo fiel e zeloso, como era o seu.
            Depois do regresso a Nazaré, não tardou ele a perceber os primeiros sinais da gravidez de sua desposada. No começo, relutou em acreditar, julgando-se vítima de uma alucinação.

            Passados, porém, alguns dias, não pôde mais duvidar da realidade patente ante seus olhos: Maria trazia uma criança em seu seio.

               Nesse momento eclodiu, como violento turbilhão, o drama na vida de São José. Talvez a provação mais terrível que uma mera criatura humana - fazendo abstração da Santíssima Virgem ao longo da Paixão - jamais tenha enfrentado. Essa era, entretanto, a divina vontade do Menino que Se formava nas puríssimas entranhas de Maria. Desejava Ele que seu nascimento viesse com o selo indelével da dor santamente aceita, para dar-nos a lição de que quanto mais uma pessoa sofre, tanto mais é digna de amor. O pai adotivo que escolhera como imagem de seu Pai Celestial, Ele o submetia a uma dura prova, dando-lhe oportunidade de levar seu heroísmo a alturas inimagináveis. Ao mesmo tempo, aparecia com maior esplendor a virgindade de Nossa Senhora.

O herói da fé

           A perplexidade de José não consistia, como pensaram alguns Padres antigos, em duvidar da fidelidade de sua esposa. Tal hipótese contunde a nossa piedade, pois desmerece a perfeição eminente alcançada pelo santo Patriarca e, ademais, Deus não permitiria que a honra virginal de Maria pudesse ser ferida por uma suspeita no espírito de José. O texto do Auctor imperfecti exprime com belíssimas palavras a postura dele diante do fato: "Ó inestimável louvor de Maria! São José acreditava mais na castidade de sua esposa do que naquilo que seus olhos viam, mais na graça do que na natureza. Via claramente que sua esposa era mãe e não podia acreditar que fosse adúltera; acreditou que era mais possível uma mulher conceber sem varão do que Maria poder pecar" (3).
           Sua angústia tornava-se tanto mais lancinante quanto mais via resplandecer a virtude no rosto angelical de Maria. Por um lado, a evidência saltava- lhe aos olhos, por outro, considerava fora de cogitação a possibilidade de aquela criatura tão inocente ter cometido um pecado. Ora, se a concepção de Maria era obra sobrenatural o que fazia ele ali? Não estaria ofendendo a Deus, intrometendo- se num mistério para ele incompreensível, o qual se lhe afigurava como absolutamente divino? Não seria ele um intruso, atrapalhando os planos do Altíssimo? José não julgou. Suspendeu o juízo da carne ante os inescrutáveis desígnios de Deus. Subjugou a razão humana à fé inabalável e procurou uma saída para o caso, pois, como resume São Tomás. Desde o princípio descartou a hipótese de denunciá-La, como o exigia o Deuteronômio, segundo o qual a mulher deveria sofrer a pena de lapidação. Estava convicto da inocência de Maria e estremecia diante dessa idéia.

                                                  Jamais houve em São José dúvida
                                                          quanto à santidade de Maria

              Existia também a opção do repúdio: a Lei de Moisés permitia ao homem despedir sua mulher, dando-lhe o libelo de divórcio. Mas essa possibilidade repugnava-lhe igualmente, porque atentaria contra a reputação da Santa Virgem. Numa pequena aldeia, onde todos os habitantes se conheciam, tal atitude daria margem a suspeitas sobre o comportamento de Maria: por qual motivo o marido A teria afastado de repente? No futuro, a Virgem traria sempre a marca de uma mulher rejeitada.
            A solução encontrada por José não se achava nos livros da Lei, mas partiu de seu coração: "Resolveu deixá- La secretamente" (Mt 1, 19). Agindo assim, salvaguardava a fama de sua esposa, pois Ela seria vista como uma pobre jovem abandonada pela crueldade de um homem sem palavra. A culpa recairia toda sobre ele.
           Nesse passo de sua vida, José revelou o brilho alcandorado de sua nobre alma, sua sabedoria e sua humildade levadas ao grau heróico.
           Com efeito, a ele poderíamos aplicar estas belas palavras de um autor francês: "O herói é um grande coração que se ignora, uma grande alma que se esquece de si mesma. (...) Todas as fraquezas de nossa pobre natureza humana estão concentradas em torno desse egoísmo que faz de cada um de nós o centro do Universo. O herói é aquele que rompeu esse círculo estreito onde todas as naturezas, até mesmo as mais dotadas, vegetam ou se estiolam. Esse "eu" que em alguns é rei, nele, durante toda sua vida, permanece escravo" (4).

Esqueceu-se completamente de si, preferindo desacreditar-se diante da opinião pública, a ver o prestígio de Maria manchado.

         Além do mais, renunciava também à sua própria felicidade: tinha de abandonar Nossa Senhora, o maior tesouro da terra. Isso era um sofrimento imenso, pois para ele o convívio com Maria significava um verdadeiro Paraíso.

             D'Ela aprendera, nos seus gestos mais simples, lições excelsas de sabedoria e de bondade; ao contemplá-La, sentia-se mais próximo de Deus. E via-se agora obrigado a sacrificar aquilo que mais apreciava em sua vida! Passaria seus dias longe, venerando um mistério que não entendera.

            Durante alguns dias, José maturou sua resolução, decidido a pô-la em prática. Numa noite enevoada e sem lua encontrou ocasião propícia, preparou seus pobres pertences e deitou-se para refazer as forças antes da partida. Pouco a pouco, por uma ação angélica, seu coração aflito serenou e ele adormeceu profundamente.

             Como outrora com Abraão, o Senhor esperara até o último instante para deter o golpe fatal. No meio da noite apareceu-lhe um anjo, anunciando: "José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que n'Ela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo de seus pecados" (Mt 1, 20-21).

"Os que semeiam entre lágrimas, recolherão com alegria" (Sl 125, 5)

               É impossível medir o gozo de José ao despertar do sonho. Logo ao alvorecer, correu a encontrar-se com sua esposa. Mas como se sentia agora mais tomado pela veneração e ternura que culminavam no ardoroso desejo de servi-La! Certamente nada disse a Maria, mas a alegre expressão do seu semblante era mais eloqüente do que as palavras.
             De joelhos, adorou a Deus no seio virginal de sua Mãe, primeiro tabernáculo no qual Se dignara habitar sobre a terra. Um Deus que também era seu filho, pois os dizeres do anjo manifestavam com clareza a autoridade a ele outorgada sobre o fruto de sua esposa: "um filho a quem porás o nome de Jesus".

Paternidade nova, única e especial

           A paternidade de São José em relação a Cristo tem sido um tema muito discutido pelos autores. Os títulos multiplicam-se: pai legal, pai putativo, pai nutrício, pai adotivo, pai virginal...

Em São José de tal maneira brilha a chama da
caridade, um tão intenso amor a Deus,
uma vida interior tão admirável, que ele se
tornou objeto das complacências do
próprio Deus Encarnado

Cada um deles define aspectos parciais e incompletos, sem chegar a exprimir por inteiro a paternidade deste varão excepcional. O Pe. Bonifácio Llamera OP parece ter chegado a uma conclusão satisfatória: "A paternidade de São José em relação a Jesus é certamente distinta de qualquer outra paternidade natural, seja física ou adotiva. É verdadeira paternidade, mas muito singular. É uma paternidade nova, única e especial, pois não procede da geração segundo a natureza, mas está fundada num vínculo moral inteiramente real.
E tão real é esta paternidade singular como é verdadeiro o vínculo matrimonial entre Maria e José. (...) "Esta paternidade de São José, tão admirável como difícil de expressar numa palavra, é confirmada e esclarecida pelos Santos Padres e autores de obras sobre o santo Patriarca, os quais concentraram em três vínculos principais a subtil realidade que une São José a Jesus: o direito, que é conjugal; a virgindade e a autoridade que adornam o mistério de São José" (5).
          Na encíclica Quamquam pluries, o Papa Leão XIII afirmou: "É verdade que a dignidade da Mãe de Deus é tão alta que nada a pode ultrapassar. Porém, como existe entre a Virgem e São José um laço conjugal, não há a menor dúvida de que ele se aproximou mais do que ninguém dessa dignidade super eminente que coloca a Mãe de Deus muito acima de todas as criaturas."

Uma criatura dando conselhos ao Criador...

           Quantas vezes teve São José nos braços o Divino Infante? O dia inteiro no convívio com o Menino Jesus, observando-O rezar, falar, fazer todos os atos de sua vida comum...

            Nessa contemplação constante, para a qual ele tinha uma alma maravilhosamente apta, recebia graças extraordinárias e se deixava modelar. Por vezes, o Menino parava diante dele e dizia: "Peço-vos um conselho: como devo fazer tal coisa?" E São José se comovia, considerando que quem estava lhe pedindo um conselho era o próprio Filho de Deus! A esse homem a Providência concedeu lábios suficientemente puros e humildade bastante grande para fazer essa coisa formidável: responder a Deus.
            A criatura plasmada pelas mãos do Criador dava-Lhe conselhos! Ele foi o predestinado para exercer uma verdadeira autoridade sobre Nossa Senhora e o Menino Jesus, o privilegiado que alcançou uma altíssima intimidade com Jesus e Maria, o bem-aventurado a quem foi outorgada a graça de expirar entre os braços de Deus, seu Filho, e da Mãe de Deus, sua Esposa!

"Ao vencedor concederei assentar-se comigo no meu trono" (Ap 3, 21)

"Não separe o homem o que Deus uniu" (Mt 19, 6). Se, ao longo de sua existência terrena, José foi o inseparável companheiro da Virgem Maria, partilhando suas dores e alegrias, é inconcebível que na eternidade essa convivência não tenha atingido sua plenitude.

          Ora, para o convívio ser perfeito, é necessário estar juntos e olhar-se.

          Por esta razão, uma forte corrente de teólogos defende a tese de que "sem a assunção gloriosa de José em corpo e alma, a Sagrada Família reconstituída no Céu teria tido uma nota discordante na sua exaltação e glória" (6).
          A esse respeito, afirma São Francisco de Sales: "Se é verdade o que devemos acreditar, que, em virtude do Santíssimo Sacramento que recebemos, os nossos corpos hão de ressuscitar no dia do Juízo Final, como podemos duvidar de que Nosso Senhor tenha feito subir ao Céu, em corpo e alma, o glorioso São José, o qual teve a honra e a graça de trazê-Lo tantas vezes em seus braços benditos? Não resta dúvida, pois, de que São José está no Céu em corpo e alma".

Morte de São José

           Por ter falecido nos braços de Jesus e Maria, São José é o padroeiro da boa morte. Pois se julga, e com razão, que ninguém foi tão bem assistido como ele em seus últimos momentos.

Por ter falecido nos braços de Jesus e Maria, São José é o
padroeiro da boa morte. Pois se julga, e com razão, que
ninguém foi tão bem assistido como ele em seus
últimos momentos.

           Quase se poderia dizer que por isso o termo de sua vida foi tão suave e consolador que dele esteve ausente qualquer sofrimento ou angústia.
          No entanto, não podemos esquecer que para José esta foi a suprema perplexidade de sua existência terrena. Pois, ao falecer, separava-se do convívio inefável com sua virginal esposa e com Jesus, o Filho de Deus. José partia para a Eternidade, deixando na terra o seu Céu...
         A consideração do exemplo e dos preciosos dons concedidos por Deus ao pai adotivo de Jesus nos leve a confiar na poderosa intercessão daquele a quem o próprio Filho de Deus obedeceu: "E era-Lhes submisso" (Lc 2, 51).
          "O exemplo de São José - afirmou o Papa Bento XVI na comemoração de sua festa litúrgica - é para todos nós um forte convite a desempenhar com fidelidade, simplicidade e humildade a tarefa que a Providência nos destinou. Penso antes de tudo, nos pais e nas mães de família, e rezo para que saibam sempre apreciar a beleza de uma vida simples e laboriosa, cultivando com solicitude o relacionamento conjugal e cumprindo com entusiasmo a grande e difícil missão educativa. Aos sacerdotes, que exercem a paternidade em relação às comunidades eclesiais, São José obtenha que amem a Igreja com afeto e dedicação total, e ampare as pessoas consagradas na sua jubilosa e fiel observância dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência.
           Proteja os trabalhadores de todo o mundo, para que contribuam com as suas várias profissões para o progresso de toda a humanidade, e ajude cada cristão a realizar com confiança e com amor a vontade de Deus, cooperando assim para o cumprimento da obra da salvação" 22.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Programação da Festa de são José 2010

Mensagem
Queridos paroquianos, visitantes, devotos e devotas de São José,
          Mais um ano se passou e março chegou novamente, trazendo à memória de nosso povo a lembrança sempre viva de sua história, história irremediavelmente permeada pela devoção ao ilustre Patriarca São José da Boa Esperança, nosso querido Padroeiro.
          A Festa de São José quer ser um momento de alegria, confraternização, encontro amigo e, sobretudo, ocasião propícia para nos aproximarmos mais de Deus e nos deixarmos contagiar pela causa de seu Reino.
          Para favorecer essa aspiração, e tendo em conta que a Igreja do Brasil celebra o espírito da Conferência de Aparecida, iremos meditar durante o novenário sobre a importância de um discipulado missionário, à luz da Palavra de Deus, que conduza o povo de Deus a uma adesão firme pelo Evangelho de Jesus Cristo.
         Também estamos vivenciando um Ano Sacerdotal, promulgado por nosso Santo Padre, o Papa Bento XVI, para rezarmos pela santificação dos sacerdotes.
        Vejam, então, queridos irmãos e irmãs, quantos motivos para elevarmos a Deus as nossas súplicas e ações de graças! Unamos, pois, nossos corações em prece e voltando o olhar para nosso querido Padroeiro, rezemos a uma só voz: “Lá do Céu olha este povo, que veio te venerar, ampara nossa cidade e protege cada lar. São José, socorre a todos, que ninguém se sinta só. Com tua mão poderosa abençoa nossos lares !”
Boa festa para todos
Pe. Adriano Tenório Rodrigues e
Comissão da Festa – 2010.

Programação da Festa

Tema: São José nos ensina a sermos discípulos e missionários de Jesus Cristo

Dia 10 – Quarta-feira - Abertura
18:30 h - Procissão da Bandeira do Glorioso São José, Excelso
Padroeiro de Amaraji, saindo da residência do Sr. José Orlando, situada a Rua Rocha Pontual,92 , logo após o hasteamento da bandeira terá inicio o Solene Novenário com a Celebração da Santa Missa, presidida pelo Pe. Adriano Tenório (Pároco de São José da Boa Esperança).
Noiteiros : Comissão da Festa
Presidente: Bernadete Brito e Família
Vice-Presidente: Teresinha Fraga e Família
Tesoureiro: Genival Alves
2º Tesoureiro: Edmilson Alves
1º Secretário(a): Sônia Cavalcanti
2º Secretário(a): Eliza Cabral
Juízes da Bandeira: Orlando e Goretti
Secretárias Municipais e FUNPRAMA
                   Após a missa na Barraca de São José Show com Vanio e banda e sorteio de prêmios.

Dia 11- Quinta-feira (2º. Dia do Novenário)
12:00 h - Adoração ao Santíssimo Sacramento
18:00 h – Benção do Santíssimo
18:30 h – Terço de São José
19:00 h – Celebração Eucarística.
Celebrante: Pe. Alexandre – Paróquia de São José- Chã Grande
Noiteiros: Escolas municipais, estaduais e particulares. ( Professores e Alunos), Pastoral de Acolhida, Acólitos, comunidade N. Sra. de Fátima, e Famílias Severino Francisco (Biu da vaca) e Marinete Gertrudes.
         Após a missa na Barraca de São José Show com Reginaldo dos Teclados e sorteio de prêmios.

Dia 12- Sexta-feira (3º. Dia do Novenário)
18:30 h – Terço de São José
19:00 h – Celebração Eucarística
Celebrante: Pe. Anistaine Soares – Paróquia de Nossa Senhora do Ó
Noiteiros: Grupo Luz do Espírito e Comunidade de São Francisco de Assis, Alice Batista, Apostolado da Oração, Legião de Maria e Mãe Rainha, Família Silveira.
            Após a missa na Barraca de São José Show com Tempero Cuado e sorteio de prêmios.

Dia 13- Sábado (4º. Dia do Novenário)
18:30 h – Terço de São José
19:00h – Celebração Eucarística
Celebrante: Pe. Assis – Ex-pároco de São José da Boa Esperança
Noiteiros: Filhos Ausentes, Família Gouveia, Prefeitura Municipal, Câmara Municipal e Poder Judiciário.
                 Após a missa no Pátio de Eventos Show com Geraldinho Lins.

Dia 14 – Domingo (5º. Dia do Novenário)
14:00hs – Apresentação Cultural das Escolas no Pátio de Eventos.
18:30 h – Terço de São José
19:00h – Celebração Eucarística com Administração do Santo CRISMA para os jovens.
Celebrante: Excia. Rev.ma. D. Fernando Saburido (Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife).
Noiteiros: Catequese da Crisma, I Eucaristia, Juventude e Infância Missionária, Família dos Crismandos e comunidades Rurais, Família Mª Brito (D. Pequena) e Edite oliveira.
            Após a missa na Barraca de São José show com Forró sem chinelo e sorteio de prêmios.

Dia 15 – Segunda-feira (6º. Dia do Novenário)
18:30 – Terço de São José
19:00 – Celebração Eucarística
Celebrante: Pe. Josivaldo Bezerra – Pároco de Santo Antônio – Cabo de Santo Agostinho
Noiteiros: Missa dos Homens, Guardiões de São José, Pastoral Familiar, Dízimo, ECC e Comunidade N. Sra. da Conceição, Família Sotero e Araújo Silveira.
         Após a missa na Barraca de São José Show com Wilson e Banda e sorteio de prêmios.

Dia 16 – Terça-feira (7º dia do novenário)

18:30 h – Terço de São José
19:00h – Celebração Eucarística
Celebrante: Pe. Samuel Briano – Paróquia de São Sebastião- Jataúba
Noiteiros: Comércio Local, Banco do Brasil, Correios, Arareiros, Moto taxistas e Alto do Cruzeiro, Conselho de Pastoral e Família Rocha Silveira.
        Após a missa na Barraca de São José Show com os Repentistas Daniel Olímpio e Sevevino Soares; depois show com Biró e Miro Sanfoneiro e sorteio de prêmios.

Dia 17 – Quarta-feira (8º dia do novenário)
18:30 h – Terço de São José
19:00h – Celebração Eucarística
Celebrante: Pe. Djanilson Pereira – Pároco de Nossa Senhora do do Ó
Noiteiros: Pastoral do Batismo, Pastoral do Matrimônio e Comunidade São Vicente de Paulo e Família Alves Moura
Após a missa na Barraca de São José Show com Jessie Black e sorteio de prêmios.

Dia 18 – Quinta-feira (9º dia do novenário)
12:00h - Adoração ao Santíssimo Sacramento
18:00 h – Benção do Santíssimo Sacramento
18:30 h – Terço de São José
19:00h – Celebração Eucarística
Celebrante: Pe. Alberto José – Pároco de Santo Antônio - Primavera
Noiteiros: EJC, Jovens em Ação, Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística e Ministério de Música, Família Léo e Ferraz.
Após a missa na barraca de São José, CRISTOTECA

Dia 19 – Sexta-feira – Dia da Festa.
Solene comemoração do Santo Padroeiro de Amaraji, o Senhor São José, Patrono universal da Igreja, esposo da Santíssima Virgem Maria e Pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo.
6:00h – Alvorada Festiva com estouro de Fogos e repique de sinos.
8:00h – Celebração do Sacramento do Batismo.
10:00h – Solene Concelebração Eucarística em honra do Glorioso São José da Boa Esperança – Padroeiro de Amaraji.
16:00h –Celebração de encerramento da Festa 2010, presidida pelo Mons. José Alberico (Vigário Geral) e logo após, Procissão com a Imagem do Glorioso São José da Boa Esperança, percorrendo as principais ruas da Cidade. Logo após, Benção do Santíssimo Sacramento e entrega da Bandeira aos Juízes de 2011.

Palco principal show com Os Cabras do Forró e Pickup Turbinada.

Dia 20 – Sábado
Grande Bingo de São José com show de Os Bangas, a partir das 18:30hs.
Premios:
1º - 1 Microondas
2º - 1 Fogão
3º - 1 Geladeira
4º - 1 TV de Plasma
5º - 1 Moto 0KM
Preço das cartelas : R$ 5,00

As 22:00h – No Clube municipal

Grande Baile de Encerramento da Festa 2010 com a Orquestra Super Oara.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Declaração da CNBB sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH – 3)

Sex, 15 de Janeiro de 2010



         A promoção e a defesa dos Direitos Humanos tem sido um dos eixos fundamentais da atuação e missão evangelizadora da CNBB em nosso país. Comprovam-no as iniciativas em prol da democracia; as Campanhas da Fraternidade; a busca pela concretização da Lei 9840 - contra a corrupção eleitoral; a recente Campanha “Ficha Limpa”; a defesa dos povos indígenas e afro-descendentes; o empenho pela Reforma Agrária, a justa distribuição da terra, a ecologia e a preservação do meio ambiente; o apoio na elaboração dos Estatutos da Criança e do Adolescente, do Idoso e da Igualdade Racial, entre outros.
         Neste contexto, a CNBB se apresenta, mais uma vez, desejosa de participar do diálogo nacional que agora se instaura, sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), tornado público aos 21 de dezembro de 2009.
        A Igreja Católica considera o movimento rumo à identificação e à proclamação dos direitos humanos como um dos mais relevantes esforços para responder de modo eficaz às exigências imprescindíveis da dignidade humana (cf. Concílio Vaticano II, Declaração Dignitatis Humanae, 1). O Papa João Paulo II, em seu Discurso à Assembléia Geral das Nações Unidas, em 21 de outubro de 1979, definiu a Declaração Universal dos Diretos Humanos como “uma pedra miliária no caminho do progresso moral da humanidade”.
         O Brasil foi uma das 171 nações signatárias da Declaração de Viena, fruto da Conferência Mundial sobre Direitos Humanos, em 1993, sob o signo da indissociabilidade entre Democracia, Desenvolvimento Econômico e Direitos Humanos.
        No entanto, em sua defesa dos Direitos Humanos, a Igreja se baseia na concepção de Pessoa Humana que lhe advém da fé e da razão natural. Diante de tantos reducionismos que consideram apenas alguns aspectos ou dimensões do ser humano, é missão da Igreja anunciar uma antropologia integral, uma visão de pessoa humana criada à imagem e semelhança de Deus e chamada, em Cristo, a uma comunhão de vida eterna com o seu Criador. A pessoa humana é, assim, sagrada, desde o momento de sua concepção até o seu fim natural. A raiz dos direitos humanos há de ser buscada na dignidade que pertence a cada ser humano (cf. Concílio Vaticano II, Constituição Pastoral Gaudium et Spes, 27). “A fonte última dos direitos humanos não se situa na mera vontade dos seres humanos, na realidade do Estado, nos poderes públicos, mas no próprio ser humano e em Deus seu Criador” (Compêndio de Doutrina Social da Igreja, 153). Tais direitos são “universais, invioláveis e inalienáveis” (JOÃO XXIII, Encíclica Pacem in Terris, 9).
         Diante destas convicções, a CNBB tem, ao longo de sua história, se manifestado sobre vários temas contidos no atual Programa Nacional de Direitos Humanos. Nele há elementos de consenso que podem e devem ser implementados imediatamente. Entretanto, ele contém elementos de dissenso que requerem tempo para o exercício do diálogo, sem o qual não se construirá a sonhada democracia participativa, onde os direitos sejam respeitados e os deveres observados.
        A CNBB reafirma sua posição, muitas vezes manifestada, em defesa da vida e da família, e contrária à descriminalização do aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção de crianças por casais homoafetivos. Rejeita, também, a criação de “mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União”, pois considera que tal medida intolerante pretende ignorar nossas raízes históricas.
        Por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, imploramos as luzes de Deus, para que, juntos, possamos construir uma sociedade justa, fraterna e solidária.

Brasília, 15 de janeiro de 2010

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário-Geral da CNBB

Cresce o número de garotos que trocam namoro, sexo e a convivência com os amigos pela formação religiosa. Eles contam por quê

Publicada em 19/01/2010 às 00h37m

Lauro Neto


RIO - Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me". As palavras de Jesus, que teriam sido pronunciadas há mais de dois mil anos, segundo o evangelista Marcos, ainda encontram eco entre jovens que alimentam o sonho de ser padres. Dados do último Anuário Católico (Centro de Estatísticas Religiosas e Investigações Sociais/Promocat) mostram que, de 2000 a 2008, o número de presbíteros saltou de 16.772 para 20.561 - aumento de 22,59%, quase o dobro do crescimento médio da população brasileira no período, de 11,85%. Como o primeiro passo para se tornar um padre é entrar para um seminário diocesano ou para uma ordem religiosa, fomos atrás de jovens em diferentes fases desse processo, que chega a durar 12 anos, como no caso dos jesuítas. Afinal, o que leva um cara em plena juventude a largar a namorada, os amigos, a família e os prazeres da vida mundana para seguir um caminho de provações como o celibato? As tentações são muitas (inclusive as sexuais), e alguns percebem, no meio do caminho, que não têm a vocação sacerdotal. Outros superam as privações da vida em comunidade, como o pouco dinheiro - que pertence a todos -, e continuam firmes na fé. Veja histórias daqueles que seguem o apelo do falecido papa João Paulo II: "Precisamos de santos que bebam Coca-Cola e comam cachorro-quente, que usem jeans e sejam internautas". E conheça as razões de quem pôs em dúvida a vocação religiosa.
O primeiro dia do resto de uma vida casta

Mauricio Fernandes viaja amanhã para Minas Gerais, onde ingressará na ordem franciscana conventual. Aos 22 anos, ele largou o curso de Letras da PUC e o conforto da casa da avó em Botafogo para se dedicar a Deus. No sábado, despediu-se dos amigos e da vida mundana num bar da Zona Sul carioca.
O desejo de ser padre se manifestou há dois anos, depois de Mauricio ter flertado com outras religiões como espiritismo, umbanda e judaísmo, além de um período de quatro meses fora de casa por desentendimentos com o pai e a avó. Como na parábola bíblica, o bom filho à casa tornou, renovado.
- Sonhava com o teatro, tinha feito vestibular para a Unirio, mas não passei. Eram muitas dúvidas em relação ao mercado de trabalho e à vida afetiva, pois queria encontrar uma namorada. Nessa fase turbulenta, me encontrei mais com Deus, buscando uma resposta - ele recorda.
Nesse período, Mauricio namorou duas meninas, mas sua maior adoração foi a São Francisco de Assis, santo que conhecia desde os tempos de criança, quando estudou no Colégio Santo Amaro, da ordem beneditina. Fez retiros no Mosteiro de São Bento, mas o silêncio, o claustro e o latim não o seduziram. Foi então que achou em casa uma revista franciscana em que havia um convite para um encontro vocacional. Mauricio participou de quatro, antes de dar seu "sim" a Deus no último 4 de outubro, dia do santo.
- Quando vi os freis dando a benção aos animais, fiz uma contemplação e me vi transportado para a época de Francisco de Assis. Orando com a imagem do santo, senti que era o meu momento - ele diz.
Desde então, ele se apaixonou por uma menina e ficou com outra:
- Fiquei pela necessidade hormonal, mas em momento algum coloquei o afeto por alguém acima da vocação. A partir de amanhã, terei uma vida absolutamente casta.

Hora de repensar

Quando Rafael Barros decidiu entrar no Seminário São José, em 2008, seus amigos e familiares não botaram muita fé. Sambista criado em Copacabana, ele deixou para trás um namoro de cinco anos e um noivado de dois pelo desejo de ser padre.
- Meus vizinhos, que sempre me viam chegar com uma namorada diferente, não acreditavam - brinca Rafael.
Depois de um processo de discernimento vocacional de três anos, ele foi seminarista por um ano. Hoje repensa sua vocação sacerdotal fora do seminário e namora uma jornalista, mas diz que não foi isso o que mais pesou na decisão.
- Tinha dia no seminário em que eu só pensava em mulher. Caí em tentação algumas vezes, mas procurava evitar, pois a masturbação é um pecado contra a castidade. Mas a minha maior dificuldade foi conviver com os limites dos irmãos - conta Rafael.
Devoto de São Jorge, ele continua a frequentar missas e a fazer orações e garante que continua casto, mesmo namorando. É diretor de bateria de blocos de carnaval, percussionista do grupo de samba Nega Terê e mantém a rotina esportiva que não abandonou no seminário, quando jogou pelo Filhos do Céu Futebol Clube e foi campeão de atletismo.
- Jogava bola, corria e ia ao estádio torcer pelo Vasco. O seminarista é um jovem como outro qualquer - exagera.
No momento, Rafael "aguarda novos sinais de Deus" quanto à sua vocação, como quando viu o pai militar chorar pela primeira vez, em sua missa de envio, e dizer que teria orgulho de ter um filho padre:
- Podemos desistir de Deus, mas Ele não desiste de nós. A decisão cabe mais a Ele do que a mim.

Vocação surgiu num retiro

Gustavo Malta volta hoje de uma missão rural em Montes Claros (MG). Desde que decidiu se tornar um padre jesuíta, em 2006, sua vida tem sido "em tudo amar e servir", ideal de Santo Inácio, fundador da Companhia de Jesus. O chamado veio em um retiro de oito dias que fez numa casa de retiro jesuíta que fica em Itaici, na cidade paulista de Indaiatuba. O convite para o retiro partiu de uma diretora do colégio religioso onde estudou.
- Logo no primeiro dia do retiro, tive um experiência que mudou minha vida: rezei o texto em que Jesus chama os discípulos para irem para a outra margem do lago. Vi Jesus me chamando para segui-Lo e fui junto. Antes eu pensava em me casar - conta.
No início, sua mãe ficou triste com a decisão, mas hoje o apoia. Durante o noviciado, quando fez os votos, o contato com a família se restringia a alguns telefonemas mensais e a cartas. Malta sobrevivia com R$ 30 ou 40 por mês:
- E ainda sobrava. Peregrinei a pé e sem dinheiro de Campinas a Aparecida, com o intuito de me entregar aos desígnios de Deus. É incrível como encontramos nos mais pobres a caridade para ajudar.

Entre o casamento e o sacerdócio

Hebert Queiroz levou apenas 9 meses no Seminário São José, no Rio Comprido, para descobrir que tinha vocação para o matrimônio, o que não o impediu de querer continuar na vida religiosa. Em novembro de 2008, ele deixou de ser seminarista, mas hoje é coordenador dos coroinhas da sua paróquia em Brás de Pina.
- Nesse período, percebi que não queria ser padre, mas servir a Deus de forma completa. Jogávamos futebol todas as segundas e quartas num colégio e, quando via as crianças brincando, ficava pensando que não poderia ter filhos, e o desejo de constituir família falou mais alto - conta Hebert.
Ele diz que não viveu grandes tentações no período de internato e que lidou bem com o rigor da rotina de acordar às 5h30, ir à missa às 6h30, tomar café às 7h20, ter aulas das 8h às 12h20, almoço às 12h30, visitas a asilos ou hospitais na parte da tarde, oração às 18h30, jantar às 19h e recolhimento às 22h40.
- Era um dos mais disciplinados lá dentro. Quando disse que sairia, o reitor não acreditou - relembra.
Dois meses depois de sair do seminário, ele conheceu a atual namorada, com quem garante manter a castidade há um ano:
- Todo católico é chamado a ser casto. A maior vontade do sacerdote é celebrar uma missa. Percebi que a minha era a de aconselhamento espiritual, e eu não preciso ser padre para isso. Agora quero ser diácono.

Vamos demolir o Cristo Redentor

(Dom Anuar Battisti - Arcebispo de Maringá

Maringá, 14 de janeiro de 2010)


      O Presidente Lula, publicou um Decreto no dia 21 de dezembro de 2009, com o titulo: “Programa Nacional dos Direitos Humanos”. Uma das mudanças é a retirada de símbolos religiosos das repartições públicas, como por exemplo, os crucifixos. Isto não fere os direitos humanos, mas a liberdade religiosa de um país que nasceu sob o signo da cruz; lembrando que o Brasil foi chamado em primeiro lugar de “Terra de Santa Cruz”. O símbolo será sempre símbolo; os que acreditam, respeitam; para os que não acreditam, não é necessário se incomodar. Se essa moda pega, corremos o risco de ver o Cristo Redentor, sinal visível do Salvador, marca registrada do Rio, monumento patrimônio da humanidade, sendo demolido.
           Outra mudança com a qual não podemos concordar é a despenalização do aborto. Dada a pressão, o Presidente já concordou em retirar do programa. Esta cláusula foi colocada certamente pelas mulheres que defendem o direito de decidir sobre seus corpos, considerado unicamente como objeto de prazer. Onde está a dignidade da mulher quando se deixa levar pela mentalidade do “carpe diem”; aproveite agora, não existe outro mundo melhor a não ser o do prazer? O liberalismo sexual é a causa principal do uso de drogas, da proliferação do vírus HIV etc. Queremos e defendemos a vida desde a concepção até a morte natural. A vida é sagrada, como é sagrada a Palavra de Deus, a Bíblia.
         Outro objetivo do Programa é a legalização do casamento entre homossexuais. Não condenamos os homossexuais; respeitamos e acolhemos como pessoas humanas que precisam alcançar a perfeição como qualquer outro ser humano. Agora, legalizar a união entre dois seres humanos do mesmo sexo e dar-lhes direitos iguais, significa institucionalizar o pecado, deixando de lado todo e qualquer norma do evangelho. A norma das normas é a Palavra de Deus. Condenamos o pecado, mas amamos o pecador. Se enveredarmos por este lado, não existirá mais referencial nenhum para a educação e a formação da consciência. Os valores da ética e da moral nunca poderão ceder aos caprichos do ser humano.
         Outro ponto que discordamos é dar aos homossexuais o direito de adoção. Por que tantas dificuldades e normas absurdas quando um casal quer adotar um filho? Por que não facilitar o direito dos casais que não podem gerar ou mesmo tendo seus filhos, queiram adotar sem passar pela interminável burocracia? O católico país “Portugal” legaliza o casamento gay e nega a adoção. O argumento para a legalização, é o fato de que se torna cada vez mais difundido a prática homossexual. Certas práticas não podem ser o único critério para legitimar as mudanças. Será que não vamos chegar a legalizar a corrupção, a droga e outras práticas tão comuns no mundo de hoje?
          Este ano, teremos a oportunidade de escolher os líderes políticos para dirigir o país. Fiquemos de olho para saber quem está com quem, o que pensam e fazem hoje os homens que amanhã merecerão a nossa confiança nas urnas.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Maria e o Advento


           Enquanto as cidades vão tomando ares de espera natalina, e no momento em que inauguramos pelas ruas de nossa capital o “circuito dos presépios” para que recordemos o importante fato que celebramos no Natal, uma companhia no Advento sempre se torna presente: Maria! Além dos textos da liturgia própria deste tempo, temos também algumas solenidades marianas marcantes.
           Uma delas é a Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Bem no coração do Advento, no dia 8 de dezembro, rendemos louvores a Deus pela pureza da Virgem Maria, aurora da salvação. «Puríssima, na verdade, devia ser a Virgem que nos daria o Salvador, o Cordeiro sem mancha, que tira nossos pecados» (Missal Romano). Preparando-nos para o Santo Natal, devemos reconhecer que Deus, em seu amor e liberalidade, olhou com carinho para Maria, escolhendo-a e preparando-a para ser a mãe de seu Filho, dispensando-lhe graças especiais. O anjo a saudou como «cheia de graça» (Lc 1,28).
         É verdade de fé, proclamada e definida pelo bem-aventurado Pio IX, em 1854, «que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha do pecado original; essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis» (Bula Ineffabilis Deus).
         Com efeito, Maria foi também redimida pela graça de Cristo, como todo ser humano. Entretanto, o modo pelo qual Maria foi redimida é todo especial, porque Deus a preservou de contrair a mancha do pecado original desde o primeiro instante de sua concepção. Deus a redimiu em vista dos méritos de Cristo. É o que expressa o Concílio Vaticano II com estas palavras: «Em vista dos méritos de seu Filho foi redimida de um modo mais sublime…» (Lumen gentium, 52).
          Nossa Senhora, desde o seu primeiro instante de vida, é toda bela («tota pulchra»), é toda voltada para Deus! Nós, muitas vezes, clamamos com São Paulo: «Não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero» (Rm 7,19). Essa dilaceração não tomou conta do coração da Virgem porque, «já bem antes da aurora, o Senhor veio ajudá-la» (Sl 45,6). A vida de Maria foi totalmente íntegra e o seu coração pôde amar sempre a Deus sem divisões nem distrações. Ela soube corresponder à especial graça que lhe fora concedida, de modo que a existência da humilde mulher de Nazaré foi sempre «sim» para Deus e, em Deus, «sim» para os outros. Ela realizou em sua vida aquilo a que todo homem é chamado – ser para Deus e para o irmão.
          A escolha de Deus tem sua razão de ser: Maria foi preservada de todo o pecado a fim de que se apresentasse como «a santa morada do Altíssimo» (Sl 45,5). Mas podemos dizer mais: Deus quis iniciar uma nova história e realizar uma nova criação. Na linguagem de São Paulo, Deus quis «recapitular tudo em Cristo» (Ef 1,10). E, assim como uma mulher foi solidária com o primeiro Adão no início da história do pecado, o plano divino dispôs que, no reinício da história, estivesse presente, ao lado do novo Adão, Cristo, a nova Eva, Maria.
         A Imaculada Conceição de Maria integra, desse modo, a «recapitulação» ou o novo início da história em Cristo. Todos nós somos chamados a fazer parte dessa nova história, história de graça e de santidade, de misericórdia, amor e perdão, de justiça e de paz. Maria Santíssima é inspiração e ajuda para nós. Ela é toda de Deus e, por isso, toda dos filhos de Deus.
         Nós, enquanto aqui caminhamos, com a graça que Deus nos concede, somos chamados a lutar para vencer o pecado em nós e inserir-nos na nova história inaugurada pelo novo Adão, que teve sempre a seu lado a nova Eva. A graça divina quer nos retirar da velha vida e revestir-nos da nova. Por isso exorta o Apóstolo: «Precisais renovar-vos, pela transformação espiritual de vossa mente, e vestir-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade» (Ef 4,23-24).
        Que o tempo do Advento seja-nos propício, a fim de reconhecermos as maravilhas que Deus fez em sua serva, maravilhas que deseja fazer também em cada um de nós. Aliás, é bem isso que a Igreja nos recorda sempre: aquilo que se diz de Maria, se diz da Igreja e vice-versa: “ela é o tipo da Igreja na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo” (LG 63).
        Esperando com Maria, desejo que a celebração do Natal, na liturgia e na vida, transforme o nosso coração e renove a nossa vida. Ao dizer sim como a mãe de Jesus, poderemos ser membros ativos da nova criação e da nova história desejada por Deus.
         Que o Ano Sacerdotal ajude os presbíteros a serem pastores conforme o coração de Jesus, pastores que, sob o único Pastor, conduzam o povo de Deus às pastagens verdejantes do Reino da santidade e da graça, cuja luz resplendeu radiante em Maria Santíssima.
         Que todo o nosso povo, vivenciado o tempo do Advento possa, ao modo de Maria, meditar os acontecimentos e as graças de Deus, conservando tudo em seus corações (cfr. Lc 2, 41-51).
          E que ao vermos o espírito de Natal ocorra em nós as preocupações com os mais pobres, com os sinais em nossas casas e, contemplando os presépios pelas ruas e praças de nossa cidade, os corações se abram para continuamente encontrarmos a cada dia Aquele que veio a nós por Maria, a Imaculada Conceição e Senhora de Guadalupe.

Por  Dom Orani José Tempesta, O.Cist.

         Arcebispo do Rio de Janeiro

FONTE: Arquidiocese do Rio de Janeiro

Preparemo-nos, Jesus está voltando - Lucia Silveira


Nestes últimos dias, temos visto e ouvido na mídia, e, principalmente na Liturgia Católica, exortações sobre a volta triunfante de Jesus Cristo, o Filho Divino do Pai Eterno.


Não sabemos quando nem como, mas temos a certeza que Ele virá. E nós estamos preparados? Preparemo-nos, portanto, com alegria, muita fé e entusiasmo, na prática do amor de Deus, no compromisso com o evangelho e na misericórdia com os irmãos, pois tudo isso nos dá a certeza de que Cristo é a fonte da Felicidade.

"Felizes aqueles cuja vida é pura e seguem a lei do Senhor" (Sl 118, 1-2).

O desejo de Jesus é que sejamos felizes, porque ele é a própria bondade e deseja a nossa felicidade muito mais do que nós mesmos desejamos. Ele nos criou a sua própria imagem e semelhança, portanto, não rejeitemos Jesus em nossa vida. Devemos procurar evitar o que nos apraz, nossos desejos materiais, a forma de nos apresentar, a vaidade de ser mais e melhor do que o irmão. Devemos, sim, nos preocupar mais em andar nos caminhos de Cristo e não adorar ídolos, nem entregar-nos a luxúria.

Jesus veio ao mundo para participar da vida humana, nos mostrando o caminho da felicidade, da paz e alegria, através da sua Igreja.

Muitos de nós fechamos os ouvidos do coração e procuramos a alegria e a felicidade nas vaidades e nos prazeres temporários, esquecendo que essa felicidade buscada no pecado reduz-se a cinzas.

Jesus nos exorta que voltemos para ele e entreguemos nossa mente, o nosso coração e a nossa alma, ele não nos esconderá a verdade e nos ensinará o caminho da felicidade.

Jesus nos fala:

- Feliz é aquele que não segue os conselhos dos maus, que não anda em pecado, que não insulta o Criador com estulta arrogância.

- Feliz é aquele que estende a mão aos necessitados e pobres.

- Feliz é aquele que guarda a minha lei de dia e de noite, que me procura e abre o seu coração.

- Feliz é aquele que em mim se refugia, eu serei a sua defesa, eu o animarei e o protegerei de todo o perigo. Terá grande paz, e para ele não haverá pedra de escândalo.

Jesus também nos diz:

- Serás feliz se temeres o teu Senhor e caminhares com fé e confiança em seus caminhos.

- Tudo te dei, quero que sejas um pacificador, um criador de alegria e felicidade para todos os que te rodeiam.

-Desejo o teu amor e te digo que o fruto do amor não é depressão e sim a felicidade, o entusiasmo, a alegria! portanto, o que tens a temer? Procuras viver alegremente! Viver com felicidade! Viver com entusiasmo!

Tua alegria deve estar em que Deus existe, e é o dono de tudo.

Te digo ainda, filho, que não atrairás para mim as pessoas que amo muito, sendo mal-humorado, triste, inseguro, temeroso, pessimista.

Eu não te disse: "Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hopócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuaram?" (Mt 6,16).

E não disse: "Vinde a mim... e eu vos aliviarei"? (Mt 11,28).

Tantos julgam Jesus como um Deus severo, áspero, satisfeito com o espetáculo de uma pobre criatura humana enxugando a fronte borbulhante de suor e pergundo ansiosamente a si mesmo: "Será possível que eu me salve?"

Será que Jesus deu a sua vida para nos atormentar? Para nos tornar infeliz? Jesus não tem complacências na tristeza, nas trevas, no abatimento, mas na alegria, na luz, na felicidade. Portanto, irmão tranquiliza o teu coração e andas com Jesus. Mesmo quando os homens te desprezam e te perseguem e dizem, falsamente, toda sorte de mal contra ti, por causa de Jesus, procura alegrar-te e ficar sereno.

Jesus é a tua luz e a tua salvação. A quem poderás temer?

Assim, irmãos, enquanto esperamos a vinda de Nosso Salvador, estejamos atentos na alegria que a fé nos transmite e sejamos firmes na esperança da Salvação.

Jesus te ama!

Por Lucia Silveira